Naufrágio Vascaíno
De herói a vilão

Por Nilo Junior

 

Edmundo queria se despedir com um título, mas o que veio foi o rebaixamento. Foto: André Luiz Mello / Agência O DiaRio - Há 11 anos, o atacante Edmundo vivia a melhor fase de sua carreira e comandava o Vasco rumo ao tricampenato brasileiro. Naquela oportunidade, além do Animal, o Vasco tinha um dos melhores elencos do Brasil, com Juninho Pernambucano, Felipe, Pedrinho, Evair, Mauro Galvão e Carlos Germano. Uns em ótima fase, outros surgindo como grandes promessas. Apesar disso, coube a Edmundo - com toda justiça - o status de herói da conquista.

 

Hoje, mais de uma década depois, a agilidade com que o camisa 10 rabiscava os zagueiros e fazia os gols está muito longe de ser a mesma. E a realidade do Vasco também.

Se em 1997 o time fez uma campanha impecável, digna de campeão, o mesmo não se pode dizer deste ano. Aliás, os números deste Brasileirão mostram que o time "fez tudo" para ser rebaixado.

 

Em 1997, Edmundo só faltou fazer chover. Na foto, comemorando mais um gol sobre o Flamengo, que sofreu com o Animal naquele ano. Foto: Banco de Imagens / Agência O DiaNo tricampeonato, foram 33 jogos, sendo 21 vitórias, 7 empates e apenas 5 derrotas, com 69 gols pró e 37 contra. No Brasileirão de 2008, são 38 jogos, 10 vitórias, os mesmos 7 empates, mas 19 derrotas. O ataque, até que funcionou bem e marcou 54 gols. Mas a defesa não ajudou nem um pouco e sofreu 72, a segunda mais vazada do campeonato.

 

Assim como Edmundo sempre será lembrado pela conquista de 97, também ficará marcado pelo rebaixamento de 2008. Principal jogador do time, teve um ano repleto de insucessos. Quando voltou ao Vasco, no início do ano, disse que esta seria sua última temporada como profissional e queria se despedir dando um título ao clube.

 

Após perder mais um pênalti decisivo, o craque raspou a cabeça e diesse que era uma punição a ele memos. Foto: Divulgação / VipcommCom um time muito limitado, a chance de soltar o grito de campeão - o que não acontece desde 2003, quando ganhou do Fluminense a final do Carioca - foi chutada para fora pelo 'Animal'. Na semifinal da Copa do Brasil, contra o Sport, em São Januário, Edmundo chutou mais um pênalti pelos ares e colocou em órbita não só a bola, mas também a chance dos vascaínos de soltarem o grito de campeão, há tanto tempo preso na garganta.

Dias depois, anunciou sua aposentadoria e raspou a cabeça, em protesto, dizendo que era uma forma de punição.

 

"Estou vivendo emoções muito fortes e meu coração já não agüenta mais esse tipo de situação. Meu ciclo no futebol acabou. Estou fora do Vasco. A careca é porque estou com raiva de mim mesmo", disse na época, antes de ser convencido pelo então presidente, Eurico Miranda a cumprir seu contrato até o final do ano.

 

Mal sabiam os torcedores que o pior ainda estava por vir. No Brasileirão, até que teve boas atuações, como na goleada por 4 a 2 sobre o Goiás, no Serra Dourada. Além disso, foi o artilheiro do time na competição, com 13 gols. Mas Edmundo está muito longe de ser o jogador decisivo do inesquecível ano de 1997.

 

Com seu retorno ao clube, bem que poderia se despedir da carreira mais uma vez como herói, caso o time tivesse conseguido se salvar. Mas quis o destino que, dessa vez, o eterno ídolo dos vascaínos, o herói de 1997, saísse como vilão.

 

Edmundo ainda não voltou a falar sobre a aposentadoria, mas o certo é que, parando ou não, será sempre lembrado como o Camisa 10, o ídolo, a esperança daquele que foi o time que escreveu o capítulo mais triste dos 110 anos da história do glorioso Vasco da Gama.