| Mercado de ações sem
mistérios
*Humberto
dos Santos
O
mercado de ações é visto pela maioria das pessoas como um
bicho esquisito, complicado e difícil. Alguns associam-no a um jogo, onde
a sorte comanda os ganhos; outros acham que é um antro de especulação,
onde só os espertos ganham.
Todos estes
pensamentos são errados; o mercado de ações é, tão
somente, um centro
de liquidez, onde se negocia ações de companhias que abriram
seu capital a terceiros, que foram convidados ou induzidos a se tornarem sócios
de uma empresa. A questão é que,
por ser um mercado que requer um conhecimento adicional do mecanismo de formação
de preços, a maioria do grande público tem receio de se aventurar
neste tipo de investimento. Da mesma maneira que é preciso estudar para
se tornar um médico, um engenheiro, um economista ou até um torneiro
mecânico, investir neste mercado, requer conhecimento especializado, pois
de outra forma vira, realmente, um jogo de cara ou coroa.
A Bolsa de Valores de São Paulo - BOVESPA - tem feito um trabalho interessante
na divulgação do mercado de ações, realizando palestras
para estudantes, sindicatos, empresas, etc, com o intuito de desmistificar o mercado.
Este, entretanto, é apenas o primeiro passo. É necessário
dar o segundo passo, que no meu entender, é o de ensinar às pessoas
a investir, de modo a obterem retorno
positivo e superior ao custo
de oportunidade do investimento em ativos mais simples, como o são,
as cadernetas de poupança. Cabe às
Bolsas, Corretoras, Bancos e outras instituições que fazem parte
deste mercado, ensinarem aos não especialistas como analisar uma empresa,
como selecionar opções dentre tantas existentes na Bolsa, quando
comprar e quando vender uma ação, isto é, o "timing"
do investimento. O Governo deu um passo importante
ao permitir que os trabalhadores investissem parte de seus ativos locados no FGTS
em ações de empresas negociadas em Bolsa. Ações da
Petrobrás e da Vale do Rio Doce foram adquiridas por milhares de pessoas
que estão satisfeitas com o investimento feito. A rentabilidade desta aplicação
vem sendo, de longe, superior às dos títulos de renda fixa, tanto
no longo quanto no curto prazo. Prepara-se agora um plano para fazer a mesma coisa
com ações do Banco do Brasil. Será sucesso na certa. Outra
boa medida do Governo foi a de criar, através do BNDES, um fundo de investimento
em ações - PIBB -, com garantia de retorno do valor aplicado por
um determinado período, caso o investimento não fosse lucrativo.
Sucesso de público e de crítica, prepara-se uma nova tranche para
novos investidores. Quanto maior a divulgação
do mercado, o ensino de como investir com sucesso e os produtos acessíveis
aos não especializados, maior será o afluxo de recursos para este
mercado, com benefícios para a economia, para as empresas e para os investidores.
*Economista
e professor de Análise de Investimento
(www.mercadoseacao.blogspot.com)
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