Por que a bolsa oscila?

*Humberto dos Santos

e-mail: hsantos01@yahoo.com.br

Quem não está acostumado com o vai e vem das cotações na Bolsa de Valores fica confuso por não entender o mecanismo de formação dos preços que ali ocorre. Então acha que é jogo, especulação, que é um mercado para especialistas e por aí em diante. Não é nada disso.

O problema é que o ser humano tem medo do desconhecido. Lembram do episódio do Caramuru? Quando um náufrago, assediado pela turba, deu um tiro para cima, os indígenas se ajoelharam diante dele e passaram a venerá-lo como um deus. Só porque desconheciam uma arma de fogo. Poderíamos dar vários exemplos de temor humano frente a episódios diversos, mostrando que o medo vem do desconhecer.

A reação de perplexidade não se manifesta somente quando há grandes catástrofes. Um simples campeonato de futebol pode trazer indagações sobre o comportamento dos clubes participantes. Por quê um clube famoso e ganhador, perde uma partida em seguida a uma outra vitoriosa? Por quê um clube pequeno vence um clube grande, às vezes por goleada? O ocorrido cria perplexidade.

Pegando um gancho nesta elucubração, vamos imaginar que a Bolsa de Valores, que é um centro de liquidez de ações, fosse um jogo de futebol. Em um determinado momento um time avançaria com todos os seus jogadores e faria um gol. Se fosse a Bolsa teríamos um mercado em alta. No momento seguinte, o time que sofreu o gol, teria uma reação e avançaria contra o adversário e faria seu gol. Teríamos um mercado em baixa e na soma destes dois gols o mercado ficaria estável.

Neste jogo imaginário, no primeiro caso teria havido uma vitória dos compradores e no segundo, os vendedores seriam os que teriam ganhado o jogo.

Há, entretanto, uma diferença muito grande nas duas situações: o número de jogadores de cada time e em que time eles jogam.

No futebol a regra é clara, como diria o Arnaldo César Coelho: é permitido apenas onze jogadores por time, podendo este número ser menor em caso de expulsão de algum brucutu. Na Bolsa de Valores os jogadores podem ser atacantes e defensores ao mesmo tempo, mas podem aumentar ou diminuir em número, sem limite. Podem mudar, também de time. São compradores em um momento e vendedores em outro.

Outra característica, é que em não havendo limite dos participantes, novos jogadores podem aderir à partida sem terem sido convocados, mas por conta própria. Jogadores antigos podem se retirar das partidas e ficar, por opção própria, fora do jogo por um bom período ou até de forma definitiva. Podemos ter um maior número de jogadores em uma equipe do que os existentes na equipe adversária.

Na Bolsa, cada um se escala no time de compradores ou de vendedores, joga quando quiser e sai quando lhe der na telha.

Parece confuso, mas não é. A Bolsa é um dos poucos lugares onde a lei da oferta e da procura existe de maneira clara e transparente. Uma ação vale o preço que pagam por ela em um determinado momento.

Não há uma explicação clara para este movimento, a não ser a de que o comportamento psicológico dos participantes comanda o mercado.

As decisões são tomadas baseadas ou não em critérios técnicos, mas o ato de comprar e vender obedece a parâmetros comportamentais. Existe uma luta permanente entre compradores e vendedores, entre o medo e a ambição.

Da mesma maneira que, como no futebol, quando um time está ganhando a torcida fica eufórica e quando perde se deprime, no mercado ocorre o mesmo.

Altas fortes e seqüenciais são produto de uma mistura de técnica com euforia. Baixas elevadas e contínuas são produto de técnica misturadas com depressão. Afinal os participantes são seres humanos e a emoção é uma das característcas deles. O dom da palavra é outra.

Para evitar o pânico ou a euforia irracionais só há um jeito: entender as regras de como funciona a bolsa, de como escolher ações, como saber quando comprar e saber quando vender.

É simples, mas trabalhoso. Aliás quase nada é fácil na vida.

Notas:

1 – Estarei realizando o curso “Mercado de Ações sem Segredo” no dia 29/10 (sábado inteiro) no Rio e 05/11 em SP. Informações: hsantos01@yahoo.com.br;

2- Escrevi artigo (Vem aí o novo PIBB) sobre a vantagem de aplicar em cotas do PIBB 2. Foi um sucesso como previra. Os pedidos ultrapassaram em mais de 120% a oferta de cotas.

 

*Economista e professor de Análise de Investimento
(www.mercadoseacao.blogspot.com)

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