Supercomputador de R$ 5 milhões

Apresentado na UFRJ, Netuno vai beneficiar 15 universidades e está entre os 500 maiores do mundo

Um dos mais potentes supercomputadores da América Latina, o Netuno, foi apresentado na semana passada no Núcleo de Computação Eletrônica (NCE) da UFRJ, no campus do Fundão. É considerado a mais poderosa máquina HPC (High Performance Computing – Computação de Alto Desempenho) para uso acadêmico na América Latina e recebeu investimento de R$ 5 milhões da Petrobras. A inauguração da máquina será no dia 13 de maio.

O Netuno terá capacidade para processar amplo volume de dados simultaneamente e beneficiará, além da UFRJ, mais 14 universidades brasileiras que compõem as redes. O equipamento foi inscrito no ranking mundial Top 500 das maiores máquinas de processamento paralelo. Segundo os técnicos envolvidos no projeto, o cluster (conjunto de computadores ligados em rede) instalado tem desempenho estimado entre os 100 melhores do ranking mundial. O Brasil ocupa a 451ª posição nesse ranking, com somente um cluster de alto desempenho na lista.

Segundo o geofísico Ricardo de Bragança, do Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes), o equipamento vem suprir a demanda das Redes Temáticas de Geofísica Aplicada e de Modelagem e Observação Oceanográfica. “Foi identificado o interesse por esse modelo de concentração, ao invés de distribuir máquinas de menor porte em várias instituições. Isso porque seria possível resolver problemas maiores em uma mesma máquina”, afirma Ricardo. O equipamento é capaz de trabalhar de forma simultânea em diferentes tarefas, o que reduz, por exemplo, o ciclo ocioso da máquina, enquanto os técnicos analisam dados gerados por ela.


O supercomputador é capaz de trabalhar de forma simultânea em diferentes tarefas, o que reduz o ciclo ocioso da máquina

Para Ricardo de Bragança, a grande vantagem de um cluster é obter melhor desempenho com custo menor. “Se, antes, a computação de alto desempenho dependia de soluções proprietárias, o que encarecia o equipamento, agora, a montagem do supercomputador com arquitetura Intel ou AMD permite uma enorme redução de custo, visto que os componentes são produzidos em larga escala, além de existir mais fornecedores para tal arquitetura”, explica o geofísico.


A Petrobras já domina essa tecnologia e vem utilizando o esquema de cluster para vários aplicativos. A primeira montagem de um deles foi em 1997 no Centro de Pesquisas, com apenas três máquinas. O cluster instalado na UFRJ é composto por 256 servidores DELL de alto desempenho (os chamados nós computacionais), cada um com dois processadores “quad-core” (de quatro núcleos) Intel de 2.6 GHz (desempenho estimado de 64 Gigaflops por nó). As máquinas são interligadas entre si por uma rede de dados Infiniband de alta performance, além da rede Gigabit Ethernet tradicional.

A UFRJ é uma das 15 universidades participantes das Redes Temáticas de Geofísica Aplicada e de Modelagem e Observação Oceanográfica. Todas as instituições que compõem as redes poderão desenvolver projetos utilizando a capacidade de processamento do novo cluster. A UFRJ foi escolhida para receber o equipamento, principalmente, por ser um dos pontos principais da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa — RNP e ter, portanto, a possibilidade de manter comunicação com a rede brasileira de dados científicos que interliga as universidades e serve como base para acesso ao link de dados. A proximidade com o Cenpes, instalado no campus da UFRJ, foi outro fator determinante na escolha do local.

“Além da proximidade com o nosso Centro de Pesquisa, o NCE apresentou excelente infra-estrutura e espaço físico no seu Centro de Processamento de Dados”, justifica Ricardo de Bragança.

Redes

As Redes Temáticas fazem parte de um modelo de parceria tecnológica estabelecido pela Petrobras para relacionamento com universidades e instituições nacionais de pesquisa. Por intermédio das 38 redes criadas, a companhia vem investindo em projetos de infra-estrutura e de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em mais de 70 instituições participantes, em 18 estados do País.

O modelo das Redes Temáticas e Núcleos Regionais de Competência contribui para a interação entre as instituições nacionais de pesquisa e desenvolvimento e para a excelência do conhecimento científico brasileiro na área de petróleo, gás e energia. As 38 redes e 7 núcleos abordam temas tecnológicos de interesse estratégico deste segmento. A Petrobras já investiu mais de R$ 1 bilhão, de 1998 até 2007.