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O
Cristo é da praia, o Cristo é Carnaval!
Se
o papa é pop, Cristo é mais ainda. A estátua do Redentor já foi
motivo, diversas vezes, de divergências entre a Arquidiocese do
Rio e artistas e empresas que, inspiradas no cartão postal carioca,
acabaram comprando briga com a cúpula religiosa.
Em
julho de 2001, durante os desfiles da 8ª Semana BarraShopping de
Estilo, os donos da Salinas, Antônio e Jacqueline De Biase, tiveram
que se desculpar com o então arcebispo do Rio, Dom Eugenio Sales,
depois de ele ter entrado com uma queixa-crime pelo uso da imagem
do Cristo Redentor na estampa de maiôs e biquínis griffe. A Salinas
teve que se comprometer a não usar mais a imagem na coleção, inspirada
na arte naïf, com reproduções da tela Rio Eu Gosto de Você,
de Lia Mittarakis. De acordo o arcebispo, os estilistas tiveram
um "desejo propagandístico de chocar". A "profanação" ao símbolo
virou acusação de ofensa ao sentimento religioso.
Para
o advogado da Arquidiocese, as peças afrontavam a dignidade da pessoa
cristã, e correspondiam a um crime previsto no artigo 208 do Código
Penal Brasileiro: vilipendiar publicamente uma imagem religiosa.
Ele chegou a pedir a apreensão de todas as peças com a estampa sagrada.
Mas, como os modelos ainda não tinham entrado em produção, tudo
continuou na santa paz!
Em
2000, a Peugeot também tentou usar a imagem em outdoors, anunciando
a escolha do Rio como sede da fábrica. No entanto, a montadora teve
que recuar diante dos pedidos da Arquidiocese.
Mas,
certamente, o episódio que mais causou polêmica entre a cúpula religiosa
e o mundo da arte foi quando a estátua apareceu em plena Marquês
de Sapucaí, em um desfile da Beija-Flor.
O
carnavalesco Joãozinho Trinta botou ricos e pobres, reis e mendigos,
juntos na Avenida, em 1989, no memorável enredo Ratos e Urubus,
Larguem Minha Fantasia. A polêmica? Uma imagem do Cristo Redentor
de braços abertos para toda a impunidade e desigualdade carioca,
representada em um carro alegórico da escola. A Arquidiocese proibiu
o uso da imagem sagrada em um ritual pagão, mas Joãozinho não se
fez de rogado: um Cristo coberto por um plástico preto e com uma
faixa com os dizeres "Mesmo proibido, olhai por nós" percorreu a
Passarela do Samba emocionando os foliões. Das polêmicas, ficou
a certeza: o Cristo dá samba e praia.
As
medidas do monumento
Molde
da cabeça do Cristo foi parar em leilão
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