O fim do emprego

*Humberto dos Santos

e-mail: hsantos01@yahoo.com.br

Houve uma época na minha vida, em que trabalhei com vendas diretas. Eu era um distribuidor líder e tinha sob minha supervisão direta centenas de revendedoras que trabalhavam por conta própria. Era a utilização de um conceito do bilionário Paul Getty que dizia “preferir ganhar 1% do esforço de 100 pessoas do 1% do seu esforço próprio”. Este é o princípio dos grandes capitalistas e dos empreendedores de sucesso; vide o caso das franquias.

Quando eu colocava anúncio nos jornais, as pessoas ligavam e a primeira pergunta que faziam era se o trabalho seria com carteira assinada; ao saberem que era um trabalho autônomo, desistiam de saber das vantagens de ter seu próprio negócio, com horário flexível e possibilidade de ganhos superiores a um emprego formal. Queriam carteira assinada, vale transporte, ticket refeição, plano de saúde, 13º salário e férias remuneradas, etc.

Pois é! Vou dar uma notícia que muita gente vai estranhar e não vai gostar: este tipo de trabalho está com os dias contados. O emprego tradicional está chegando ao fim. O quê virá então?

O economista e professor universitário da área econômica, autor de dezenas de livros, sendo o mais conhecido o de título “O fim dos empregos” (Makron Books), Jeremy Rifkin, bem como o consultor, William Bridges, autor do livro “Um mundo sem empregos” (Editora Senac), dão um brado de alerta para o processo de transformação que está ocorrendo no planeta na questão emprego.

Para eles, a automação por que passa a atividade produtiva em todas as áreas, irá produzir um exército de desempregados; atualmente já são mais de 800 milhões o número de pessoas sem emprego (ou subemprego). Rifikin antecipa um dado tenebroso: apenas 2,5% da população mundial estará empregada, com o clássico “carteira assinada” no ano de 2020. Os restantes, de acordo com Bridges, formarão o grupo do “Você&Co”, isto é, trabalharão por conta própria quando e onde houver necessidade de mão de obra.

Não é preciso ser um grande pesquisador ou fazer estudos e teses sobre o assunto para ver que esse problema já se instalou entre nós. Em nosso país, vivemos uma era onde a automação está tomando o emprego das pessoas. Isto ocorre em todos os setores.

Na agricultura, o agronegócio marginalizou os bóias-frias, com a mecanização intensiva das lavouras.

Nas indústrias, tarefas executadas por humanos são hoje efetuadas por máquinas e robôs, tirando o emprego dos trabalhadores qualificados e dos sem preparo.
Na área de serviços vemos as máquinas substituírem os homens nas agências bancárias.

Através da Internet é possível pagar contas, fazer transferências bancárias, adquirir produtos em supermercados e grandes redes de lojas. Isto tira o lugar dos vendedores e de outras pessoas envolvidas no processo de compra.
Estes fatos nos fazem pensar que providências, nossos governantes e líderes sindicais estão tomando, para atenuar o problema da exclusão de milhares de pessoas de seus postos de trabalho.

Não se trata de fazer algo, no curto prazo, visando ganhar pontos políticos, quaisquer que sejam; trata-se de planejar para o longo prazo, medidas efetivas que tenham continuidade governamental, que permitam absorver o contingente de desempregados existentes (hoje 13% da população economicamente ativa), e daqueles que chegam ao mercado de trabalho, como é o caso dos jovens em seu primeiro emprego.

Uma das soluções passa por um investimento maciço em educação em todos os níveis, começando pelo chamado nível primário, indo até a graduação e pós-graduação, sem esquecer da educação especializada de segundo grau, formando técnicos, mecânicos, programadores, etc., que poderão ter uma chance de conseguir um trabalho, mesmo que seja sem carteira assinada.

Um outro passo é investir na tecnologia de informação, colocando as escolas no século 21, através da utilização intensiva do aprendizado e uso da informática em todos os seus aspectos, do teórico ao prático.

Fica uma última pergunta. O quê cada um pode e deve fazer para contribuir na diminuição do problema? Qual é a sua responsabilidade na solução da questão?
Em primeiro lugar, se conscientizar de que o estudo é o melhor caminho parra formar um patrimônio pessoal sólido. Não acredite naqueles que dizem que não se aprende nada nos livros ou nas salas de aula. Nunca ninguém irá lhe tirar ou roubar o que você aprendeu.

Em segundo lugar, pressionar os governantes e os representantes do povo nas diversas câmaras legislativas, exigindo uma discussão séria, sem ser eleitoreira, sobre a questão do emprego no futuro em um mundo globalizado.

Finalmente, para os que estão empregados e, principalmente para os sindicalizados, cobrar das lideranças sindicais, um empenho permanente na discussão do assunto e na pressão legítima junto aos poderes executivo e legislativo, sem deixar de pressionar junto ao poder judiciário, que por vezes esquece dos problemas dos mais frágeis, defendendo os mais poderosos.

*Economista e professor de Análise de Investimento
(www.bolsahoje.blogspot.com)

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