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O
primeiro emprego nunca se esquece
*Humberto
dos Santos
e-mail:
hsantos01@yahoo.com.br
Resolvi escrever sobre este tema, ao me lembrar
de como foi a minha experiência com meu
primeiro emprego.
Eu não trabalhava, pois estava me preparando
para fazer vestibular de Engenharia, que depois virou Economia.
Ao mesmo tempo fazia o serviço militar no CPOR do RJ. Ganhava
mesada, mas que era insuficiente para os gastos e, ao mesmo tempo
humilhante, pois tinha a cada mês, de pedir dinheiro ao meu
pai.
No CPOR eu tinha um amigo que trabalhava num
banco estrangeiro; falei com ele sobre meu problema e ele mandou
procurá-lo na semana seguinte, pois achava que conseguiria
uma vaga para mim.
Após todo o processo de seleção
fui aprovado. Que felicidade! Senti que eu já era adulto,
pois só o somos quando não dependemos financeiramente
de terceiros.
Estes pensamentos me levaram a pensar no drama
de milhões de jovens, entre 16 e 24 anos que atualmente estão
desempregados. Segundo o IBGE somam mais de três milhões
de cidadãos. São jovens que estão dispostos
a trabalhar, mas que não encontram oportunidade de trabalho.
Primeiro, porque não possuem nenhuma experiência, o
que é perfeitamente normal, e segundo porque a maioria das
empresas não atenta para este problema social, pensando apenas
em aumentar seus lucros, e não lhes abrem as portas para
que consigam a tal da experiência.
Seria fácil a solução.
Vejamos um exemplo simples.
Quando eu era jovem, ia aos supermercados
e havia um grupo específico de funcionários que ficava
encarregado de colocar as compras nas bolsas dos clientes; normalmente
eram jovens que faziam isso. Com certeza era seu primeiro emprego.
Hoje em dia isto raramente acontece. Onde
moro há três supermercados, que fazem parte do mesmo
grupo, mas com nomes diversos, para fingir que fazem concorrência
(e o que fazem é monopólio). No fim do mês,
quando sai o salário de fome da maioria dos brasileiros,
as filas são intermináveis nas caixas do mercado.
Ao final do processo de pagamento, o cliente
é que coloca as mercadorias nos sacos plásticos. Faz
o trabalho que seria da empresa e não ganha nada com isso;
e ainda paga de 20 a 30 por cento a mais que outros supermercados.
Então, os jornais e revistas especializados em economia,
fazem louvores à gestão do presidente do grupo. Chamam-no
de Homem de Visão. Eu diria, homem sem coração.
Claro que o lucro da rede aumenta, à
custa da comunidade. É um trabalho que poderia ser feito
por jovens em seu primeiro emprego.
O empresariado tem inúmeras alternativas
para ajudar na solução do problema. Pensando apenas
no lucro, esquece que a segurança da população
está em jogo, pois um jovem sem trabalho pode ser tentado
a obter dinheiro fácil, mas de modo ilícito.
O governo também poderia fazer mais
por este problema não somente dando incentivos fiscais, como
o que o governo federal, com estardalhaço lançou,
o projeto Primeiro emprego (e que não emplacou),
mas principalmente, dando educação e treinamento aos
jovens no quesito profissionalização.
Os cursos feitos nas escolas poderiam ser
complementados, no último ano, com opções profissionais
simples, que ajudariam os alunos a aprender uma profissão
para poder trabalhar, mesmo sem ter experiência. Teriam conhecimento,
que por vezes é mais importante que a experiência.
Parece, entretanto, que o tema educação,
não faz parte do vocubalário governamental.
Outro segmento da sociedade que poderia auxiliar
nesta questão são os sindicatos, que ao invés
de ficarem se envolvendo com políticas partidárias,
poderiam perfeitamente, ajudar no processo de formação
profissional (via recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT).
Também poderiam pressionar o legislativo para que desse mais
atenção ao processo de formação profissional
dos seus sindicalizados e dos que estão por chegar ao mercado
de trabalho (leiam meu artigo "O
fim do emprego").
O problema é complexo, mas tem solução.
Depende somente dos que tem o poder de mudar as coisas: empresas,
governo e sindicatos. Não depende de quem está desempregado.
*Economista
e professor de Análise de Investimento
(www.bolsahoje.blogspot.com)
>>>
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