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15/05/2008 13:03:00

Torcedores do Flu vão ao Morumbi e relatam aventura

Nilo Junior


Thiago e Lula (de blusa Laranja) foram a São Paulo ver o Flu. Foto do leitor Thiago Lauriano

Rio - A paixão pelo clube de coração é algo que está, definitivamente, acima da razão. Nesta quarta-feira, cerca de três mil torcedores do Fluminense foram ao Morumbi incentivar o time carioca contra o São Paulo, pelas quartas-de-final de Libertadores. O economista Thiago Lauriano era um dos integrantes desse mar tricolor. Para ver o Flu, valeu tudo: sair mais cedo do trabalho na quarta e chegar mais tarde na quinta, gastar aproximadamente R$ 250 e dormir pouco mais de 3h. Outro tricolor apaixonado que foi a Sampa ver o Flu, foi Luiz Felipe Coelho, que viajou de carro ao lado de quatro amigos.

Você também foi ao Morumbi? Conte a sua história!

Confira a seguir os relatos das aventuras dos fanáticos tricolores:

"Pegamos o vôo no Santos Dumont às 15h45. Para variar, cheguei atrasado, faltando 20 minuntos para a decolagem. Meus dois camaradas que foram comigo (Zé Ricardo e Lula) já estavam travando a fila do check-in, me esperando. No vôo, havia cerca de 20 pessoas com a camisa do Fluminense e outros que falavam que iam ao jogo.

Tricolores e cariocas. Torcedores exibem, orgulhosos a bandeira do Rio. Foto do leitor Thiago Lauriano

Ao chegar em Congonhas, (por volta das 17h), havia mais pessoas com a camisa do Fluzão. A fila para pegar taxi era dominada por torcedores do Fluminense. Nossa intenção era ir para a casa de uns amigos deixar as mochilas, já que íamos dormir lá, pois nosso vôo de volta era às 7h30 desta quinta. Mas o taxista falou que por causa do trânsito ficaria complicado irmos atá a casa (que fica na Aclimação, proximo à Av. Paulista) e depois pegar todo o trânsito para o Morumbi.

Então decidimos ir ao estádio direto e parar em algum bar para beber e esperar o jogo começar. O motorista nos levou num bar a cerca de 1km do estádio, onde ficamos bebendo cerveja em garrafa - bem gelada - a um preço muito bom. O bar estava repleto de são-paulinos, com bandeiras do clube por toda a parte. Uma amiga minha que estava lá com um grupo nos chamou para ficar com deles. Alguns paulistas a fim de confusão ensaiaram algumas músicas contra o Rio de Janeiro já que estávamos falando bem alto, com o sotaque bem carregado do RJ. O princípio de tumulto foi "abafado" e eles continuaram só com as musicas de apoio ao Tricolor Paulista.

Por volta das 20hs nos despedimos do pessoal e fomos andando até o Morumbi. A entrada no nosso portão foi tranqüila, o único problema foi a proibição de beber cerveja lá dentro. A torcida cantou bastante, apoiou muito, mas o time sofreu um "apagão" no início do jogo, fundamental para o resultado negativo. Vale ressaltar que ficamos nas cadeiras amarelas atrás do gol (aliás, nao são cadeiras, mas bancos de madeira pintados que lembram o banco da Praça é Nossa).

Torcedores mostram uma faixa do Tricolor. Foto do leitor Thiago Lauriano

Alguns torcedores rivais, que estavam na arquibancada tentavam atirar coisas na gente mas acabavam acertando no fosso, já que nossa parte estava toda coberta. A saída do estadio é horrorosa. O Morumbi é grande, mas cercado de ruas estreitas. Como já havíamos sido alertados do fato, andamos cerca de 2km para uma rua maior, onde não havia mais o trânsito infernal da saída. Pegamos um taxi e fomos para a casa dos meus amigos. Apesar de termos pego o taxi  00h50, só chegamos ao local por volta das 2h (num caminho que é feito em meia hora sem trânsito). Mesmo de madrugada, parece que é a "hora do rush" em São Paulo.

Como o vôo era às 7h30, saindo de Guarulhos, dormimos apenas cerca de três horas e meia. Por sorte e boa vontade, um amigo nos levou até Guarulhos. Chegamos lá por volta das 6:30 e embarcamos no horário normal. Como voamos de OceanAir na volta, havia vários lugares vazios e então consegui ficar em uma fileira onde deu para dormir mais um pouquinho.

