| Vem aí
o novo PIBB
*Humberto
dos Santos
No
passado, o BNDES lançou um produto diferente destinado a atrair o pequeno
investidor para o mercado de ações. Trata-se do PIBB - Papéis
Índice Brasil Bovespa, que é um fundo de investimento, composto
de ações que fazem parte do IBrX-50, um índice da Bolsa de
Valores de São Paulo - BOVESPA, do qual fazem parte as 50 empresas mais
negociadas naquela instituição.
O objetivo do lançamento
era o de atrair investidores pessoas físicas para o mercado de ações,
já que este tipo de aplicação é pouco conhecido, e
provoca receio nos investidores, por se tratar de uma aplicação
de risco. Visando minimizar este receio, o BNDES garantiu, pelo período
de um ano, a recompra das cotas dos investidores pelo preço pago na aplicação.
O
que ocorreu é que foram poucos os resgates, pois no período da garantia,
os fundos PIBB renderam mais de 30%. Nesse mês de agosto a rentabilidade
média está em 3,66%, bem superior ao rendimento da Caderneta de
Poupança e do FGTS.
Agora o BNDES
volta a fazer operação semelhante. A informação é
de que no decorrer do mês de setembro, uma nova tranche do PIBB seja lançada
nos moldes da primeira. Face ao sucesso anterior, é bem provável
que esta operação seja também bem sucedida. Há
questões que eu gostaria de colocar visando educar mais o investidor novato
em Bolsa.
A
primeira é de que deve haver um maior esclarecimento à população
sobre o que é investir em ações. Em artigo anterior falei
sobre esta questão. Informar, como a BOVESPA vem fazendo através
de palestras por todo o país, mas também educar o investidor nos
segredos do investimento, tirando a lenda de que o mercado de ações
é um bicho papão. Só se fixa o investidor pessoa física
no mercado de ações se o ensinamos a ganhar dinheiro.
Quem
vai fazer este papel de educador? A pergunta está em aberto.
A
segunda questão que eu colocaria, seria a de permitir que recursos alocados
atualmente no FGTS pudessem ser direcionados para o novo PIBB. Com o sucesso das
aplicações em ações das Petrobrás e da Vale
do Rio Doce, com recursos do FGTS, mais o sucesso da rentabilidade do primeiro
PIBB, fatalmente teríamos uma demanda forte que ultrapassaria o valor de
R$ 1 bilhão a ser ofertado pelo BNDES. Com certeza no longo prazo, esta
aplicação irá render mais do que a magra rentabilidade que
o FGTS oferece ao trabalhador.
Uma
terceira questão seria a de dar um passo adiante no processo educacional
do pequeno investidor, permitindo que parte do Imposto de Renda devido, pudesse
ser aplicado em Fundos de Investimento de novas ações, e não
somente em ações velhas, que é o caso do PIBB, já
que as ações ofertadas fazem parte da carteira do BNDES.
Este
tipo de investimento foi extremamente saudável para investidores e empresas
que se utilizaram destes recursos no passado. Foram os chamados Fundos de Investimento
157, criados a partir de um decreto com esse número. Suas carteiras eram
formadas por ações novas emitidas por novas empresas que chegavam
ao mercado.
Uma
palavra final sobre como atrair investidores pessoas físicas para aplicações
de longo prazo, seria a de instruí-los sobre investimento em empresas emergentes,
com alto potencial de rentabilidade, a serem gerenciados pelas empresas de Venture
Capital. Isto, entretanto, é assunto para outro artigo.
Voltando
ao novo PIBB. Uma das deficiências apontadas no lançamento anterior
foi a fraca liquidez das cotas negociadas em Bolsa, que desestimulariam novas
aplicações. Parece que este aspecto foi sanado. O BNDES contratou
a corretora Agora Sênior para fazer o papel de "Market Maker"
ou formadora de mercado, com o propósito de dar liquidez permanente aos
investidores e com isso tirar-lhes o receio de não poderem desinvestir
quando julgar apropriado.
*Economista
e professor de Análise de Investimento
(www.mercadoseacao.blogspot.com)
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Alternativas de aplicação
dos recursos do FGTS
O sucesso das
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Mercado de ações
sem mistérios
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