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Combustível para crescer

Seminário discute importância do setor no desenvolvimento do estado e do País. Rio tem programa de biodiesel avançado e se destaca na diversificação da matriz energética nacional

Luciene Braga

Rio - O Grupo O DIA de Comunicação e a Petrobras promovem hoje o seminário “Um Brasil que Cresce”, no auditório da estatal, a partir das 14h. O objetivo é discutir o desenvolvimento com base na indústria energética. O governador Sérgio Cabral, os presidentes da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e do BNDES, Demian Fiocca, e a diretora-presidente do Grupo O DIA, Gigi Carvalho, participam do evento.

 

Um dos painéis vai expôr a participação do Rio — centro da indústria do petróleo nacional — no desenvolvimento do País. O estado também se destaca como pólo de produção de energias renováveis. O Rio Biodiesel é um dos programas mais adiantados do País e já tem projeto-piloto em andamento, na cidade de Campos, no Norte Fluminense.

 

PATENTE

Segundo o professor e coordenador do programa de biodiesel da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Sérgio Neves, é possível preparar o País para atender à demanda de adição de 2% do biocombustível ao diesel fóssil. A mistura hoje é de “uso recomendável”, e se tornará obrigatória em 2008. Mas incentivos estaduais e federais ao programa, que estabelece o percentual de 5% em 2013, mostram que a participação do biocombustível na matriz energética é irreversível.

 

Na Região Norte, o dendê pode ser usado, enquanto o Centro-Oeste e o Sul tendem a utilizar a soja. A transgênica seria ideal, porque tem alto índice de aproveitamento por hectare, sem consumo humano. No Nordeste, é viável a adoção da mamona. Para o especialista, no Sudeste, também seriam opções a escuma de esgoto e o óleo de fritura usado por grandes redes de lanchonetes — que deixaria de ser descartado ou filtrado e reaproveitado para novas frituras, causando problemas de saúde.

 

“A patente mundial de uso do esgoto sanitário, que remete aos programas de ficção científica, é dos pesquisadores da Coppe-UFRJ”, destaca Neves. “Bastaria determinação legal das autoridades estabelecendo a obrigatoriedade de destinação desses resíduos para a produção de óleo”, acrescenta.

O crescimento da importância do biocombustível no cenário internacional — China, Índia e Japão já anunciaram que comprarão toda a produção nacional — já atrai empresas de outros setores. A Companhia Vale do Rio Doce, por exemplo, grande exportadora de soja transgênica, encomendou um estudo para aproveitar resíduos da soja perdidos no transporte do grão. São 400 toneladas por ano descartadas em aterros sanitários que passarão a ser aproveitadas na nova energia.

 

Vantagem na cena mundial

Índia e China têm áreas para plantio destinado à produção de biodiesel. Mas, sem o privilégio continental e populacional do Brasil, os dois países, com população superior a 1 bilhão de pessoas, têm de reservar áreas de cultivo para alimentação.

 

O Brasil entra nesse mercado com tecnologia: a patente mundial do H-Bio (biodiesel hidrogenado), por exemplo, é da Petrobras. A experiência nacional, que dá o Selo Combustível Social a quem compra de agricultores familiares, fez com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugerisse que países ricos financiassem programas semelhantes em nações pobres, como forma de reduzir as desigualdades.

 

Rio terá apoio à produção de pinhão manso

O Rio de Janeiro também vai produzir pinhão manso com apoio de agricultores familiares. O empresário William Herbert Mac Laren e o prefeito de Rio das Flores, Vicente de Paula Guedes, assinaram termo para pesquisa e validação do uso do biodiesel em unidade industrial de refino que será construída no município.

 

As obras deverão começar em fevereiro, e a produção, no ano que vem. A previsão é gerar 800 empregos diretos e indiretos. “Nós daremos mudas e assistência técnica ao plantio aos agricultores que contratarmos”, explicou o empresário, que pretende investir R$ 30 milhões no negócio, podendo atingir R$ 100 milhões.

 

No fim do ano passado, a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) concedeu licença ambiental à Refinaria de Manguinhos para iniciar a produção de biodiesel no estado. Amanhã, Lula vai inaugurar em Crateús (CE) usina da Brasil Ecodiesel, que comercializa 58% do biocombustível no País.



Realização:   Grupo O Dia

O credenciamento para cobertura jornalística do Seminário está a cargo da Holofote Comunicação,
e acontece até o dia 28/01, com Claudio Hollanda (claudio@holofote.com) e Claudia Kucharsky (claudia@holofote.com). Informações: (21) 2556-2393