Preciso fazer uma observação sobre os são-paulinos: a torcida do São Paulo é pior do que a do Botafogo. A do Flu não parou de cantar e eles nos ouviam, pois vaiavam. Além disso, na saída do estádio, quando andamos os tais 2km, os são paulinos andavam todos calmos, como se estivessem saindo de uma peça de teatro.

Por fim, quero convocar a massa tricolor para lotar o Maraca quarta-feira que vem. Jogando em nossa casa, com a torcida em peso e com a pressão do resultado, o Renato Gaúcho provavelmente vai colocar um time mais ofensivo e um jogador mais forte (Thiago Silva - melhor zagueiro do Brasil) para parar o Imperador."

Thigo Lauriano, 27 anos, economista.

Foto enviada pelo leitor Luiz Felipe Coelho


"Nossa longa jornada para acompanhar o Fluzão começou no ponto de encontro da galera que iria no mesmo carro. Cinco tricolores doentes dentro do mesmo veículo, sempre com muita empolgação passando rádio para tirar onda com os eliminados flamenguistas. Na estrada passamos por vários carros e ônibus que tinham o mesmo destino da gente, o Morumbi. Sempre passávamos buzinando e colocando as camisas para fora, era uma festa só, coisa que só aumentou a nossa expectativa para o jogo na casa do adversário.

Quando chegamos na Marginal Tiete nos deparamos com o trânsito louco de Sampa e agradecemos a Deus por sermos cariocas. Recebemos a notícia que a torcida do São Paulo iria olhar as placas dos carros e, caso encontrasse alguma do Rio, iriam quebrar o carro. Então paramos "a viatura tricolor" no Jockey e pegamos um táxi.

 O taxista fez o favor de nos deixar no meio da torcida organizada “Idependente”, o que nos deixou apreensivos, mas não com medo. Passamos no meio dela, ficamos abismado com o valor do estacionamento (50 pratas) e fomos andando até nos encontrar em frente ao portão 16, aonde entravam os torcedores do Flu.

 Ao chegarmos na “concentração” foi só festa e alegria. Cantamos, pulamos e tiramos onda com os paulistas, coisa mais do que normal. Tratamos de tomar umas cervejinhas do lado de fora porque dentro do estádio não vende.

 A entrada foi super tranqüila e fomos logo nos posicionar para termos o melhor ângulo. A torcida foi cantando, gritado e quando olhamos para o lado, todo o setor destinado a torcida estava lotada. A torcida do São Paulo estava sempre calada e com certeza escutava o grito da nossa torcida pois não parávamos de cantar um minuto sequer.

Foto enviada pelo leitor Luiz Felipe Coelho

O momento que mais deixou os paulistas irritados foi na hora do hino Nacional, quando toda a torcida do Flu cantou “Cidade Maravilhosa” e tiramos muita onda com eles.

O jogo ocorreu com chances para todos os lados, mas o Fluzão estava meio perdido no primeiro tempo. Graças a uma bobeada da defesa, junto com uma rebatida depois de um peteleco do Dagoberto, eles fizeram o placar do jogo. Mas não tem problema, pois após a entrada do Conca, percebemos que a virada no placar aqui no Rio será uma missão mais simples do que se possa imaginar.

 Na volta conseguimos sair sem nenhuma confusão, nos metemos no meio da torcida adversária e nos infiltramos no meio da multidão. Como o trânsito era caótico no momento, andamos muito até conseguirmos achar um táxi vazio fora do engarrafamento. Porém, o taxista, ao exemplo do primeiro, não sabia direito os caminhos de SP e não sabia aonde era o Jockey. Creio que aqui no Rio todo mundo saiba aonde fica o Jockey, certo?

Isso tudo são histórias que só um torcedor apaixonado e doente pelo seu time faz e não se arrepende em nenhum momento de fazer. Estou escrevendo esse texto no meio do meu trabalho. Saímos de São Paulo às 2he após revezamentos de motoristas, muito café e energético. Chegamos no Rio às 7h50, sendo que entrei no trabalho as 9h, feliz da vida e cheio de histórias para contar".

Luiz Felipe Coelho, 25 anos, analista de comércio exterior.



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Valeu pela vitória, mas o Parreira vai ter trabalho para arrumar esse time

 
   
   
 
 
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