Mulheres no mundo do petróleo

Petrobras lança livro que retrata em 150 fotos o crescimento da participação feminina na companhia

Um ensaio fotográfico inédito da força de trabalho feminina gerou o livro “As Mulheres e a Petrobras”, com aproximadamente 150 profissionais retratadas. A publicação reflete o crescimento da participação feminina na companhia e evidencia a ocupação das mulheres nas diversas funções operacionais da indústria de petróleo: operadoras, motoristas, técnicas químicas, oficiais náuticas, e muitas outras—todas ativamente participando da construção de uma das maiores empresas brasileiras.

Mycherlanne: 90 dias
no mar

Para produzir o livro, durante dois meses, foram visitadas unidades no Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo,Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Norte e Amazonas,em refinarias, campos de petróleo, laboratórios, universidade corporativa, terminais marítimos, navios, plataformas e escritórios. .A característica das atividades da Petrobras naturalmente levava à contratação de mais homens que mulheres em plataformas e demais frentes de exploração e produção de petróleo, refinarias e dutos. Mas a entrada e capacitação das mulheres em áreas técnicas, a automação e o desenvolvimento de novas tecnologias têm contribuído para mudar esse quadro.
O crescimento da participação feminina tem sido constante desde 2003. Naquele ano, elas eram 4.406 e correspondiam a 12% dos empregados.Em 2007, o número subiu para 7.104 (14%), representando crescimento relativo de aproximadamente 60%.


Beatriz de Azevedo é operadora de estimulação de poços na P-18
No exterior, a participação das mulheres é ainda mais expressiva:elas são 25% dos cerca de 10 mil empregados. O que se observa é que o crescimento relativo da população masculina tem sido menor em relação ao crescimento das mulheres nos quadros. Segundo José Sergio Gabrielli de Azevedo, presidente da Petrobras, é umorgulho para a companhia ter em seus quadros mulheres ocupando funções em todos os níveis: “É um privilégio ver nessa gestão a primeira mulher a assumir um cargo de diretoria, entre muitas outras mulheres que exercem funções executivas”. Também participam da publicação mulheres apoiadas por projetos sociais patrocinados pela Petrobras. Entre eles, o que beneficia internas da Penitenciária Talavera Bruce,que aprendem corte e costura no Rio de Janeiro e artesãs do projeto Carnaúba Viva, no Rio Grande do Norte. Wania Sant’Anna, uma das coordenadoras da produção da publicação, diz que a proposta é valorizar o trabalho feminino e reafirmar o compromisso com a eqüidade de gênero,promovendo a visibilidade.

“Com ações como essa, a Petrobras demonstra, também, seu alinhamento aos princípios de não-discriminação e promoção da igualdade entre homens e mulheres defendidos no Pacto Global das Nações Unidas e no Programa Pró-Eqüidade de Gênero, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres.”

As fotos são de Claudia Ferreira, experiente na arte de retratar mulheres, suas lutas e aspirações. O texto de abertura é da jornalista Ana Arruda Callado, escritora, professora e primeira mulher a ocupar a função de chefe de reportagem no Rio de Janeiro. “Eu era bastante resistente a autorizar a vinda de mulheres a bordo, para o trabalho como oficial ou tripulante mesmo,ou guarnição. E, para surpresa positiva, o que percebemos é que essa força veio com um profissionalismo fantástico,com muita dedicação ao trabalho”, diz o comandante Dionísio Ferrucio, de um navio tanque que faz o transporte de produtos para a Petrobras.

Antônia Wilma Barbosa de Lima, operadora de Campo de Petróleo, explica como foi o começo: “ ‘Rolava’ uma resistência do homem, aquela coisa de achar que a mulher não é capaz. ‘Ah, uma mulher misturada com um monte de homem... isso não vai dar certo, isso é perigoso. As mulheres são muito moles’. Então, quer dizer, eu já dei o meu recado mostrando a minha força,” destaca.

“A mulher tem uma sensibilidade maior e eu acredito que ela tenha mais percepção para conseguir enxergar os riscos em uma área industrial”, diz Renata Eloy Gregório, técnica de segurança do trabalho de uma refinaria. “Elas são preciosas, porque dão alegria ao sistema e ao trabalho. E isso permite que a gente fique mais humano aqui no dia-a-dia”, diz José Maria de Souza Cruz, gerente de terminal.

Livro: lado rosa do ouro negro

Mycherlanne Cavalcante Leal é primeira oficial de náutica de um navio tanque da Petrobras. Trabalha 90 dias embarcada e folga 42. “É um pouco sacrificante. A saudade grita em certos momentos, mas a gente tenta se adaptar. Se é isso realmente o que a gente quer e gosta, dá para conciliar bem”.