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Demita
seu patrão
*Humberto
dos Santos
e-mail:
hsantos01@yahoo.com.br
Desde tenra idade somos
levados a pensar sob a orientação de terceiros. Primeiro,
nossos pais nos dizem o que é certo ou errado na visão
deles; depois vem a escola e a universidade, onde aprendemos certos
comportamentos padronizados pelos professores. Transmitem a seus
alunos conceitos ideológicos que julgam ser os corretos para
eles. Quando vamos trabalhar nas empresas, temos que nos enquadrar
nas normas e procedimentos empresariais, fazendo as vezes de carneiros
bem comportados.
Desta forma, somos tolhidos, desde a infância
até a idade adulta, de pensarmos por nós mesmos. Aprendemos
que devemos seguir regras, pois se assim não procedermos
seremos demitidos. Não podemos acalentar sonhos de trabalhar
por conta própria.
Este processo gera uma inibição
empresarial e cria uma falta de empreendorismo em todos nós.
Isto é ruim para nos e para o país.
À exceção de certas profissões,
tais como médicos, advogados, dentistas ou outras mais simples
como pintor, encanador, marceneiro, etc. que já partem para
um negócio próprio, ficamos adormecidos, à
espera do salário ao final de cada mês, nos conformando
com a tal da carteira assinada e os benefícios minúsculos
que complementam nosso salário.
Pensar em fazer algo próprio não
passa pela nossa cabeça. O importante é ter um emprego
estável (?) e ir sonhando com a aposentadoria quando chegar
a velhice.
Em artigo anterior falei sobre a perspectiva
do fim do emprego tradicional, quando em 2020, segundo pesquisadores,
apenas 2,5% da população do planeta terá um
emprego nos moldes de hoje. O restante da massa trabalhadora estará
por conta própria vendendo seus talentos onde e quando precisarem.
Faço estas considerações
para introduzir o leitor em um outro mundo que a maioria não
conhece: o de trabalhar por conta própria já nos dias
atuais. Quais as vantagens e desvantagens desta atitude?
Desvantagens Incerteza na renda
a ser recebida, ausência de benefícios indiretos (vale
transporte, plano de saúde, quando existe, vale refeição,
etc.), férias remuneradas, medo de errar, e vai por aí.
Vantagens Liberdade de horário,
liberdade em escolher as pessoas companheiras de trabalho, possibilidade
de ganhar mais, pois todo seu esforço de trabalho irá
só para você, menos stress com colegas e chefes, constituir
um fundo para a aposentadoria, ter mais tempo com a família,
tirar férias quando quiser sem pedir ao chefe, etc.
A questão básica é a
do medo em se trabalhar sozinho e tomar decisões por si mesmo,
já que você é o seu patrão. Afinal, não
fomos treinados para comandar e sim para obedecer. Posso garantir
que o processo de gerenciar seu negócio se aprende rapidamente.
A outra dúvida que surge é:
onde vou exercer meu trabalho, de que tipo ele será, como
começar, quanto vai custar no início?
Hoje em dia existem várias instituições,
e o SEBRAE é um bom exemplo, que ensinam às pessoas
como dirigir um negócio próprio, qualquer que seja
ele. O SESI e o SENAC também disponibilizam cursos sobre
diversos assuntos para quem deseja ter um pequeno negócio,
não investindo quase nada. Desse modo, o medo da inexperiência
será logo combatido e vencido. Governos federal, estadual
e municipal também possuem programas de formação
de mão de obra que pode ser útil a um desempregado
por quem quer mudar de vida.
Restam outras questões, é claro:
quanto terei que dispender para ter um negócio próprio?
Resposta: depende de suas posses. Você pode começar
com uma carrocinha de pipoca ou de algodão doce, com um quiosque
em uma área de feiras, uma barraca na feira, uma franquia
(há para todos os gostos e preços), pode ser um encanador
prestando serviços à vizinhança, um pintor,
um estofador, fazer doces e salgados para fora, etc. As chances
são enormes e o potencial de lucro imenso.
Só para dar um exemplo, o gigante dos
supermercados, o Pão de Açúcar, começou
com uma pequena loja que vendia docinhos portugueses, daí
o nome que tem a rede atualmente (e mais outras marcas, gerenciadas
pelo mesmo grupo). Todo grande negócio teve um dia uma atuação
pequena.
Outra possibilidade é entrar no ramo
de vendas diretas (tipo Natura, Avon, De Millus) trabalhando para
empresas já estruturadas ou por conta própria, adquirindo
os produtos (bijuteria, folheados, perfumes, lingerie, etc.) e vendendo-os
a terceiros, tendo sempre em mente que você é o seu
patrão. Você decide quanto quer ganhar e quanto tempo
investirá em seu negócio.
Nas bancas de jornais existe uma gama variada
de revistas que ensinam como ter ou iniciar um negócio próprio.
Deste modo você nunca mais terá
patrão. Por isso trate de pensar em demitir o atual.
*Economista
e professor de Análise de Investimento
(www.bolsahoje.blogspot.com)
>>>
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