País está livre de risco de apagão nos próximos anos

O Brasil não terá problemas no abastecimento de energia nos próximos anos. A garantia é do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que participou ontem no Rio do seminário “Um Brasil que Cresce”, promovido pelo Grupo O DIA de Comunicação, com patrocínio da estatal. O encontro reuniu autoridades para discutir o desenvolvimento do País, uma semana após a divulgação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que tem na petrolífera um dos maiores investidores. Serão 183 projetos, no valor de R$ 171,7 bilhões, que fazem parte do Plano Estratégico 2007-2010.
Em sua apresentação “A influência da Petrobras no crescimento econômico brasileiro e do Estado do Rio de Janeiro”, o executivo enumerou projetos que vão beneficiar a região, entre eles empreendimentos do setor energético, como a instalação de uma das duas plantas de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL), provavelmente na Baía de Guanabara, com capacidade de armazenar 14 milhões de metros cúbicos.
GERAÇÃO DE ENERGIA
A unidade vai suprir a demanda de gás natural de termelétricas, seguindo política nacional de despacho de energia com essa função. “Em julho de 2008, a planta entrará em operação. O uso do gás para as térmicas não é contínuo, tem é de estar disponível”, disse Gabrielli. “No que depender da Petrobras, não há risco de apagão”, assegurou. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em visita ao Rio, também descartou a possibilidade de apagão em função do crescimento econômico.
O diretor de Infra-Estrutura do BNDES, Wagner Bittencourt de Oliveira, dedicou parte de sua apresentação ao montante em projetos voltados para a expansão da geração de energia no País. “O BNDES dedicou atenção especial ao setor de energia.
Especificamente para o segmento, o custo financeiro nas operações caiu de 2,5% (2005) para 1% (2007)”, destacou Oliveira. Para o PAC, que prioriza logística, as taxas caíram de 2,5% (2005) para zero (2007), no setor ferroviário.
José Sérgio Gabrielli afirmou que o PAC não terá dificuldade na liberação de recursos, mas um possível obstáculo aos projetos viria da complexa gestão de cada empreendimento. E mencionou burocracia, tensão regulatória, mobilização de conhecimentos especiais, recursos produtivos não disponíveis (equipamentos e ou insumos industriais) e a questão ambiental.
Cabral é
contra a discussão de PAC paralelo
Presente ao seminário, o governador Sérgio Cabral criticou a tentativa de governadores de incluir no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) mais investimentos para seus estados. “Sou contra essa discussão de PAC paralelo. O importante são projetos que beneficiem toda a Federação”, afirmou. Na segunda-feira, 12 governadores se reuniram em Brasília para propor mudanças no PAC.
Cabral garantiu que a construção do arco rodoviário, prevista no programa, será um modelo de crescimento organizado: “O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) estuda plano diretor do crescimento da região no entorno do arco, para que possamos aproveitar a obra e estabelecer um crescimento organizado. A área será voltada para logística”. O governador disse ainda que micro e pequenos empresários terão “pauta específica”, que incluirá a desburocratização.
Petróleo impulsiona indústria
Os empreendimentos da Petrobras têm forte influência sobre vários setores da indústria brasileira, principalmente para a economia fluminense. O vice-presidente da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), Raul Eduardo David de Sanson, destacou a relevância dos empreendimentos do PAC, como o Complexo Petroquímico do Estado do Rio, nos municípios de Itaboraí e São Gonçalo.
O empreendimento vai receber R$ 21 bilhões em investimentos — R$ 8,2 bilhões até 2010 — e gerar 212 mil empregos na construção, mais 50 mil na operação: “O Mapa do Desenvolvimento lançado em 2006 destaca o setor como um dos principais no estado. Para se ter idéia do impacto da indústria no crescimento do estado, a Firjan destinará R$ 30 milhões à nova sede do Centro de Formação Profissional em Rio das Ostras”.
Entre royalties, participações especiais e ICMS, a Petrobras destina 34% do total ao Rio. Dos US$ 75 bilhões que serão investidos nos próximos cinco anos no País, 42% ou US$ 31,2 bilhões ficarão no estado. A participação da Petrobras no PIB do Rio subiu de 3,4%, em 1996, para 21,3%, em 2005.
DISCUSSÃO IRRENUNCIÁVEL
GIGI CARVALHO, diretora-presidente do Grupo O DIA de Comunicação
“A discussão sobre o crescimento é irrenunciável para o nosso presente e vital em nosso futuro”.
WAGNER BITTENCOURT DE OLIVEIRA, diretor do BNDES
“Esses projetos podem levar ao crescimento do País. E que, assim, a gente consiga crescer a taxas certamente maiores do que as dos últimos anos”.
RAUL EDUARDO DAVID DE SANSON, vice-presidente da Firjan
“Os royalties devem ser aplicados em projetos de geração de emprego e renda fora da cadeia de petróleo”.
PAULO MANSUR LEVY, diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea
“É preciso aprofundar o ajuste fiscal, reduzir gastos correntes e carga tributária e enfrentar o desequilíbrio da Previdência. É preciso desvincular o salário mínimo do INSS”.
JOSÉ SÉRGIO GABRIELLI, presidente da Petrobras
“Não sou favorável à desindexação do salário mínimo dos benefícios da Previdência. Sou favorável a uma política de longo prazo para o mínimo brasileiro, que tem um papel muito importante na redução da desigualdade no País”.
SÉRGIO CABRAL, governador
“Os dois maiores investimentos público e privado previstos no PAC serão no Rio: o Comperj, em Itaboraí e São Gonçalo, com investimento previsto de US$ 8,2 bilhões — e a siderúrgica da Thyssen, orçada em 3 bilhões de euros.
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