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Por Fabiana Sobral e Maria Luisa Barros
Na maior nação católica do mundo, com
126 milhões de fiéis, cariocas e fluminenses são os mais sem
religião do País e os menos católicos entre todos os estados
brasileiros. Esta é a constatação da pesquisa "Retratos das
Religiões no Brasil", divulgada ontem pela Fundação Getúlio
Vargas (FGV).
Enquanto no Brasil 73,9% da população
se consideram católicos, entre os cariocas esse índice não
passa de 61,1%. No estado do Rio, a força da Igreja católica
é ainda menor: 56,1%. Outros 15,76% declararam
não ter nenhuma religião. A média nacional é de 7,35%.
Evangélicos ocupam espaço
deixado por poder público
As
estatísticas elaboradas a partir de dados do Censo 2000 do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram
que as igrejas evangélicas ganham cada vez mais novos adeptos
no estado do Rio. Entre os fluminenses, os evangélicos representam
22,91% da população e no município do Rio, 18,34%. Já a média
brasileira alcança 16,19%.
A perda de fiéis para outras religiões
em todo o mundo é um dos desafios que deverá ser enfrentado
pelo Papa recém-eleito, Bento XVI. Na década de 40, o catolicismo
era a religião oficial de 95% dos brasileiros. Sessenta anos
depois, a participação de católicos na população caiu para
73,9%. No mesmo período, os evangélicos viram seu rebanho
aumentar de 2,61% para 16,22%. Já o percentual dos que não
seguem nenhuma religião subiu de 0,21% para 7,34%.
A pesquisa aponta que, apesar dos nomes
religiosos, Santa Cruz e Cidade de Deus são as regiões do
Rio onde há o menor número de católicos. Ilha de Paquetá,
Copacabana e Centro são os três bairros mais católicos da
cidade. Para o economista da FGV responsável pela pesquisa,
Marcelo Neri, o declínio católico é reflexo de anos de estagnação
econômica. Evangélicos oferecem serviços, proteção social
e até a possibilidade de ascensão social. Segundo Neri, 20,6%
da população que mora em favelas é formada por evangélicos.
"São lugares onde os religiosos assumem a função do poder
público", conclui.
Com colégios católicos e igrejas,
Copacabana é o bairro com mais fiéis
A feérica Copacabana engana. O
bairro cosmopolita, cheio de bares e boates, é também um caldeirão
de fé católica. A própria história do bairro, ligada a chegada
de uma imagem de Nossa Senhora de Copacabana há mais de século,
ajuda, mas como diz o padre José Roberto Devellard, 60 anos,
pároco da Igreja Nossa Senhora da Ressureição, o fato de a
Zona Sul ter muitos colégios católicos e igrejas com padres
próximos de suas comunidades contribui para a corrente de
fiéis.
Uma corrente formada por gente
como o casal Olavo Lopes de, 72, e Maria Alice Farias, 70,
que vai à missa de segunda a sábado, religiosamente. Eles
não acham que o número de católicos diminuiu. "Existem os
que se dizem católicos, mas nunca foram", diz Olavo. Para
o casal, a Igreja deve se democratizar em alguns aspectos,
caso do uso da camisinha e de contraceptivos, mas continuar
contra o aborto. Já Ana Elisa Teixeira Silva, 64, defende
mais igrejas e escolas católicas.
Padre José Roberto não vê
redução no rebanho católico, mas uma mudança dos tempos que
permite ao fiel dizer que não vai à igreja, mas quando vai
participa. "Mudou o mundo. Esses católicos quando sentem vontade
de rezar vão à Igreja e viram duplicadores da religião", crê.
Padre Zeca, também da Ressurreição,
lembra que a Igreja tem vários desafios diante do mundo moderno.
"Um deles é o da comunicação. Falar uma língua que seja entendida
por todos", afirma.
Na Baixada maioria é afro

O coordenador executivo do Institiuto
Cultural de Apoio e Pesquisa às Religiões Afro do Rio (Icapra),
Marcelo Fritz, comentou o resultado da pesquisa do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que destacou
Nilópolis como o município do estadio do Rio com o maior número
de adeptos das religiões afro. "Isso ocorre porque há muitos
templos na região desde a vinda de religiosos no início do
século 20 para esta parte do estado. Eles vieram em busca
de áreas maiores e mais baratas e fugindo do preconceito",contou.
"Desde o tempo desta migração até hoje a Baixada Fluminense
concentra uma grande quantidade de templos da cultura afro",
explicou.
Outro apontamento do IBGE
indica que o município de Belford Roxo tem o maior número
de pessoas sem religião. Mas evangélicos defendem o bairro:
"Só aqui na área do Parque São Vicente há uma concentração
de cerca de 15 igrejas num raio de 1 Km", afirma o pastor
da Assembléia de Deus da região, André Luiz Rodrigues.
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