Fundos Petrobras e Vale estão de volta

*Humberto dos Santos

Calma gente, os fundos de investimento com ações da Petrobras e da Vale do Rio Doce estão de volta, mas não é com recursos do FGTS; o que é uma pena.

Escrevi um artigo nesta coluna (O sucesso das aplicações do FGTS na Bolsa), onde mostrava a importância da permissão dada pelo Governo, para que os possuidores de cotas dom FGTS pudessem aplicar parte de seus créditos, em ações da Petrobrás e da Vale do Rio Doce, através de Fundos de investimento formados com esta finalidade.

A experiência do uso de recursos do FGTS, mostrou ser uma excelente alternativa de aplicação de recursos do Fundo, quando comparada à administração tradicional feita pela Caixa Econômica Federal, gestora do Fundo. E não é para menos: a rentabilidade destas aplicações superou quaisquer expectativas. Veja os números:

PETROBRAS
VALE DO RIO DOCE
Início do Fundo
10-07-2000
20-02-2002
Rentabilidade*
418,41%
384,71%
IBOVESPA
58,93%
113,81%
*(até 31-08-05)

Quem aplicou nestes fundos está rindo à toa. Quem não aplicou está triste. Estava. Dois Bancos, o Banco do Brasil e o Bradesco tiraram da gaveta, a possibilidade de qualquer pessoa, com recursos voluntários, poder adiquirir cotas de novos Fundos de Investimento constituídos com ações destas duas empresas. O BB saiu na frente e oferece esta possibilidade desde março, e já tem um patrimônio líquido de mais de R$100 milhões. A aplicação mínima é de R$200,00. O Bradesco deverá oferecer este produto em outubro, sendo a aplicação mínima de R$1.000,00. O BB é mais democrático.

O que levou estas duas instituições financeiras a criar estes novos fundos, foi a demanda espontânea, verificada através de consultas às suas agências por parte dos clientes.

Podemos antever um enorme sucesso para estes dois produtos, até porque o mercado acionário ensaia um crescimento prolongado e sustentado nas cotações das ações negociadas na BOVESPA, com a perspectiva da queda das taxas dos juros.

É uma ótima notícia para o pequeno investidor pois, com uma aplicação
pequena, poderá participar de um investimento em duas das maiores empresas brasileiras. Serão sócios delas, ganhando um pedaço dos seus lucros.

Uma coisa que entristece, é a do trabalhador não poder opinar sobre a gestão e a aplicação de recursos compulsórios que lhes pertence, na Bolsa de Valores. Também escrevi aqui sobre isso, no artigo "Alternativa de aplicação dos recursos do FGTS", onde mostrei ser possível uma diversificação da aplicação dos recursos do FGTS, orientando parte deles para o mercado de ações.

Face ao sucesso de aceitação pelo público e pela rentabilidade auferida, porque não destinar um percentual pequeno do FGTS, algo em torno de 15%, para este tipo de investimento? Com a palavra os gestores e os sindicatos, tão ciosos ao lutar por melhorias salariais mas tão conservadores ao não brigar por melhores aplicações.

Ainda sobre recursos compulsórios geridos pelo Governo: o FAT, que é administrado pelo BNDES e que gerencia recursos do PIS e seguro desemprego, possui um montante estimado em quase R$80 bilhões. A rentabilidade do FAT se situa em algo por volta de 9,75% ao ano, ligeiramente superior à da rentabilidade do FGTS.

Pergunto então: por quê o Governo não ousa e propõe uma mudança na legislação, tornando obrigatória a aplicação de um percentual mínimo em ações, tanto do FAT como do FGTS? Tanto a Caixa quanto o BNDES possuem experiência e know how na gestão de ativos de risco. Não seria difícil realizar uma boa gestão desta nova aplicação. As aplicações poderiam ser direcionadas para ações novas das empresas abertas existentes, na forma de aumento de capital, ou para empresas que decidissem abrir seu capital ao público.

O trabalhador agradeceria com aplausos.

Confira a performance das ações entre outubro de 2004 e setembro de 2005:


Gráficos: cortesia StockCharts

*Economista e professor de Análise de Investimento
(www.mercadoseacao.blogspot.com)

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