| Bolsa:
investimento, jogo ou especulação?
*Humberto dos Santos
e-mail:
hsantos01@yahoo.com.br A
grande maioria das pessoas, quando perguntadas se investem na Bolsa de Valores,
diz que não o faz porque se trata de um jogo. Este conceito ficou, infelizmente,
gravado no imaginário popular.
Vamos discutir
um pouco estas três situações. O
que entendemos por jogo, é uma decisão envolvendo aporte de dinheiro,
onde o aplicador não tem controle algum sobre o resultado a ocorrer, e
não dispõe de informações suficientes que lhe permitam
tomar uma decisão acertada. Deste modo, escolhe aleatoriamente um modo
de atuar e apostar dinheiro nela. Um exemplo são os cassinos, onde se colocam
fichas em números de roletas, em cartas de baralho ou em máquinas
de jogar, apostando de forma impensada baseada no chamado "feeling"
ou intuição. Há também
os jogos das loterias onde as pessoas tendem a jogar baseadas também em
intuições, sonhos ou premonições. A
especulação é um tipo de jogo mais pesado onde pessoas investem
dinheiro atuando por vezes com conhecimento de causa sobre o alvo especulado,
mas sem uma certeza de que irá ocorrer o que foi planejado. Podemos citar
a especulação em compras antecipadas de mercadorias agrícolas
que ainda estejam em um processo de maturação final. Uma variação
climática não previsível pode colocar tudo a perder. Finalmente
temos o chamado investimento, onde as pessoas estudam situações
conhecidas e com base em dados passados e projeções futuras, tomam
suas decisões de investimento. Neste caso podemos enquadrar o investimento
em ações. Há, entretanto,
uma certa confusão entre especular e investir, quando se refere a ações.
Em virtude do retorno do investimento em ações ser desconhecido
previamente e variável, as pessoas confundem este investimento com jogo
ou especulação. Vejamos essas diferenças. No
caso do jogo, o jogador, está totalmente desprovido de qualquer informação
para atuar. Baseia seus atos tão somente em intuições que
ocorrem via inconsciente. É quase um cara ou coroa. A
palavra especulação quando aplicada ao investimento em ações,
vem carregada de um tom pejorativo, tentando destruir a possibilidade de ganho
que a aplicação oferece. Ocorre, que quando se faz uma aplicação
em títulos de renda fixa ou em uma aplicação imobiliária,
estamos também especulando, no sentido de antever resultados positivos.
Nada garante que uma aplicação em renda fixa possa trazer retorno
real. Se ela ficar abaixo da inflação, e isto não é
incomum, haverá prejuízo. O fato de sabermos antecipadamente quanto
iremos ganhar, não tira o caráter especulativo do processo. Idem
quando se faz uma aplicação em imóveis julgando que teremos
lucro na aplicação. Pode ocorrer um imprevisto e transformar o esperado
lucro em prejuízo. Vistos estes ângulos
em relação a jogos e investimentos ditos certos, voltemos nossas
lentes para o investimento em ações. Investir
na Bolsa não é como jogar em um cassino; neste as chances de ganho
se reduzem a 5% dos participantes ou do volume negociado. E no cassino só
há jogo, onde não se tem controle da situação. Diferentemente
de um cassino, as Bolsas se diferenciam por serem centros de liquidez de ações,
onde compradores e vendedores se encontram todos os dias para investir ou desinvestir
seus recursos. As bolsas são instituições regulamentadas
e controladas por órgãos públicos (no caso brasileiro pela
Comissão de Valores Mobiliários - CVM e pelo Banco Central do Brasil
- BCB), visando a lisura dos negócios de modo a preservar os direitos dos
aplicadores. Investir em ações
de empresas negociadas na Bolsa de Valores é um processo simplificado de
investir em uma lanchonete, em uma franquia, etc. Em todos os casos, há
necessidade de se fazer análises do negócio/empresa de modo a se
ter dados que permita um investimento mais seguro. Não são investimentos
baseados em intuições ou sonhos, mas processos baseados em análises
prévias. Quando os chamados capitalistas
vão desembolsar dinheiro em um novo projeto, realizam estudos para se certificarem
de que existe chance de retorno naquela aplicação. O mesmo tem que
ser feito quando se investe em Bolsa. Há necessidade de se conhecer dados
sobre as empresas nas quais se pretende investir bem como verificar o comportamento
das ações negociadas nas bolsas. O
grande problema é que o investidor iniciante trata a aplicação
em ações da mesma maneira que os jogadores dos cassinos. Baseia-se
em sentimentos, dicas, intuições para aplicar seus recursos. Quase
sempre este caminho leva a perdas. Aí o investidor diz que a Bolsa é
para os grandes, para os manipuladores, e acaba se afastando desta alternativa
altamente rentável no longo prazo. O caminho
para o sucesso é um só, como em qualquer coisa na vida: estudar,
aprender e entender as regras deste mercado. Sobre este assunto leiam meu artigo
"Investidor precisa aprender a aplicar em ações" A
Bolsa é lugar de bons investimentos. Jogo e especulação nos
cassinos ou nas lotéricas.
*Economista
e professor de Análise de Investimento (www.mercadoseacao.blogspot.com) >>>
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