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O desafio de gerar trabalho digno
Para produzir com fins de
exportação, País deverá
responder com qualidade na
contratação da mão-de-obra
Para produzir mais álcool combustível e se preparar para exportá-lo, no impulso do esforço mundial por redução dos
gases do efeito estufa, o setor sucro-alcooleiro do país precisa mudar antigas práticas nocivas ao meio ambiente e às relações trabalhistas. Os problemas — e desafios — estão no manejo ambiental e na erradicação de formas de
trabalho desumanas, na lavoura e nas usinas, que marcaram a história da região.
Além do combate às queimadas, que poluem o ar e deterioram o solo, especialistas apontam a necessidade de batalha em
outras frentes no Norte Fluminense. “É necessário um zoneamento da Baixada Campista, detectando as áreas próprias
para cana, destinando outras áreas para cultivos diferentes, e algumas para a preservação e recuperação da terra,
temporária ou permanentemente”, defende Vicente S. Oliveira, diretor de Pesquisa e Extensão Agro-ambiental do Centro
Fedreal de Educação Tecnológica (Cefet) de Campos.
Para Oliveira, são essenciais a irrigação e a drenagem nos canaviais e o financiamento dos produtores “para que eles
tenham condições de gerar energia a partir do bagaço de cana”. Estudos do Cefet apontam para a alternativa, nas áreas impróprias para a cana, do “consorciamento de culturas”, nas quais, milho, feijão, girassol e a própria soja
sejam cultivados, com adubação orgânica, e sejam esmagados para fazer biodiesel.
ENERGIA PRÓPRIA
Mozart Queiroz, gerente-executivo de Desenvolvimento Energético da Área de Gás e Energia da Petrobras, prega que é
preciso criar alternativas para o aproveitamento da palha, que é queimada na época das colheitas. “O primeiro
caminho seria queimar a palha junto com o bagaço para gerar energia na usina”, diz. O segundo passo seria dar a
palha como alimento a animais. E o terceiro, e mais sofisticado, é o do uso da palha para numa nova técnica de
produção de álcool a partir de vários materiais de lignocelulose. Alternativa que a estatal já estuda nas nove
usinas de etanol das quais será sócia.
Embora o trabalho informal no corte de cana, sem carteira assinada, tenha se reduzido substancialmente nos últimos
10 anos em todo o País, ainda sobrevivem focos esparsos de condições de trabalho definidas internacionalmente como “análogas ao trabalho escravo”. Nesta semana, blitz do Grupo de Fiscalização do Trabalho Escravo encontrou 1.108
trabalhadores em condições degradantes em fazenda no município de Ulianópolis (PA), a 400 quilômetros de Belém.
Todos esses trabalhadores atuavam na colheita de cana-de-açúcar.
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