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Apesar da condenação de Bento XVI, deputados aprovam união
homossexual e adoção de crianças por gays
MADRI. O Congresso espanhol desafiou
a orientação do Papa conservador Bento XVI e
aprovou projeto de lei que permite o casamento entre gays
e a adoção de crianças por casais do
mesmo sexo. A decisão reacende o conflito com a Igreja
num país em que 90% da população é
formada por católicos 36,4 milhões de
espanhóis.
A mudança na lei espanhola, que substituirá
os termos marido e mulher por cônjuges,
foi repudiada pela Igreja Católica. Em comunicado,
bispos do país condenaram a aprovação
do projeto. O bem superior das crianças exige
que elas não sejam adotadas por casais do mesmo sexo,
disseram religiosos.
A medida que indignou a Igreja espanhola certamente vai
desagradar também ao Papa Bento XVI. Quando esteve
à frente da Congregação para a Doutrina
da Fé, o cardeal Joseph Ratzinger escreveu: Não
existe qualquer fundamento para assimilar ou estabelecer analogias
entre as uniões homossexuais e os desígnios
de Deus.
Holanda e Bélgica já tinham aprovado união
entre gays
Há dois anos, Ratzinger conclamou todos os parlamentares
católicos do mundo a não defender a união
civil homossexual. Na época, países europeus
como Holanda e Bélgica aprovavam leis nesse sentido.
O Partido Popular e um grupo nacionalista cristão da
Catalunha se opuseram à lei.
A Espanha é o primeiro país a autorizar a
adoção por casais homossexuais, já que
Holanda e Bélgica permitem apenas o casamento. A lei,
aprovada por 183 votos a 136, ainda será submetida
ao Senado e novamente aos deputados, mas isso deverá
ser mera formalidade. A lei também garante o direito
a herança e pensões.
É injusto ser um cidadão de segunda
classe por causa do amor, disse a deputada Carmen Montón.
A Espanha se une à vanguarda dos que defendem
a total igualdade para gays e lésbicas.
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