Por Raphael Roque
Rio - Viagens em maior quantidade e mais longas, estádios desconhecidos, menos dinheiro e visibilidade. Pode até ser que a Série B não assuste mais como antes, mas ainda é um grande desafio, principalmente para um clube que nunca a disputou, como o Vasco.
A primeira dificuldade é montar uma equipe competitiva com um orçamento mais apertado. Pela divisão da cota de TV do Clube dos 13, o Vasco teria direito a R$ 21 milhões anuais, mas esse valor cai pela metade com o rebaixamento. Sem dinheiro, a saída é apelar para uma equipe mais modesta ou buscar outras fontes de renda ou investidores.
Na hora de pegar a estrada — ou gastar as milhas aéreas — a diferença também é considerável. Enquanto na atual temporada a nau vascaína percorreu pouco menos de 33 mil km durante o Brasileirão, no ano que vem esses números devem ultrapassar os 50 mil km.
Fora da elite, as longas viagens aos Nordeste se tornam mais constantes. Menos mal que a torcida vascaína é muito presente na região e pode ser um aliado importante na conquista de pontos fora de casa. Ao Planalto Central são três idas, para enfrentar Brasiliense, Vila Nova e o recém promovido Atlético-GO. Além disso, os vascaínos não teriam o alívio de jogar três vezes no Rio mesmo como visitante, já que só o Duque de Caxias representa o estado na Segundona.
Os campos de jogo também são obstáculos. Embora possa ter pela frente bons estádios como o Serra Dourada, casa das equipes goianas, outros funcionam como um verdadeiro alçapão. O Amigão, onde o Campinense, que subiu da Série C, deve mandar seus jogos e o Marcelo Stéfani, do Bragantino, estão entre os piores.
A campanha absolutamente tranqüila do Corinthians levantou suspeitas de que a Série B já não é mais um grande bicho de sete cabeças. Difícil ou não, a segunda divisão do futebol brasileiro é um cenário completamente diferente. Mas é bom o Vasco começar a se acostumar com ela, por que a partir de agora é a realidade do clube!
ELETROBRÁS: O SALVA-VIDAS VASCAÍNO
Com a cota de aproximadamente R$ 7,5 milhões do Clube dos 13 (em vez dos R$ 15 milhões que teria direito), o Vasco precisaria mais do que nunca de um patrocinador forte para garantir uma equipe minimamente competitiva. Os dirigentes vascaínos apostam todas as suas fichas na parceria que está sendo firmada com a Eletrobrás. O presidente Roberto Dinamite pegou o clube quebrado, com um déficit mensal de R$ 2,9 milhões e precisa conseguir liquidez.
A princípio, a verba da estatal seria de R$ 60 milhões em cinco anos, mas esses números ainda podem mudar. As negociações continuam, mas o novo patrocinador só poderá estampar a camisa ao fim do contrato com a MRV, dia 31 de janeiro. Da Champs, fornecedora de material esportivo, o novo contrato renderá R$ 22 milhões em três anos.
UM BOM NEGÓCIO PARA OS OUTROS
A presença do Vasco na Série B pode fazer com que os ganhos das outras equipes na competição, ao menos, permaneçam os mesmos deste ano, quando havia o Corinthians. Essa é a opinião de José Neves Filho, presidente da FBA, entidade que representa os times excluídos do Clube dos 13.
“Antes do Corinthians, cada clube recebia R$ 300 mil por ano. Em 2008 já foram R$ 700 mil e acho que é possível até aumentar. Comercialmente, o Vasco é tão bom quanto o Corinthians, até porque a praça do Rio de Janeiro está pouco explorada desde a subida do Botafogo”, afirmou.

Apesar de ser o garoto-propaganda, o Vasco não teria direito a essa verba extra. Quem é rebaixado e recebe do Clube dos 13, além de ter sua cota reduzida em 50%, não tem direito ao dinheiro da FBA, que é repartido entre os outros.
Mas nada impede que o clube consiga um adicional com as emissoras. Até porque é provável que o Vasco jogue aos sábados e eventualmente às quartas-feiras, como fez o Timão.
“O Corinthians fez uma negociação complementar e acho que ganhou até mais dinheiro do que se tivesse ficado com a cota inteira do Clube dos 13”, disse Neves, que reclamou da desigualdade entre os valores recebidos nas duas principais divisões do País.
“O valor mínimo recebido por um membro do Clube dos 13 é R$ 11 milhões. O Náutico, que estava na Série A, mas não faz parte do grupo, recebeu menos da metade. E isso porque reclamou bastante”.
Segundo Neves, o Vasco não sairá de mãos abanando caso caia para a Série B. Pelo estatuto da FBA, a entidade provém passagem aérea, hospedagem, alimentação e transporte no local do jogo aos clubes que participantes. “Por pior que seja a crise financeira, na Série B ninguém fica sem ter como chegar ao local do jogo. Esse é nosso diferencial”, completou.