Só ética não existe: há éticas

O grande Buda, chamava-se Siddharta Gautama. Vendo os escândalos de corrupção devassados semana passada pela Polícia Federal oriundas de uma Construtora chamada Gautama pensei comigo: o Buda com a sua força moral vai puni-los por usar seu nome em vão. Tudo isso traz de volta a discussão sobre a questão ética. Tenho a esse respeito a idéia de que Ética em seu sentido profundo só existe onde se integram pelo menos quatro formas de “ética”.

Vai em síntese pois o assunto é interminável. Sim, há quatro níveis que devem operar de modo integrado, integrante e
integrador: a) a ética do comportamento individual; b) a ética do comportamento público; c) a ética das
responsabilidades; e d) a ética dos objetivos ou das finalidades.

Não se pode, portanto, tomar o comportamento ético por uma de suas vertentes. Visão evoluída, madura e equilibrada
do problema levar-nos-á a buscar a adequada integração entre as várias formas através das quais o comportamento
ético se manifesta. Assim:

A ética do comportamento individual: tanto regula os atos individuais externos como as formas psicológicas e
interiores de tratar e conceber a individualidade, o ser, a espiritualidade. Exige intenso e diário trabalho
interior e seus problemas e conflitos em geral aparecem sobre a forma de enigma.

A ética do comportamento público: cabe a pessoas direta ou indiretamente relacionadas com a coletividade. Ela junta
os padrões da ética de comportamento individual com os aspectos legais, regulamentares e a subordinação sempre
crítica (e reflexiva) aos postulados do bem comum.

A ética da responsabilidade : é de difícil caracterização verbal. Implica na energia necessária ao cumprimento dos
deveres e tarefas pessoais ou públicas, compatíveis com o nível de responsabilidade característicos de cada vida.
Exemplos: paternidade, maternidade, chefias, postos de mando ou condições de influência (políticos, jornalistas,
comunicadores, sacerdotes). Há uma ou várias responsabilidades relacionadas com compromissos assumidos ao longo da vida.

A ética dos objetivos: é das mais complexas e profundas. Representa a escala de valores dentro da qual o indivíduo
seleciona as finalidades e os objetivos tanto da própria vida quanto de sua ação pública. Representa a subordinação
aos grandes princípios da vida: a liberdade, a fé, a justiça, o amor. Quanto maior a compreensão temos, maior a
escala dos compromissos éticos com as finalidades e objetivos de cada vida.

Publicada em 22 de maio de 2007