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“NÃO TENHO SUCESSOR”
Para o Baixinho, assim como não existiu outro Pelé, não haverá um outro Romário no futebol. Nem seu filho mais velho, Romarinho, que já marca os seus primeiro gols pelo Vasco.
Por Marluci Martins
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| O Baixinho elogia o amor que o filho, Romarinho, tem pelo futebol. Ele treina no Vasco |
Pelé é o cara. Depois de Pelé, Romário. E depois de Romário? Ninguém. Do seu jeito irreverente, Romário descarta a possibilidade de surgir outro gênio da área. Nem mesmo seu filho, Romarinho, que dá os primeiros passos no futebol, no Vasco,merece o otimismo do pai quando o assunto é o futuro. Romário prefere apostar em si: quer ser reconhecido como o maior jogador de futebol da história, depois de Pelé.
—O que o Pelé representa para você?
—Para mim, ele é o cara. Se mudassem o nome do futebol para Pelé, eu acharia uma homenagem justa. Nunca vai haver alguém igual a ele. Não é por acaso que é o Atleta do Século.
—E o que você quer representar no futebol? Como quer ser reconhecido?
—Quero ser reconhecido como o maior jogador da história do futebol mundial, depois do Pelé. E o segundo a ter marcado mil gols.
—Qual é o seu objetivo, quando entra em campo?
—Lá dentro, só tenho um objetivo: fazer gol. Até o ano 2000, eu queria também jogar bem. Hoje, não preciso. Só quero fazer gols. E podem dizer que, atualmente, só faço gol. É isso mesmo. E continuo fazendo mais gols do que uma porrada de jogadores por aí. Não é que os caras sejam ruins. É que eu sou f... Sou casca grossa.
—Quem será o sucessor do Romário?
—Não vejo nenhum. Assim como não vai haver nunca mais um Pelé, não haverá outro Romário.
—E o Romarinho?
—Ele, mais do que ninguém, tem que decidir o que vai querer. Se for da vontade dele jogar bola, será um orgulho para mim.
—Ele vai suportar as cobranças?
—Se tiver 10 por cento da minha cabeça, não vai sofrer p... nenhuma com isso. Mas ele vai tomar muita porrada, por ser meu filho. E certamente vai ser criticado.
—Ele tem talento?
—Vejo nele o mais importante: amor pela coisa. Ele ama fazer isso, o que já é um bom princípio.
—Então, sua previsão é de que vai dar certo?
—Se ele for o cara profissional, que, infelizmente, eu não fui; se não seguir meus exemplos de ir para a noite, fugir da concentração e escapar dos treinos, acho que vai dar certo. Os exemplos meus que ele deve seguir são os seguintes: repeitar os adversários e os companheiros, não beber e não fumar.
—Você conversa com ele sobre isso?
—Levo pra ele uma frase do meu pai de quando eu e meu irmão éramos garotos: ‘Vocês não podem usar droga, dar a bunda nem soltar pipa’. E é preciso ter caráter.
—Como se sente alcançando essa marca histórica do milésimo gol, aos 41 anos?
—Estou muito bem. Em 94, no auge da minha vida, eu pesava 73 quilos. Hoje, 13 anos depois, estou com 75. Ganhei massa muscular, pois faço coisas que não fazia, como hidroginástica e hidroterapia, além de musculação. Passo 2h30 numa academia. Hoje, treino muito mais do que antes.
—Considera preconceituosos aqueles que torcem o nariz para quem joga bola depois dos 40 anos?
—Estou vivendo uma saga e considero isso bacana até para os que vão passar pela minha situação. Esse negócio de ter que parar aos 35 anos não existe. Você vê o Djair, o Júnior Baiano e o Válber esbanjando saúde. Eles não têm a disposição dos garotos, mas sabem o que fazer com a bola. Você não vê nenhum deles tomando dribles bobos, pois eles têm a malandragem.
—E você, como se sente?
—Eu me sinto inteiro. Estou rendendo mais nos 30 minutos finais da partida, o que é difícil para quem é velho.
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