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Dia Mundial de Luta Contra a Aids
enfatiza a vulnerabilidade da população negra ao HIV
Aids e Racismo – O Brasil tem que viver sem preconceitos é o tema do Dia Mundial de Luta Contra a Aids deste ano, celebrado em 1º de dezembro. Para Jurema Werneck, coordenadora da ONG Criola (RJ) e Nilza Iraci, da ONG Geledes Instituto da Mulher Negra (SP), a campanha lançada pelo Ministério da Saúde busca formas de reparar um erro que vem sendo repetido há anos: a falta de visibilidade do impacto provocado pelo HIV/Aids na população negra. “Não é mais possível ignorar o impacto que as desigualdades raciais e o racismo têm na produção de vulnerabilidades. A população negra tem acesso diferenciado à saúde, piores condições de vida, menor escolaridade e ainda sofre com a exclusão”, afirma Jurema, lembrando que quase 50% dos brasileiros são negros, segundo censo do IBGE.
Negros nas campanhas
Nilza Iraci observa que o fato de os negros não se identificarem com as campanhas contra a Aids dificulta as ações de prevenção. “Os negros não se vêem em campanhas de prevenção porque aparecem sempre atrás dos trio-elétricos”, critica.
Júlio César da Conceição, aposentado, 56 anos, não se lembra de ter visto negros em campanhas contra a Aids do Ministério da Saúde. Ele reconhece que há preconceito, não apenas contra o negro, mas contra o pobre de uma forma geral. “Acho que essa campanha vai ser importante para servir de alerta à população negra e melhorar nossa auto-estima. A Aids não está na cor ou no sexo da pessoa. A Aids está no sangue. E temos que lutar por direitos iguais”, ressalta ele.
Aids cresce entre negros
Os números do Ministério da Saúde confirmam que o crescimento da Aids no Brasil é maior entre a população negra. Entre 2000 - quando a notificação do HIV passou a exigir informações sobre raça e cor - e 2004, a participação dos negros e pardos no total de pessoas vivendo com HIV/Aids no país cresceu entre homens (de 33,4% para 37,2%) e principalmente entre mulheres (de 35,6% para 42,4%).
"Não há nenhuma relação entre a raça e a doença. Mas hoje, por condições sociais, parte da população negra ainda tem maiores dificuldades de acesso à escolaridade, à informação e ao mercado de trabalho. Essas questões tornam os negros mais vulneráveis ao HIV", diz Pedro Chequer, coordenador do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde.
“Nossos dados confirmam que, mesmo entre a população mais pobre, os negros têm menor acesso à rede pública de saúde do que os brancos. É uma realidade que precisamos mudar”, afirma Chequer, justificando a necessidade do tema do primeiro de dezembro deste ano. “O Dia Mundial de Luta Contra a Aids é o momento político que irá colocar o racismo e suas conseqüências para os portadores do HIV e para a população negra em geral na agenda da sociedade”.
Racismo e saúde
A vulnerabilidade da população negra é reforçada por uma pesquisa realizada em São Paulo, com apoio da Secretaria Estadual de Saúde. Os dados revelam que em 1999 a taxa de mortalidade da Aids em negros foi duas vezes maior que em brancos. “O racismo tem grande impacto na saúde das pessoas”, alerta Luís Eduardo Batista, coordenador da pesquisa.
Para Andréa, 24 anos, soropositiva há 8, o preconceito aparece de forma muito sutil. Ela não sabe se já foi discriminada: “Racismo? Talvez. Há tanto desrespeito na rede pública de saúde. Não sei se sofro discriminação por ser negra, mulher ou pobre!”.
Fonte: Revista Saber Viver, edição 34 (matéria de capa)
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