Presidente ameaça acabar com modalidades olímpicas, entre elas a ginástica artística. Márcio Braga culpa a falta de recursos e critica os repasses por parte do COB. Clube depende da definição do orçamento e do contrato com Petrobras para definir o futuro
Ana Carla Gomes, Danielle Rocha e Janir Júnior
Rio - O presidente do Flamengo, Márcio Braga, confirmou o corte orçamentário em todo o clube e a diminuição de investimentos nos esportes olímpicos. Voltando de férias, o dirigente apareceu na Gávea pela manhã, afirmando que o remo e o basquete eram as prioridades e nem citou modalidades como a ginástica, que tem como estrelas Jade Barbosa e os irmãos Diego e Daniele Hypólito.
“O esporte amador será afetado. Não tem como mexer no futebol, que banca o clube; no remo, já que somos um clube de regatas, e no basquete, um esporte cuja tradição é muito forte aqui”, garantiu o dirigente, logo pela manhã.
À noite, no entanto, ele se reuniu com a vice de Esportes Olímpicos, Patrícia Amorim, que saiu otimista do encontro.
ORÇAMENTO
Márcio explicou que os esportes amadores não têm patrocínio e, por isso, não trazem retorno. O presidente quer que o futebol seja gerido à parte dos demais esportes, utilizando apenas os recursos que gerar. “Temos que começar uma reforma institucional do modelo de gestão do clube. Temos que discutir, repensar e replanejar o modo de gerenciar o futebol”, afirmou o dirigente.
Depois da reunião com Patrícia, Márcio Braga confirmou o corte, mas não foi claro sobre a situação dos esportes olímpicos. “Vai haver corte que vai mexer com todo o clube, para enfrentar a dificuldade do momento. Vamos investir no basquete e, quanto aos demais esportes, temos que aguardar”, disse.
A definição depende do fechamento do orçamento para 2009 — hoje, assume o novo vice de finanças — e também da assinatura do contrato com a Petrobras. No ano passado, a verba da empresa contemplava as sete modalidades olímpicas do clube.
A novela da renovação com a Petrobras está perto do fim, mas longe dos valores pedidos pelo Rubro-Negro, que queria R$ 18 milhões, mas ficará com R$ 14,2 milhões. O tempo de contrato deve ser de apenas um ano e não três, como era previsto inicialmente. “O Flamengo recebeu uma carta da Petrobras pedindo a documentação necessária para darmos entrada na renovação de contrato e assinar os documentos”, explicou Márcio Braga.
MANTER A CALMA
Apesar do clima de incerteza, Patrícia Amorim mantém a confiança. “Saio otimista porque não houve um não absoluto para todas as outras modalidades. Já apresentei propostas a ele, que, com 20% de redução, dá para manter todas elas. A minha sensibilidade diz que temos que ficar otimistas. Não senti que ele tenha vontade de acabar com as modalidades. Até o fim do mês, tudo deve ser definido”.”, disse ela, que recebeu vários telefonemas de atletas apreensivos com a situação: “Temos que manter a calma”.