Royalties para moldar o futuro


Programa usou parte do dinheiro do petróleo para impulsionar a vocação
sucroalcooleira da região


Banco de imagensA primeira idéia foi simples, como costumam ser as grandes idéias. Contemplada com milhões por royalties e participação especial pela elevada produção de óleo e gás em seu mar territorial, a Prefeitura de Campos dos Goytacazes decidiu criar, há cinco anos, com uma parte da bolada, um fundo financeiro destinado a oferecer crédito, em condições vantajosas, a atividades industriais estratégicas para o desenvolvimento do município e da região.

Assim nasceu o Fundo para o Desenvolvimento de Campos (Fundecam) que atraiu 50 fábricas novas para a cidade, gerou quase 5 mil empregos diretos e indiretos e, de tanto sucesso, já derivou para a área agrícola.

Há um ano, com o sucesso mundial do álcool combustível, o Fundecam criou seu braço agrícola, o Fundecana, destinado especificamente a apoiar com financiamento produtores de cana-de-açúcar. Dos R$ 170 milhões já consignados para o Fundecam, R$ 20 milhões estão disponíveis, até 2009, para créditos a lavradores.

Parece algo óbvio, numa região que vive das benesses de recursos naturais não renováveis como o petróleo e o gás, mas um fundo como o criado em Campos é único no Estado (campeão de arrecadação de royalties e participação especial entre as unidades da federação) e no País. “Quem quiser fazer o mesmo agora vai ter dificuldades muito maiores”, lamenta Luiz Mário Concebida, idealizador, primeiro gestor do Fundecam.

Foi do Fundecam que saiu o financiamento para que a Coagro, cooperativa de 5.700 plantadores de cana, arrendasse a antiga Usina São José. Com o crédito do fundo, também está em desenvolvimento uma planta da HC Sucro-Química, para fabricar o chamado “solvente verde” a partir de cana-de-açúcar).


Metas contratuais cumpridas: juros de volta


Os beneficiários do Fundecana — representados pela Cooplanta (cooperativa criada pela Associação dos Plantadores de Cana de Campos, a Asflucam) — terão dois anos de carência, prazo de três safras para pagar e juros de 6% ao ano. São R$ 50 mil para cada produtor, com limite de 25 hectares para plantio. O Banco do Brasil administra o fundo.

A Asflucam faz o Plano de Safra, cuidando da parte técnica dos projetos de cada produtor, analisando necessidades e capacidades. Se cumprirem todas as condições do contrato, os produtores devolvem os juros aos investidores no fundo. A proposta, lançada pelo prefeito de Campos, Alexandre Mocaiber, foi alvo de tal unanimidade, que todos os candidatos da última eleição municipal abraçaram o projeto.

Além do financiamento direto, o Fundecam já apoiou, com R$ 37 milhões, vários projetos industriais que beneficiam diretamente o setor sucro-alcooleiro — pensando no futuro do município na era pós-petróleo. Em parceria com o BNDES, o Fundecam investe em indústria de goma xantana, derivado do açúcar com uso possível nas indústrias de petróleo, cosméticos, alimentos e fármacos. Para 2008, o fundo espera brindar a inauguração da Álcool Química Cana Brava, entre Campos e São Francisco de Itabapoana, que produzirá todo tipo de álcoois a partir da cana-de-açúcar do Norte Fluminense.

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