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Cultura secular na lavoura
Estrutura no campo passa por transformações e chega à era das exportações
Região com 400 anos de História na agricultura de cana-de-açúcar, o conjunto de municípios que conformam o chamado
Norte Fluminense — Campos dos Goytacazes, Carapebus, Cardoso Moreira, Conceição de Macabu, Macaé, Quissamã, São
Fidélis, São Francisco de Itapaboana e São João da Barra — entraram no século XXI conjugando a tradicional vocação
agropecuária com desafios imensos.
Para enfrentar, competitivo, a era do etanol, o Norte do estado precisa responder à predominância da pequena
propriedade agrícola (que o diferencia de todas as demais regiões produtoras de cana e álcool do País), à baixa
produtividade da lavoura e à idade avançada das usinas, que operam com 40% de capacidade ociosa.
“Na década de 70, o açúcar teve um grande momento no mercado internacional; o governo federal de então incentivou a
ampliação do parque industrial, sem se preocupar em gerar a base para o aumento da matéria-prima”, observou, no
Auditório do Cefet de Campos, o professor Carlos Frederico de Menezes Veiga, da Universidade Federal Rural do Rio de
Janeiro (UFRRJ), co-autor do “Diagnóstico da Cadeia Produtiva da Cana-de-Açúcar do Estado do Rio”.
A maior produtividade, acredita Veiga, aconteceu muito menos por políticas de incentivo do que por questões de
clima, intensidade de uso de insumos e renovação dos canaviais.
Nó da lavoura: produtividade e ócio
O setor que chegou a ostentar, nos anos 70, as chaminés de 23 usinas (15 delas somente em Campos), entrou na década
de 90 com apenas oito unidades industriais — embora a produção hoje já seja maior do que na época. A capacidade de
moagem das usinas aumentou já na década passada, mas o setor se ressente da falta de políticas públicas para o
incremento da produtividade da agricultura.
Não se trata de falta de terras: na safra de 2003, o Norte Fluminense registrou colheita em 127.568 hectares. O
governo do Estado calcula em 200 mil hectares a área potencial para a lavoura canavieira (principal item da
agricultura fluminense, responsável por apenas 0,55% do PIB do estado).
Há ainda estudos que ampliam a perspectiva para 250 mil hectares. O nó é a produtividade na região. Os índices
obtidos nas lavouras do estado são bastante inferiores, se comparados aos registrados em São Paulo — 200 toneladas
de cana por hectare. Aqui, em 2004 e 2005, a média foi de 54,68 toneladas por hectare — com um razoável aumento de
22% em relação a 1991.
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