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Aposta
no etanol do norte fluminense
Estrategicamente localizada para a rota das exportações,
a região está nos planos da estatal. A empresa fechará contratos de 15 anos para abastecer suas usinas, que vão
adotar selos de qualidade e responsabilidade social
O Brasil é destaque no cenário internacional, no momento em que o mundo se organiza para produzir um combustível
com grande dose de responsabilidade social, na visão da Petrobras. “Como não poderia deixar de ser, a companhia
surge com papel importante nesse cenário, de abrir o mercado internacional para essa a produção e desenvolver melhor
logística que agregue valor e competitividade ao etanol brasileiro”, define o diretor de Abastecimento da Petrobras,
Paulo Roberto Costa.
A petrolífera quer transformar o País no maior fornecedor do combustível renovável do mundo, mas assegura que não
pretende reduzir áreas de produção de alimentos. “As áreas que estamos prevendo não interferem, em nenhum momento,
na produção de alimentos. Ao contrário, fará com que muitos trabalhadores tenham condições mais dignas de vida e, aí
sim, possam adquirir alimentos”, enfatiza o diretor. Segundo Paulo Roberto, os empreendimentos em estudo pela
Petrobras são para exportação.
Inicialmente, o mercado mais promissor é o Japão, mas a estatal negocia com outras praças, como a asiática, a
africana e a norte-americana. Há quase dois anos, em parceria com a Japan Alcohol Trading, criou a Companhia Brasil
Japão Etanol, para promover o uso do combustível em veículos e seu emprego na geração de energia. Para garantir o
fornecimento, a estatal analisa 40 projetos com empreendedores nacionais para a construção de usinas de etanol. Os
contratos serão de longo prazo (15 anos). A Petrobras está de portas abertas aos produtores fluminenses, que ainda
não apresentaram proposta, segundo o diretor.
Assim como desenvolveu um processo de produção de biodiesel mais eficiente, o H-Bio, a empresa patrocina estudos que
levaram à obtenção de etanol com maior produtividade: a lignocelulose. “Por essa técnica, nós usamos a palha e o
bagaço de cana para ampliar a produção em 30% a 40%”, adianta.
Costa destaca que a empresa não abrirá mão de dois selos para o segmento: de qualidade do produto e responsabilidade
social.
— A Petrobras encampou a idéia e concretizou o negócio do biodiesel e, agora, tornou públicas as iniciativas para a
comercialização do etanol. Tendo o Brasil como destaque na produção de biocombustíveis, qual será o papel da empresa
no cenário mundial?
— A Petrobras surge com papel importante nesse cenário. O de abrir o mercado internacional para essa nova produção.
Também tem condições de desenvolver melhor logística, para imprimir competitividade do etanol brasileiro no mercado
internacional. O Brasil já exportou, no ano passado, 3,5 bilhões de litros de etanol. A Petrobras está olhando novos
mercados que hoje não são supridos pelos produtores privados, como os asiáticos(Japão, Coréia do Sul e China), e
africanos (Nigéria e África do Sul). E, por que não dizer, o incremento do mercado norte-americano? O Brasil hoje é
o segundo produtor no mundo. Perdeu o lugar para os Estados Unidos. Mas logo vamos recuperar esse primeiro lugar.
— Quais são os avanços que a estatal já fez na abertura de mercados?
— Já podemos falar em algumas ações concretas. A Petrobras, em parceria com a empresa japonesa Japan Alcohol
Trading, criou a Companhia Brasil Japão Etanol. Em parceria com Mitsui, vamos construir novas usinas. Vamos fornecer álcool para uso veicular e na geração de energia elétrica, substituindo o gás natural. Temos a preocupação de
garantir uma oferta segura de álcool para o Japão, sem que isso afete o suprimento de mercado brasileiro.
— A Petrobras deverá ir ao campo?
