Com a mão na massa

Projeto da Petrobras qualifica mulheres para a Construção Civil

Donas-de-casa, mães e, em muitos casos, chefes de família, as 50 mulheres que, em 1º de maio, receberão o certificado que as credencia para o trabalho de pintoras, pedreiras e encanadoras vão concluir um curso pioneiro com a duração de seis meses, voltado para a capacitação em construção civil — e, assim, desmistificar de vez a exclusividade masculina nessa atividade.

O inovador projeto Mão na Massa, patrocinado pela Petrobras e Eletrobrás, e coordenado pelo Abrigo Maria Imaculada e a Federação das Instituições Beneficentes do Estado do Rio de Janeiro (FIBRJ),é dirigido a mulheres de 18 a 45 anos, em situação de risco social e com escolaridade mínima de 5ª série do ensino fundamental.

O curso tem a duração de seis meses e é aplicado em duas etapas. A parte teórica é coordenada pelo Senai, e a outra, de prática supervisionada, é realizada em obras sociais do município. Depois de formadas, as alunas são encaminhadas para as centrais de intermediação de mão-de-obra do Ministério do Trabalho e Emprego. A turma pioneira já encerrou o período de aulas teóricas, com conceitos de Segurança do Trabalho, Meio Ambiente, Empreendedorismo, Edificação, Relacionamento, Etnia e Informática. Agora, as alunas receberão, nesta sexta-feira, o kit de ferramentas para iniciar o estágio em canteiros de obras.


O Mão na Massa já formou 50 mulheres. Algumas se inscreveram para trabalhar no PAC

A próxima turma de 60 alunas será formada em breve, e terá uma nova especialização, a carpintaria de forma. O curso também terá duas etapas: a teórica, no Senai, e a de prática supervisionada, que será realizada em obras sociais do município. Nessa fase, as participantes ganharão bolsa-auxílio para cobrir possíveis despesas.


A psicóloga e coordenadora do projeto Mão na Massa, Norma Sá, admite que “ter mulheres qualificadas, com certificação,desmistifica a exclusividade masculina na construção civil”.

Entre as vantagens das mulheres na atividade, ela aponta o acabamento cuidadoso e a preocupação de evitar o desperdício de material. Algumas alunas se inscreveram nas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e estão na expectativa de serem chamadas a qualquer momento. Esse é o caso de Vanderléia Constantino Dantas, de 27 anos, que admite estar “doida para cair no trabalho”. Inscrita no PAC como pedreira, surpreendeu a atendente ao informar sua capacitação na atividade. Shirley da Silva Farias, de 36 anos, vai se especializar no ofício de encanadora.


Espetáculo foi construído a partir das discussões do elenco

Ela comemora o ingresso da mulher em um dos últimos redutos masculinos do mercado de trabalho. Mas aconselha o grupo feminino a “falar menos e a produzir com qualidade, para impor respeito”. Shirley está fazendo, desde já, cursos complementares em redes de venda de materiais de construção e se prepara para, em breve, construir o banheiro de sua casa “com o máximo de economia”.



Mais informações sobre o projeto Mão na Massa – Mulheres na construção civil em:
www.projetomaonamassa. org.br ou também pelo telefone (21) 3147-5100.

‘Silêncio’ estréia dia 13 no Teatro Gláucio Gil

A premiada Cia dos Comuns, patrocinada pela Petrobras, lança novo espetáculo. A peça ‘Silêncio’ utiliza música, dança e fragmentos poéticos para falar de segregação racial e loucura. Com direção de Hilton Cobra, a peça fica em curta temporada de 13 a 23 de março no Teatro Gláucio Gill. ‘Silêncio’ não segue uma narrativa linear. As histórias, na verdade, trechos de pensamentos e lampejos de loucuras, são extraídas das discussões do elenco — suas percepções sobre o mundo, a loucura e o racismo, resultando na criação de uma obra dramatúrgica coletiva, que conta, ainda, com contribuições dos autores Ângelo Flávio, Cidinha da Silva e Fernando Coelho Bahia, além de fragmentos da obra “Ressurreição”, de Cruz e Sousa.

Hilton Cobra, diretor da Cia dos Comuns, que pela primeira vez assina a direção de um espetáculo do grupo, explica: “O espetáculo transita no universo da loucura regido por uma estrutura fragmentária, a exemplo da nossa mente inconsciente, que guarda os mais inconfessos silêncios”.

Serviço:

■ Curta Temporada: 13 a 23 de março de 2008
Horários: Quinta e sextafeira,
às 19h30. Sábados e domingos
às 20h
■ Teatro Gláucio Gil—Praça
Cardeal Arcoverde, s/n,
Copacabana (2299-5580).
■ Ingresso: R$ 20 (inteira),
R$ 10 (meia-entrada) e R$ 5
(promocional, válido para
pré-vestibulares, escolas, ONGs,
rádios comunitárias e associações
comunitárias)
■ Duração: 55 minutos
■ Classificação etária: maiores
de 14 anos.