Rio - Após 15 dias de silêncio depois de ter deixado a presidência do Vasco, Eurico Miranda voltou à cena na manhã desta terça-feira. Motivado sobretudo pelas acusações da atual diretoria, o ex-dirigente resolveu rebater as críticas feitas pela a atual administração.
Em entrevista à Rádio Bandeirantes, no antigo programa oficial do Vasco, Eurico falou do seu começo em São Januário e sobre a rivalidade com o Flamengo, acentuada durante a sua gestão. Além disso, ele negou que a dívida de R$ 250 milhões seja fruto de sua administração:
Política no Vasco
"Tivemos uma eleição. Eu fui candidato e acabei perdendo essa eleição. Fui para aonde sempre gostei de estar e voltei para a arquibancada, de onde eu era oriundo. No final de 1985, uma outra eleição foi realizada no Vasco, em que fui candidato. Perdi a eleição. Não discuti a eleição, se foi feita desta ou daquela maneira. Tranqüilamente voltei à minha vida, voltei para a arquibancada. Um dia, o seu Arthur Sendas, o seu Neca (Manuel Fontes), que hoje está aí na vice-presidência de futebol, e outras figuras, me chamaram para ir para uma reunião. Nesse enconto me disseram textualmente o seguinte: o Vasco é inviável. A minha resposta foi a seguinte: Na opinião de vocês. E responderam: sabemos do seu vascaínismo. Sabemos que você tem um plano para o Vasco. Queríamos que você passasse esse plano. Eu disse: Não tem problema nenhum, mas o plano depende de homens. Para se executar o plano depende de homens. Estou absolutamente fora. Não tenho pretensão nenhuma, mas posso sugerir alguns nomes. Daí sugeri alguns nomes, como o nome do Jorge Salgado, Mário Cupello, e outros que poderiam participar da administração."
Vice-presidência de futebol
"O seu Antônio Soares Calçada, na véspera da indicação dos vice-presidentes, me chamou para um almoço, junto com o doutor José Carlos Osório, e me colocou que precisava que eu assumisse o futebol porque ele estava carente de uma pessoa que pudesse efetivamente ajudá-lo na administração. Me neguei. Ele insistiu comigo, disse que iríamos trabalhar diretamente e eu não tinha que me reportar a ninguém, só a ele. Depois de muita insistência, acabei aceitando e, naquela noite mesmo, na indicação do vice-presidente de futebol, assumi na Lagoa. Começou, a partir de 86, esse trabalho todo desenvolvido."
O arqui-rival Flamengo
"Eu tinha como objetivo colocar o Vasco no seu lugar. Dominava, na mídia do Rio de Janeiro, a dupla Fla-Flu. Investi violentamente contra isso, de tal forma que atingimos o nosso objetivo, colocando o Vasco no seu lugar. Estimulei a rivalidade. Não somos de segunda classe. Somos de primeiríssima classe. Transformei em realidade algo que tenho muito receio, porque a luta é permanente, constante, diária. O Vasco nunca recebeu um centavo a menos do que o Flamengo, em qualquer divisão. A nível nacional e estadual recebia igual ao Flamengo. Isso fruto de uma luta permanente, com todas as tentativas de diminuir o Vasco e passar o Vasco para uma outra categoria. Desde a criação do Clube dos 13, que foi quando efetivamente começamos a ter divisões de cotas, há 20 anos tem sido a minha luta permanente e diária contra isso, todas as investidas para que isso não viesse a acontecer. O estímulo dessa rivalidade resgatou o orgulho da gente ser vascaíno, com os títulos conquistados em todos os setores. Criamos um projeto olímpico para mostrar que o Vasco não era um simples time de futebol, que o Vasco era uma instituição de nível mundial. Conquistamos não só no futebol. Conquistamos, nas modalidades olímpicas, títulos nacionais e internacionais, demonstrando capacidade para tal."
Dívida de R$ 250 milhões
"Com todas essas dificuldades, recebi o Vasco, no final do ano de 2000, com aquela CPI que só servia para ultrajar o Vasco, dirigida. Tudo isso junto, nós conseguimos superar. Afirmo e reafirmo. De 2000 a 2008, o Vasco não acresceu um centavo na dívida que já tinha."