Todos os esforços para nova produção


Agentes do setor fazem diagnóstico prevêem mudança na mão-de-obra,
com12 mil novos empregos

 

Poder Público, técnicos, agricultores, sindicatos patronais e de trabalhadores, indústria e legisladores estão debruçados na elaboração de propostas para o desenvolvimento do setor sucroalcooleiro do Norte Fluminense. Afinal, para cada usina de etanol, a geração de empregos varia de 600 vagas (caso de colheita mecânica) a 1.500 postos de trabalho.

Segundo estatísticas do Ministério da Agricultura, para cada emprego gerado no campo, outros três são abertos na área urbana. Com isso, a variação é de 2.400 a 6 mil vagas. Para o Rio de Janeiro, que tem cinco projetos de usinas em estudo na Secretaria de Energia, Logística e Desenvolvimento Agrário, a expectativa — por baixo, prevendo a mecanização dos novos empreendimentos rurais — é de geração de 12 mil novos postos de trabalho.

Mas a virada do Norte Fluminense vai exigir aumento da produtividade, que depende de incentivos. “Precisamos organizar grandes cooperativas. Para que os 86% de propriedades locais com produção até 300 toneladas possam se modernizar e ter acesso à tecnologia”,
diz José Pessoa de Queiroz, presidente da Usina Santa Cruz. Para ele, produção menor
encarece o produto na região, no comércio interno.

Geraldo Coutinho, presidente regional da Federação das Indústrias do Rio, em Campos, afirma que o setor, mecanizado, terá menor necessidade de mão-de-obra. “Deixaremos de demandar mão-de-obra intensivamente a partir da introdução da máquina. É um trabalho árduo. E digno. Famílias inteiras criam seus filhos há 3, 4, 5 gerações participando do ciclo da cana-de-açúcar”. Os empregos poderão cair, mas as oportunidades com a ocupação de terras ociosas—estimadas em 40% no estado —poderá absorver parte dos trabalhadores.


Foto Marcelo Martins / Agência O DIA ALBERTO MOFAT, subsecretário estadual de Agricultura — “A gente vive um momento fantástico na questão do etanol, no Brasil e no mundo: a energia renovável. No próprio processo produtivo, a canade- açúcar gera muito mais energia do que em outros mecanismos. Temos aí 13, 14 bilhões de metros cúbicos sendo produzidos. Nos próximos 10 anos, deverá passar de 20 bilhões”



Foto Marcelo Martins / Agência O DIARENATA CAVALCANTE, subsecretária estadual de Energia, Logística e Desenvolvimento Industrial—“O problema crucial, realmente, é a parte fundiária. A produção tem de ser garantida para que as usinas possam ser
instaladas. Na dragagem dos canais já houve avanço, após 20 anos. Precisamos de programa diferenciado para a região, visualizando o álcool como uma commodity”.



Foto Marcelo Martins / Agência O DIAGERALDO COUTINHO, presidente regional da Firjan em Campos—“Fiquem
tranqüilos, que a queima da cana-de-açúcar tem os dias contados. E não por imposição local, não por demanda outra que não sejam as forças
presentes no dia-a-dia. Deixaremos de demandar mão-de-obra intensiva. Diga- se de passagem,um trabalho braçal, mas digno. Famílias inteiras criam seus filhos há 3, 4, 5 gerações”.



Foto Marcelo Martins / Agência O DIAMOZART DE QUEIROZ, gerente-executivo de Desenvolvimento Energético
da Área de Gás e Energia da Petrobras—“Para entrar no mercado global,
não temos apenas que apresentar um combustível limpo, mas também um
combustível com umciclo de vida limpo. A questão da certificação de qualidade industrial não é umproblema para o País. O Brasil já aprendeu há 30 anos”.



Foto Marcelo Martins / Agência O DIASILLAS OLIVA FILHO, gerente de Comércio de Álcool e Oxigenados—“A Petrobras vê a possiblidade não só de participar da produção, mas da qualificação da mão-de-obra. Não há indústria competitiva sem profissionais capacitados. O que vale para a indústria vale para o campo.
É preciso produtividade no campo e qualidade da cana para chegar ao melhor produto na indústria”.



Foto Marcelo Martins / Agência O DIAJOSÉ PESSOA, presidente do Grupo J. Pessoa— “Em2002, a produção do estado era de 3,5 milhões e hoje está chegando aos 6 milhões. Infelizmente, neste ano, tivemos problemas climáticos que nos prejudicaram. O investimento do estado é importante. Não só na organização e no fomento de tecnologia, mas no crédito a pequenos
produtores e também na melhora da infra-estrutura.



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