O que esperar de 2006

*Humberto dos Santos

e-mail: hsantos01@yahoo.com.br

Enfim chegamos a 2006. Neste momento, como ocorre a cada novo calendário, somos tentados a fazer planos, promessas de mudanças e depois de um certo tempo, tudo cai no esquecimento. Na realidade, houve apenas uma mudança no calendário; o resto permanece igual: as dívidas, as despesas, o trabalho diário, etc.

O quê fazer? Vida que segue.

Vou relacionar alguns tópicos sobre os quais andei lendo, para dar uma pálida idéia do que poderá ocorrer em alguns setores e que causarão impacto em nossas vidas. Não são previsões minhas, pois não as faço. Coletei informações de diversas fontes e passo a descrevê-las. Vamos ao que interessa.

Crescimento do país – As previsões são contraditórias. Lula e Pallocci dizem que vamos ter um crescimento de mais de 5% e que ele será duradouro. Me engana que eu gosto. O Banco Central trabalha com 4% de crescimento; a CEPAL com 3,5%. Em quem acreditar? Em nenhum deles. No início do ano sempre é difícil fazer prognósticos; assim, sejamos conservadores e fiquemos com a estimativa da CEPAL. Se ela estiver errada e o PIB subir mais, é lucro.

Inflação - Esta parece que vai ser atingida. O Banco Central trabalha com uma estimativa de 4,5%. Com a política de juros altos é quase certo que acertará na mosca.

Juros – Deverão cair, mas em doses homeopáticas, como vem sendo feito. Não esperemos grandes recuos. Talvez cheguemos no fim do ano com juros de 14%. Neste quesito somos campeões mundiais. Cartões de crédito e cheque especial continuarão a ser proibitivos.

Emprego - Não chegaremos aos 10 milhões de empregos, como prometido pelo candidato Lulla. Deveremos repetir o que ocorreu em 2005. Em vista disso a vida de quem está desempregado, de quem espera pelo primeiro emprego e daqueles que passaram dos 40 anos vai continuar difícil.

Tarifas de luz, gás e telefone – Claro, serão corrigidas acima da inflação. Afinal, as empresas tem que ganhar dinheiro. O consumidor que se vire.

Petróleo - Um dos grandes problemas da atualidade. Com a briga permanente no Oriente Médio, a especulação desenfreada nos mercados futuros lá fora e o aumento do consumo, não deveremos ter queda nos preços. A Petrobrás deverá anunciar a auto suficiência, conseguida ao longo de décadas de investimento de diversos governos, e não só do atual, mas não irá suavizar o bolso do consumidor. Gasolina, diesel, gás de cozinha e tarifas de ônibus, bem como trens e metrô continuarão a subir.

Preço do álcool - Começa a ficar preocupante. Em 2005 subiu mais de 26% e este ano mais de 6%. Com os carros flex atraindo consumidores poderá ser uma dor de cabeça para todos nós.

Dólar – O outrora vilão da economia se tornou o patinho feio dos investimentos. Deverá continuar em níveis baixos em função das exportações elevadas que teremos. No curto prazo ajuda a combater a inflação, mas no longo prazo deverá trazer problemas ao país.

Boas novas? Depende de cada um de nós tentar fazer seu papel na sociedade, já que os governos sempre ficam a dever. Teremos eleição para presidente, para o senado e para a câmara de deputados. Através de voto correto, não votando naqueles que nada fizeram ou fizeram errado, poderemos mudar os rumos que vimos trilhando nos últimos três anos.

Espero que estas previsões estejam erradas. Sucesso a todos em 2006.

 

*Economista e professor de Análise de Investimento
(www.bolsahoje.blogspot.com)

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