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A
Estrada de Ferro do Corcovado
Alexandre
Ventura
A
Estrada de Ferro do Corcovado está completando 117 anos no
dia 9 de outubro. Inaugurada em 1884 por D. Pedro II, foi a primeira
ferrovia eletrificada do Brasil. O
caminho que leva à estátua do Cristo Redentor nasceu
da paixão do imperador D. Pedro II pela paisagem local: do alto
do morro aprecia-se uma fantástica visão da cidade.
Ou seja, foi a primeira Estrada de Ferro construída no Brasil exclusivamente
para fins turísticos. Dá para imaginar a emoção
dos 31.885 passageiros transportados no ano seguinte ao início do
funcionamento do trem ao se depararem com a vasta vegetação
que acompanha os trilhos.
A implantação
da Estrada de Ferro do Corcovado foi iniciada em 1882. Dois anos
depois, o trecho entre o Cosme Velho e as Paineiras foi inaugurado,
com a presença da família imperial. O trem, na época a vapor, foi
considerado uma modernidade idealizada pelos engenheiros Francisco
Pereira Passos e João Teixeira Soares por percorrer 3.829 metros
de linha férrea, em terreno totalmente íngreme. Uma curiosidade:
o sistema de tração através de cremalheiras, catracas que impedem
o trem de escorregar na subida mesmo que seja obrigado a parar,
é utilizado desde da fundação da estrada.
Em
1885, é inaugurado o trecho entre as Paineiras e o Corcovado,
completando assim a extensão total da Estrada de Ferro. Os passeios
ao Corcovado se tornariam, então, obrigatórios para
todos que visitassem a cidade. Até um hotel foi instalado
nas proximidades da estação - o Hotel das Paineiras.
Em
1910, a companhia The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power -
conhecida como Light - concessionária da Estrada de Ferro do Corcovado
desde 1906, substitui o vapor pela eletricidade devido a questões
econômicas e ambientais. Dois anos depois, foi inaugurada a primeira
estrada de ferro eletrificada da América do Sul, a Estrada
Cosme Velho-Corcovado. Em 1979, modernos vagões substituíram os
pioneiros feitos em madeira. A partir de 1979, os visitantes contam
com modelos trazidos da Suíça, mais modernos e seguros, que constituem
a 3ª geração do famoso trenzinho.
A
beleza da Mata Atlântica
Quem
prefere chegar à estátua do Cristo Redentor pelos
trilhos da Estrada de Ferro do Corcovado surpreende-se, a cada instante,
pela exuberância da Mata Atlântica no caminho ao monumento.
A
viagem começa na Estação do Cosme Velho, tombada pelo Patrimônio
Histórico, segue pela Serra da Carioca e termina na Estação do Corcovado,
a 710 metros de altura.
O trem
da Estrada de Ferro do Corcovado leva uma média de 400 mil
passageiros por mês à estátua do Cristo Redentor.
São de 2500 a 3000 pessoas por dia, nos meses de alta temporada.
Deste total, 70% são turistas estrangeiros: uma Babel de
línguas se aglomera na entrada do trem. "Já estamos
acostumados a orientar tamanha quantidade de turistas", comenta
Elaine Barros, que trabalha na Estação do Cosme Velho,
e elege os turistas americanos e franceses como mais simpáticos.
"Mas quando eles vêm em grupo, com guias, é melhor",
lembra Elaine.
O
maquinista Alexandre Ferreira, 30, transporta por viagem até
124 passageiros nos dois vagões do trem. Há 7 anos
na função, ele diz que as reações dos
visitantes são as mesmas: admiração e euforia.
E não é para menos; em
20 minutos, o trem atravessa,
a uma velocidade média de 12Km/hora, a maior floresta urbana do
mundo: o Parque Nacional da Tijuca. "Os turistas pedem para
tirar fotos, ficam muito entusiasmados", diz Alexandre, que
aponta como ponto positivo da profissão, além de conviver
diariamente com tão linda paisagem, o fato de poder conhecer
pessoas diferentes.
E para
preservar tamanha beleza, o passeio turístico ainda vira
passeio ecológico: o trem elétrico, não poluente,
destina parte da arrecadação da bilheteria ao Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente (Ibama) para conservação da Mata Atlântica.
Até
Einstein já viajou pelo trem
D.
Pedro II foi o primeiro, mas muitos visitantes famosos já
passaram pelos trilhos da Estrada de Ferro do Corcovado nesses 117
anos. A lista é extensa: desde líderes religiosos
até artistas, passando por autoridades políticas.
Em
1934, o trem recebeu a visita do então secretário de Estado do Vaticano,
Eugênio Pacelli. Cinco anos depois, Pacelli se tornaria o Papa Pio
XII. Em
1980, o Papa João Paulo II deu o ar de sua graça no trem.
De quebra, abençoou a cidade do Rio lá de cima, aos
pés do Cristo Redentor.
O cientista
Albert Einstein deu um tempo na Teoria da Relatividade e veio dar
uma voltinha pela trilha. O rei Alberto da Bélgica e a princesa
Diana não quiseram ficar de fora do passeio e também
se sentaram em um dos dois vagões do trem. Até o Pai
da Aviação, Santos Dumont, deixava de voar para freqüentar,
assíduamente, a estrada que leva ao Cristo Redentor. Mais figuras
importantes? Os ex-presidentes Getúlio Vargas e Epitácio Pessoa.
Antes
da subida, um café no vagão
O
Cristo Redentor comemora seus
70 anos no dia 12 de outubro, mas três dias antes, a Estrada de
Ferro do Corcovado estará completando 117 anos. Vários eventos
estão programados durante a semana para celebrar a data, mas o melhor
presente está reservado aos que visitam o cartão postal: a inauguração
do Espaço do Trem do Corcovado, na Estação Cosme Velho da estrada.
O Espaço
Cultural do Trem do Corcovado terá uma entrada independente da estação
que leva ao monumento. No local, 10 painéis interativos contarão
a história da trenzinho e do Cristo Redentor. O molde da cabeça
do Cristo, arrematado pela prefeitura em leilão em agosto, ficará
em exposição no local. Além disso, os turistas terão a disposição,
enquanto aguardam a chegada do trem, uma praça de alimentação, um
café dentro de um vagão e lojinhas vendendo produtos com a marca
do Trem do Corcovado. Até a antiga locomotiva dos anos 70 terá outra
função: servirá de bar para os garçons.
"Procuramos
dar mais conforto aos turistas. O número de visitantes da terceira
idade, por exemplo, tem aumentado a cada dia, e precisamos dar outras
opções de lazer no local", conta o assessor da Estação de Ferro
do Corcovado, Mério Magalhães. Com a inauguração do espaço, o local
de embarque ao trem será modificado. O centro funcionará no anexo
da estação, onde os trens ficam parados. "As pessoas têm curiosidade
de ver os trens em manutenção", diz Mério. Segundo ele, a idéia
do centro já existia, mas só agora com o gancho dos 70 anos do Cristo
Redentor foi colocada em prática.
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