Naufrágio Vascaíno
Os Motivos

Por Nilo Junior

 

Rio - O que começou errado terminou de forma ainda pior. Enquanto a maioria dos clubes brasileiros faziam uma pré-temporada, cumpriam uma programação e se preparavam para a maratona de jogos que começa com os estaduais, o Vasco embarcava para um torneio em Dubai, nos Emirados Árabes, trocando assim a preparação ideal para o início da temporada pelos dólares do milionário futebol árabe. A partir daí, foi uma série de erros até o vergonhoso rebaixamento para a segundona.

 

 

OS PÊNALTIS

 

Uma pergunta que todos os vascaínos, de uma forma geral, fazem é: porque o Edmundo continua batendo pênaltis? Depois do mais doloroso e decisivo de todos (o do Mundial de Clubes, contra o Corinthians), o Camisa 10 seguiu dando sustos na torcida e prejudicando o time. No seu retorno ao Vasco, perdeu um logo na estréia, contra o Flamengo, que, se convertido, poderia ter mudado a história cruzmaltina no Campeonato Carioca. Mas o 'Animal' bateu fraco, nas mão de Bruno. Depois disso, veio o pênalti da semifinal Copa do Brasil, que Edmundo bateu "tão bem" quando o do Mundial trocando só o lado da cobrança.

 

Edmundo, com a cabeça no lugar, é, indiscutivelmente, um craque. Mas estava mais do que provado que ele não sabe bater pênalti e não tem equilíbrio emocional para isso.

 

 

BRIGA POLÍTICA

 

A briga pelo poder no clube chegou a tal ponto que tornou-se mais importante do que o futebol. Desde as eleições para o Conselho Deliberativo, em 2006, o clube vive em ebulição, numa constante briga entre a situação, até então comandada por Eurico Miranda, e a oposição, que tinha como candidato o eterno ídolo Roberto Dinamite.

 

Com o respaldo da Justiça e com várias mudanças no pleito, Roberto conseguiu realizar - e vencer - a nova eleição. A conturbada troca de presidentes mexeu com a estrutura do clube. Se por um lado, o Vasco tornou-se mais transparente e democrático, por outro a nova diretoria mostrou falta de experiência para administrar uma instituição centenária. Ao assumir, Dinamite disse ter herdado um clube em dívidas, sem condições de contratar reforços de peso para resolver os problemas.

 

CONTRATAÇÕES

As escolhas da nova diretoria também não foram as melhores. Para dar apenas um exemplo, basta lembrar que o clube contratou o lateral-esquerdo reserva do CRB, que na época era o vice-lanterna da Série B. Além disso, Roberto Dinamite surpreendeu a todos ao anunciar o ex-companheiro Tita como novo técnico do time.

 

Enquanto tentava reforçar o time com jogadores desconhecidos, a diretoria decidiu repatriar alguns jogadores, ex-companheiros de Edmundo, como Pedrinho e Odvan. O meia teve pouca oportunidade e esteve longe de ser o craque que foi no início da carreira. Odvan jogou mais, e entre bicos para frente e sustos na torcida, não conseguiu resolver o problema da frágil defesa vascaína.

 

 

O QUE ACONTECEU COM O CALDEIRÃO?

 

Um dos pontos fortes do Vasco sempre foi o estádio de São Januário. Mas esse ano, o Caldeirão não funcionou como deveria. Em diversos jogos a torcida fez a parte dela: lotou o estádio, fez festa. Infelizmente, mesmo com o incentivo das arquibancadas, o time não conseguiu as vitórias que normalmente vinham na Colina.

 

Talvez o ponto crucial para esta queda cruzmaltina tenha sido as três derrotas consecutivas em jogos em casa. A primeira delas foi dia 4 de setembro, contra o Cruzeiro (3 a 1). Na rodada seguinte, uma derrota para um dos concorrentes diretos na fuga da degola. O Náutico venceu também por 3 a 1. Nos próximos dois jogos, resultados negativos contra Palmeiras (2 a 0) e Ipatinga (3 a 1), ambos fora de casa. A terceira derrtoa seguida em São Januário veio um mês depois da primeira da série, no dia 4 de outubro. O Figueirense, que também brigava para não cair, venceu por 4 a 2.

 

Ao todo, o Vasco jogou 19 vezes como mandante e venceu apenas 7. Além disso, empatou 4 e perdeu outras 8 partidas.

 

 

A TROCA DE TÉCNICOS

 

O comando técnico do Vasco foi um grandes problemas do time neste ano. Somente em 2008, a equipe teve quatro treinadores no comando da equipe. Alfredo Sampaio chegou ao clube como auxiliar-técnico de Romário, respaldado pelas boas campanhas no comando Madureira. Promovido no início da temporada, dirigiu o Vasco por 12 jogos, com oito vitórias, um empate e três derrotas. Saiu de São Januário brigado com Edmundo e detonou o jogador.

 

Como solução, o então presidente do clube, Eurico Miranda, promoveu a volta de Antônio Lopes. Pela sexta vez, o delegado assumiria o comando do time pelo qual foi campeão brasileiro no ano de 1997 e da Libertadores em 1998. Mas nem o histórico vencedor deu jeito na equipe e ele não conseguiu a classificação para as finais do Campeonato Carioca. No Brasileiro, Lopes conquistou apenas cinco vitórias, teve nove derrotas e quatro empates, e saiu deixando a Vasco na 15ª posição.

 

A nova diretoria, comandada por Roberto Dinamite, trouxe o inexperiente Tita para o lugar de Lopes. Ele chegou pedindo reforços indicados por ele, como o zagueiro André e os volantes Johnny e Serginho. A carreira do treinador durou apenas nove jogos. À frente do Vasco, Tita teve três vitórias, um empate e cinco derrotas. Após a saída do treinador, o presidente do clube reconheceu o erro de estratégia.

 

O rebaixamento já se desenhava no horizonte. Para tentar impedí-lo, Renato Gaúcho assumiu o time. Pedindo trégua à torcida, ele voltou a São Junuário respaldado pela boa passagem em 2006. Mesmo assim, não consegui impedir a queda para a série B e terminou o ano com o retrospecto de 7 derrotas, 4 vitórias e 2 empates, em 13 jogos.

 


Colaborou: Renato Cozta