— Não. Nosso objetivo é entrar na área industrial. Estamos analisando hoje 40 projetos, todos privados, para que a
Petrobras participe como minoritária da construção das usinas, que denominamos C-Bios (Complexos Bioenergéticos).
Nossa participação se limitará a 20%, 30%. São empreendimentos que terão contratos de longo prazo. No mínimo, 15
anos. Os cinco primeiros serão assinados até o fim de 2007.
— Qual é a previsão para que essas plantas entrem em operação?
— Os testes de uso do álcool em térmicas deverão ser concluídos em seis meses. A produção inicial está prevista para
2009. Essas unidades terão capacidade extra de fornecer energia elétrica para a rede, usando todo o bagaço de cana.
Terão rotatividade de culturas para obter também biodiesel, que será usado nos tratores, nas colheitadeiras,
caminhões e comercialmente. Os C-Bios serão abrangentes e poderão ser inscritos nos projetos de créditos de
carbono.
— A empresa já sabe onde vai instalar os C-Bios?
— Estamos negociando com produtores de diversos estados. Ainda não fechamos.
— O Estado do Rio está entre eles?
— Não recebemos ainda propostas. Mas estamos abertos. O Norte Fluminense, maior produtor de petróleo do País, pode
se transformar em um grande fornecedor de etanol. Fica um desafio aos empreendedores privados do Rio. Que apresentem
seus projetos à Petrobras.
— O senhor tem falado em estabelecer teto para os preços do álcool...
— Em contratos de longo prazo, não pode haver inconstância. Uma característica desses empreendimentos é que as
usinas só irão produzir álcool. Não vão produzir açúcar. O que estamos propondo é um ajuste de preços que dê
segurança ao produtor e ao comprador.
— Como a Petrobras vê as críticas internacionais de que a produção de cana-de-açúcar vai afetar a de alimentos? .
— As áreas que estão sendo analisadas não interferem na produção de alimentos. Pelo contrário, fará com que muitos
trabalhadores tenham condições mais dignas de vida. E possam adquirir alimentos pelo salário.
— Para a produção agrícola voltada para o biodiesel, há o “Selo Combustível Social”. O etanol brasileiro também será
certificado?
— Certamente. A Petrobras terá dois selos: de qualidade do produto e de responsabilidade social. No século XXI,
nenhum negócio poderá ser positivo sem ser conduzido com responsabilidade social e ambiental, o que já é uma
característica dos negócios da Petrobras. Não estaremos associados de jeito algum a mão-de-obra escrava ou em
situação degradante.
— A empresa é reconhecida pelo domínio da tecnologia na área petrolífera e desenvolveu o H-Bio, um biodiesel gerado
com hidrogênio. Há algo semelhante para o etanol?
— O Cenpes, nosso centro de pesquisas, desenvolveu um projeto de produção de lignocelulose, que utiliza a palha e o
bagaço da cana-de-açúcar. O resultado é um grande incremento da produtividade, que pode atingir 30% a 40% a mais
nesse processo, na comparação com o convencional.
— A logística do Rio é privilegiada. Como a Petrobras espera transportar o álcool das áreas produtoras do interior
do País?
— A empresa está investindo mais de US$ 2 bilhões na construção de dois alcooldutos que vão ligar, de Senador
Canedo, em Goías, a São sebastião, em São Paulo. E outro, que liga Cuiabá, no Mato Grosso, a Paranaguá, no Paraná.
Nó vamos ter alcooldutos, hidrovias, ferrovias e rodovias.
— Quanto a Petrobras pretende exportar nos próximos anos?
— Em 2011, a meta é de 3,5 milhões de metros cúbicos de álcool, principalmente, para o Japão. O Brasil será
vanguarda da produção de combustíveis limpos e sustentáveis, gerando emprego e renda. Legando, para as novas
gerações, um mundo onde o ouro negro — nosso petróleo — conviva com o ouro verde dos canaviais do Norte Fluminense.
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