Por Genilson Júnior e Nilo Junior
Paulinho Criciúma: 'Foi o título mais importante da minha vida'
Lá se vão 20 anos desde o gol de Maurício, que deu o título estadual ao Botafogo em 1989. A conquista, eternizada na memória dos torcedores, também não sai da cabeça dos jogadores. Vinte anos depois, Paulinho Criciúma, um dos heróis da conquista, lembra bem daquele jogo, mas destaca o momento que não sai da sua cabeça: o apito final.
"O apito final definiu o término de muito sofrimento, de um jejum de 21 anos. Era o fim de muito sofrimento, martírio e gozação. Tem fotografias minhas em que eu me ajoelho no chão", lembra o jogador.
Paulinho gosta de dizer a toda hora que a conquista marcou não só o Botafogo, mas também o futebol brasileiro. Segundo ele, naquela partida, a torcida do Botafogo era maior que a do Flamengo.
"Só a torcida do Flamengo estava torcendo para o Flamengo. O resto do Brasil queria o Botafogo campeão", lembra o jogador, que fez questão de elogiar a equipe rival.
"Aquele time do Flamengo tinha cinco ou seis jogadores que viriam a ser campeões do mundo em 94 com a Seleção Brasileira", falou o artilheiro do time no campeonato, referindo-se a Jorginho, Aldair, Leonardo, Zinho e Bebeto.
Emocionado, Criciúma diz que o a conquista marcou sua carreira profissional
"Tive muitas conquistas mas essa, sem dúvida foi a mais importante da minha carreira, é um título inesquecível".
Valdir Espinosa, o técnico:
"O Botafogo é reconhecidamente um clube de superstições e quem trabalha lá acaba se tornando, pelo menos um pouquinho, supersticioso também. Durante todo o campeonato estadual do Rio de Janeiro de 1989, em todas as preleções realizadas antes dos jogos, o Luizinho, meio campo titular daquele time, comparecia vestindo uma camisa do Nápoli que ele havia ganho do Maradona. Foi assim do primeiro jogo até o penúltimo. Sim, o penúltimo, pois no dia do jogo final contra o Flamengo, antes de iniciar a palestra olhei para todos os jogadores e não encontrei a camisa azul do Napóli. Não falei nada, olhei para o Luizinho, olhei para o restante do grupo e novamente para o Luizinho. Sorrindo ele abriu a bolsa, pegou a camisa do Maradona e vestiu. Só aí comecei a preleção."
* Texto retirado do blog do Espinosa
Gottardo elogia o time do Flamengo
O zagueiro Wilson Gottardo lembrou a qualidade do adversário na final de 1989 para valorizar ainda mais a conquista do Glorioso, que saiu de um jejum de 21 anos sem gritar 'É Campeão'.
"O Flamengo era muito forte. Se pararmos para analisar a trajetória daquele time, tudo o que cada um conquistou no futebol, é impressionante. Era um time muito forte, bem acima da média".
No entanto, Gottardo sabia que o Botafogo estava preparado para se sagrar campeão.
"Nós sabiamos da qualidade deles, mas estávamos preparados para vencê-los', lembrou.
Gol do título de 89 vai virar livro
Muito se comenta de uma possível falta de Maurício, autor do gol do título em 1989, em Leonardo, do Flamengo, segundos antes do camisa 7 alvinegro balançar a rede de Zé Carlos. O ex-jogador do Glorioso admitiu ao Dia Online ter dado um 'toque malandro' no lateral-esquerdo do Fla.
"A bola cruzou, consegui me livrar do Leonardo com um toquezinho de malandro e fiz o gol. O árbitro não deu a falta. Ele está ali para fazer isso. Se ele não deu, não foi. Se eu fosse o árbitro também daria o gol, afinal sou botafoguense", brincou.
A conquista marcou tanto a vida de Maurício, que o jogador estará lançando, em breve, um livro sobre o ano de 1989.
"Aquela conquista foi tão importante que resolvi lançar um livre sobre todo aquele ano. Junto com o Bruno Neves vamos fazer um livro que vai ficar marcado não só na história do Botafogo, como na história do futebol', prometeu.
Maurício projeta lançar o livro '1989, o Grito de liberdade de um povo' na data em que se comemora o aniversário de 20 anos da conquista do título, em 21 de junho deste ano.