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Trabalho árduo,
mas protegido
Remuneração por ‘quadra fechada’ antecipa
quanto o agricultor vai ganhar em cada safra
O professor José Luis Vianna da Cruz, diretor do pólo da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos alertou
para a necessidade de reformulação nas condições da mão-de-obra, com base em dados do Ministério do Trabalho.
Vianna alerta também para o desafio maior no setor: a intensidade brutal da jornada, na busca de recordes de
produtividade, acompanhada da ausência de limites diários para a produção e o pagamento do cortador. “Nos anos 70 e
80”, recorda Vianna, “a média de cana cortada diariamente pelo trabalhador ficava entre 4 e 5 toneladas, com picos
de 8 e 9 em outros estados”.
PRODUÇÃO PLANEJADA
Hoje, em São Paulo, esta média está entre 12 e 17 toneladas/dia por trabalhador. Como não há controle do processo de
contagem, ele começa o dia sem saber o que vai ganhar. Esforça-se, fisicamente, mais do que pode e tomba de
exaustão.
O quadro afugentaria trabalhadores da agricultura canavieira local, gerando no Norte Fluminense o que os empresários
apontam como “falta de mão-de-obra”. Há “importação” de trabalhadores de regiões estados mais pobres do País, como
Minas Gerais e Maranhão.
O profissional cita a experiência bem-sucedida da Usina Ester, de Cosmópolis (SP). Ali, usineiros e sindicato dos
trabalhadores chegaram a um acordo de pagamento por “quadra fechada”, com o acesso do sindicato ao Plano de Safra. A
informação prévia permite que se confrontem os números do sindicato com os das usinas e que se chegue a valores
considerados justos.
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