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ROMA (Reuters/IG) - Quando foram queimadas
as cédulas da última eleição papal
na Capela Sistina, um cardeal ficou observando a história
ser escrita.
"Eles colocaram os papéis e eu fiquei olhando",
disse o cardeal inglês Cormac Murphy-O'Connor, relembrando
o momento, na terça-feira, em que o forno da Capela
Sistina produziu uma fumaça branca para dizer ao mundo
que os prelados ali reunidos tinham escolhido um novo papa.
"Eu pensei: 'Vou observar isso porque talvez não
tenha outra chance"', disse na quarta-feira Murphy-O'Connor,
que, aos 72 anos, participou de seu primeiro conclave para
eleger um novo chefe para a Igreja Católica.
O que Murphy-O'Connor e os outros 114 cardeais trancados
na capela renascentista não sabiam é que, do
lado de fora, o mundo ansioso não conseguiu definir,
de início, se a fumaça era branca -- anunciando
a eleição do novo pontífice --, ou preta,
sinalizando uma não-definição.
Os cardeais não faziam idéia da confusão
que dominava a Praça São Pedro, lotada com milhares
de peregrinos, disse o inglês.
"Há uma pequena máquina que diz se a fumaça
é preta ou branca, então achei que estava claro",
disse o arcebispo de Westminster, líder de 4 milhões
de católicos na Inglaterra e no País de Gales.
Quando o alemão Joseph Ratzinger foi eleito na quarta
eleição do segundo dia de conclave secreto,
os cardeais irromperam em aplausos, afirmou o arcebispo inglês.
"Todo mundo aplaudiu, mas ele estava com a cabeça
abaixada. Acho que ele deve ter feito uma oração",
disse Murphy-O'Connor.
Então, quando Ratzinger anunciou que adotaria o nome
de Bento 16, ele disse brincando aos cardeais que Bento 15
tinha tido um "pontificado curto", contou outro
participante do conclave, o cardeal austríaco Christoph
Schoenborn.
Schoenborn disse à Rádio Vaticano que Ratzinger,
em seguida, explicou o motivo verdadeiro para sua opção.
"Bento 15 foi um papa da paz em tempo de guerra",
disse.
"Ele fez referência a são Bento de Nórcia,
o pai do monasticismo, patrono da Europa e um homem de grande
fé", disse Schoenborn.
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