A nova estrutura fundiária


No estado,90% dos produtores estão em terras commenos de 100 hectares


Foto Genilson Pessanha / Agência O DIAEles expressam a voz e a disposição de renovação dos mais de 10 mil proprietários de terras dedicados — total ou parcialmente — à produção de cana-de-açúcar para as usinas da região do Norte Fluminense. “Não podemos repetir a receita de bolo dos nossos pais e avós”, proclama Luiz Eduardo Crespo, presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Campos (Asflucam), ele mesmo de tradicional família campista de produtores de cana-de-açúcar.

“Nosso desafio é tecnológico”, faz coro Frederico Rangel Paes, jovem engenheiro agrônomo que lidera a Coagro, que, com 5.700 plantadores cooperados, arrendou por 15 anos a antiga Usina São José (hoje Coagro), numa inédita experiência de trabalho associado, com a finalidade de produção em escala e melhores preços. Este ano, a Coagro já terá “virado” 70% de sua produção para o álcool.


FINANCIAMENTO

Plantadores rechaçam a fórmula aparentemente fácil que propõe a (re)concentração da propriedade fundiária como quesito para salto em mecanização e produtividade. Na região, 90% das propriedades têm menos de 100 hectares. “Precisamos de apoio para financiamento da lavoura e para adaptação das novas tecnologias de produção às características da nossa região”, diz Crespo.

E exemplifica: eles querem mecanizar a colheita, mas precisam de máquinas menores do que as utilizadas nos grandes latifúndios de São Paulo. Na busca do aumento da produtividade, Crespo e Paes concordam que é urgente a recuperação da grande malha de canais de irrigação e drenagem da planície costeira do Norte Fluminense, para proteger a lavoura canavieira dos riscos das enchentes e secas que se alternam.

Uma das maiores planícies litorâneas do Brasil, com 600 km2 de extensão, a Baixada Campista tem solo sedimentado, que passou por processos de drenagem. Esse trabalho foi mantido pelo Departamento Nacional de Saneamento até a década de 90. De lá para cá, essa infra-estrutura fundamental foi descuidada, com fortes prejuízos para os produtores. “Sem a malha de canais funcionando 100% não há como manejar as questões ambientais e fazer contratos de fornecimento seguros”, explica Crespo.

Luiz Mário Concebida, gestor do programa de concessão de crédito aos produtores da região, criado pela Prefeitura de Campos, defendeu o programa de incentivos como uma das ferramentas para o desenvolvimento local, dentro da estrutura fundiária atual. O crédito permite a mecanização e a obtenção de resultados mais eficientes, para permitir
a produção em escala.


Parceria coma Petrobras


A Asflucam criou a Coplanta (Cooperativa Mista Fluminense dos Produtores Rurais), que investe em estudos de novo sistema de plantio, capaz de reduzir custos em 20% e elevar a produtividade em 10% a 15%.

Os produtores do Norte Fluminense depositam esperança no que vêem como nova postura da Petrobras, no incentivo ao desenvolvimento local. “Num primeiro momento, achei que a empresa estivesse de costas para nós, devido à grande escala de fornecimento que exige e à necessidade de contratos firmes (quantidades fechadas)”, afirmou Luiz Eduardo Crespo, que representa a associação de plantadores.

Após o debate promovido pelo seminário, o presidente Asflucam comemorava: “Vi a Petrobras focada também na pequena propriedade, na agricultura familiar, como está fazendo com o biodiesel”. Frederico Rangel Paes, à frente da Coagro, vai além: propõe a criação de um Fórum Permanente do Norte Fluminense, com participação da estatal, para que a região tire proveito da expansão do etanol.


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