Providência versus Previdência

*Humberto dos Santos

e-mail: hsantos01@yahoo.com.br

Vocês já devem ter ouvido aquela música do Zeca Pagodinho "deixa a vida me levar, leva, leva eu...". Pois é: considero esta música, tirante seu valor artístico, como um desestimulo à busca por melhores dias. Significa que está tudo bem, se tiver comida eu como, se tiver morada eu moro, mas se não tiver nada eu fico feliz do mesmo jeito.

O perigo está em acharmos que a providência divina resolve tudo, o que não é verdade. Deus ajuda quem cedo madruga, diz o ditado popular. Outro semelhante ditado é que dinheiro não nasce em árvore. Por isso temos que trabalhar e pensar no amanhã, quando as forças nos faltarem.

Em vez de esperarmos sentados a providência, temos que fazer previdência. O quê é isto?

Todos os que trabalham contribuem para a Previdência oficial, o INSS para ao fim de anos de labuta terem direito a uma aposentadoria. Esta previdência é muito criticada, pois dizem não atender às necessidades de quem ganha acima de R$2.500,00 e que sofre correções ao longo do tempo abaixo dos níveis da inflação.

A pessoa trabalha trinta e cinco anos, contribui ao longo deste período e quando se aposenta, nem sempre tem suas necessidades básicas supridas. Vem o desespero, a raiva e a impotência, pois contra o governo é complicado lutar.

Uma maneira de contribuir para a solução deste problema é fazer um plano de previdência privada que irá no futuro, quando da aposentadoria, diminuir este drama, complementando o que a previdência oficial oferece.

Como funciona isto?

O governo autorizou tempos atrás, a criação de fundos de investimento especiais com a finalidade de complementar ou criar rendas futuras, mediante investimento de parcelas mensais, geridas por instituições financeiras, e que podem ser sacadas em datas previamente acordadas. Estes fundos têm nomes um pouco esquisitos:
PGBL- Plano Gerador de Benefício Livre;
VGBL - Vida Gerador de Beneficio Livre.

Vejamos algumas características comuns a todos os dois, independente de quem seja o gestor dos fundos:

Itens PGBL
Público alvo: contribuinte que declara o IR pelo modelo completo
Liquidez: carência entre 2 e 6 meses
Taxa de administração: varia por instituição; média 2% aa.
Contribuição mínima: R$ 40,00 a R$ 80,00 (depende do Banco)
Taxa de saída: 0,50% em média
Benefício fiscal: valor contribuído até 12% da renda bruta
Tributação de I.R.: incide sobre o valor total recebido. Varia em função do tempo que o dinheiro ficou aplicado no fundo.
Rentabilidade: varia em função da montagem da carteira. Pode ter uma parcela maior de ações

Itens VGBL
Público alvo: contribuinte que declara o IR pelo modelo simplificado
Liquidez: carência entre 2 e 6 meses
Taxa de administração: varia por instituição; média de 2% ao ano.
Contribuição mínima: R$ 40,00 a R$ 80,00 (depende do Banco)
Taxa de saída: idem
Benefício fiscal: não há
Tributação de I.R.: incide sobre os rendimentos recebidos. Varia em função do tempo que o dinheiro ficou aplicado no fundo.
Rentabilidade: varia em função da montagem da carteira. Pode ter uma parcela maior de ações

A vantagem destes tipos de plano é que a pessoa sabe que não terá problemas quando se aposentar, nem verá sua renda cair de uma hora para outra.

Vale lembrar também que um plano deste tipo pode ser feito para os filhos visando, não a aposentadoria deles, mas sim recursos para estudar quando chegar à idade de ir para a faculdade.

Estas informações variam de uma instituição para outra. Antes de fazer seu plano consulte seu principal banco primeiramente; depois faça uma visita a dois outros bancos para ver as diferenças e a vantagens de cada um.

Lembre-se, entretanto: o importante é ser previdente. Por isso, não hesite! Faça um plano de previdência. Então você talvez possa deixar a vida lhe levar.

 

*Economista e professor de Análise de Investimento
(www.mercadoseacao.blogspot.com)

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