O difícil encontro do que fazer
Proibir só faz excitar. Sobretudo quando a proibição se refere a algo que dá alegria, soltura e disposição. Proibir
é — ademais — a melhor (pior) maneira de supor que se está agindo. Por isso, o poder ou ideologia (em qualquer de
suas formas) sempre se serve de proibições. A proibição elimina a imagem da conseqüência, sem tocar nas causas. Um
exemplo é o que fazem muitas cidades diante da miséria: retiram-na da vista dos que estão no topo da pirâmide
social, a fim de que também os turistas não a vejam. Entretanto, o real abafado sempre encontra formas de aparecer:
e a violência ressurge sob a forma de assaltos, de insegurança, de intranqüilidade.
Quem proíbe fica com a sensação de haver resolvido o problema. As pessoas restritivas iludem-se com isso. Até o dia
em que são assaltadas. Ou descobrem os próprios filhos fumando ‘baseado’, levados pelo mistério da proibição, pela
sedução da coisa secreta, pela solidariedade com as vítimas da repressão.
É sempre deficiente o resultado da pregação pela negação. Forte e transformador é o caminho do sim, o da afirmação,
o das idéias, das solidariedades; o caminho do que fazer e da vida a construir. O Brasil saiu ferido, machucado por
mais de 20 anos de proibição por todos os lados, ao tempo da ditadura. Não se constrói um país com uma escala de
coisas a “não fazer”, e sim com o estimulante encontro do tanto que há “a fazer” num País com as carências e
potencialidades do nosso.
Publicada em 29 de novembro de 2007 |