| Fundos
de Investimento em ações: outra alternativa
*Humberto dos Santos
e-mail:
hsantos01@yahoo.com.br No
artigo passado comentei sobre a aplicação pelo pequeno investidor,
ou investidor iniciante, em Clubes de Investimento em Ações. Oportunamente
estarei escrevendo sobre como formar e administrar um Clube de Investimento.
Existe
uma outra possibilidade nesta linha de investimento indireto, onde o investidor
não adquire ações diretamente via uma Corretora de Valores,
mas através de terceiros, que são os Fundos de Investimento em Ações
- FIA. Esta modalidade de investimento é
muito popular no exterior; no Brasil ainda não atingiu o status devido,
face à pouca divulgação e conhecimento deste tipo de aplicação.
O quê são os FIA? São instrumentos de aplicação
de recursos em ações, em forma de condomínio, parecidos com
os Clubes de Investimento, mas com algumas diferenças em relação
a eles. Vejamos algumas características dessa interessante modalidade de
investimento para o iniciante do mercado. 1-
Definição - O FIA é uma forma de investimento que reúne
vários aplicadores, formando um condomínio, no qual as receitas
e as despesas são divididas. Os recursos entregue pelos investidores aos
gestores, são aplicados em ações de companhias abertas, negociadas
na BOVESPA (www.bovespa.com.br).
Estes recursos, são administrados por uma instituição financeira
autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários - CVM (www.cvm.gov.br),
que os aplica em uma carteira diversificada de ações, debêntures
conversíveis em ações e títulos federais. 2
- Adiminstração - Somente instituições financeiras
autorizadas pela CVM e pelo Banco Central do Brasil - BCB (www.bcb.gov.br), podem
gerir os recursos de terceiros a serem alocados em ações. Normalmente,
os gestores são instituições preparadas para executar a gestão
de recursos dos fundos, utilizando equipes de profissionais com larga experiência
no Mercado de Capitais. Isto não garante rentabilidade do Fundo, mas permite
que os recursos aplicados em ações o sejam mais bem executados do
que se o fossem feitos por uma pessoa inexperiente a respeito do mercado de ações. 3
- Vantagem dos Fia - Os FIA foram criados para atender ao desejo de pessoas
que, não podendo acompanhar o desenrolar do mercado no seu dia a dia, nem
contando com conhecimentos específicos sobre o mesmo, gostariam de participar
deste tipo de aplicação. Além disso, permite que quantias
pequenas possam ser agrupadas e investidas, usufruindo as vantagens deste agrupamento:
obtenção de melhores preços de compra e de venda, participação
em operações de abertura de capital, menores taxas de corretagem,
segurança nas aplicações, etc. É um investimento ideal
para quem não dispõem de tempo para acompanhar os mercados. Também
permite diversificar um investimento que seria impraticável se fosse realizado
pelo próprio investidor sem conhecimentos obre estas operações. 4
- Valor mínimo da aplicação - Varia por instituição.
Existem algumas que aceitam uma quantia mínima de R$100,00 por aplicação.
Deste modo, qualquer pessoa pode programar investimentos mensais pequenos, criando,
assim uma carteira de ações no longo prazo. Outros FIA só
aceitam quantias maiores, acima de um valor alto estipulado pelo gestor. Procure
seu Banco, inicialmente, para saber sobre este item; se ele não tiver um
produto que lhe atenda, faça pesquisa junto aos Bancos mais populares. 5
- Despesas - As instituições administradoras de FIA costumam
cobrar uma taxa de administração anual, apropriada mensalmente.
Esta taxa varia para cada instituição. Pesquise para saber sobre
as menores. Outras despesas incorridas nas operações são
debitadas diretamente ao patrimônio do Fundo. Ressalto, entretanto, que
este item não deve ser um fator de decisão; o mais importante é
saber sobre a rentabilidade anterior do FIA pesquisado, comparando-a com instituições
concorrentes. 6 - Rentabilidade - É
proveniente da montagem de uma carteira de ações e outros títulos
financeiros, inclusive de renda fixa. Por existir uma obrigação
legal de aplicação mínima de 51% da carteira do Fundo em
ações, quando a Bolsa cai a rentabilidade é afetada. Administradores
experientes usam de táticas sofistificadas para proteger as carteiras em
período de queda dos mercados. Isto influi no ganho do fundo. Vale ressaltar
que rentabilidade passada não garante rentabilidades futuras, pois os recursos
de um FIA são alocados em ações, que são títulos
de renda variável. A informação sobre a rentabilidade de
um FIA é dada através da variação de cotas, informadas
diariamente através de jornais. 7 -
Aplicações e resgates - Cada instituição administradora
define prazos e valores de aplicação e de resgate. Algumas exigem
um prazo de carência para os resgates; outras não. A aplicação
é feita, na maioria dos casos, pelo valor da cota do dia seguinte à
aplicação. O mesmo acontece com o resgate. O prazo para receber
o dinheiro também varia por instituição, podendo chegar a
10 dias úteis. Informe-se quando fizer a aplicação. 8
- Tributação - Há incidência de Imposto de Renda
de 15% sobre os ganhos obtidos com fundos de ações. Assim, se o
investidor aplicou R$1.000,00 e tempos depois resgatou R$1.400,00, irá
pagar um imposto pelo ganho obtido; no caso será de R$60,00 (R$1.400,00
- R$1.000,00 = R$400,00; 0,15XR$400,00 = R$60,00). 9
- Informação aos cotistas - As instituições administradoras
de FIA são obrigadas a enviar relatórios semestrais sobre a composição
da carteira, um relatório do gestor, balanço patrimonial do Fundo
e outras demonstrações financeiras auditadas. Anualmente, devem
enviar, além das informações citadas, evolução
do valor da cota, encargos debitados ao Fundo, as despesas com corretagem e comprovante
para prestação de contas junto à Receita Federal. Quando
do ingresso no Fundo, o gestor é obrigado a entregar ao investidor, exemplar
do regulamento do fundo, histórico da instituição administradora,
documentos contendo informações sobre demonstrações
financeiras e documento no qual constem claramente as despesas com as quais o
investidor terá de arcar. 10 - Informações
adicionais - Maiores informações podem ser obtidas nos sites
citados acima e também junto à ANBID, no site www.anbid.com.br. O
importante em tudo isto, é que qualquer pessoa pode e deve aplicar dinheiro
no mercado de ações. Estas aplicações podem ser diretas
junto a uma Corretora de Valores ou indireta, através de Clubes de Investimento
ou de Fundos de Investimento em Ações.
As experiências recentes de Fundos de Ações com recursos do
FGTS, aplicados em ações da Petrobrás e da Vale do Rio Doce,
bem como a primeira edição do Fundo PIBB, criado pelo BNDES (www.bndes.gov.br)
mostraram que o mercado de ações não é um bicho papão,
e que traz boa rentabilidade a longo prazo. Deve se constituir em alternativa
de diversificação de investimentos de qualquer pessoa.
*Economista
e professor de Análise de Investimento (www.mercadoseacao.blogspot.com) >>>
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