O seminário reservou ao diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), Paulo Mansur Levy, a responsabilidade de traçar os principais obstáculos ao crescimento do País. O que, em suas palavras, “não consta do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”. Posicionando o Brasil como se estivesse em uma encruzilhada, ele destacou os desafios macroeconômicos do ambicioso projeto lançado pelo governo federal.
“Para o papel da manutenção da estabilidade, outro fator crucial para o desenvolvimento sustentável, é preciso destacar algumas questõeschave. Promover ajuste fiscal no sentido de melhorar a trajetória da dívida pública. É preciso, então, reduzir o ritmo do crescimento dos gastos correntes do governo”, disse. A diminuição da carga tributária seria outra forte exigência para os investimentos privados.
O investimento público e
o enfrentamento do desequilíbrio
nas contas da Previdência
Social também foram
citados pelo economista,
que apresentou a variação
do Produto Interno Bruto
Nacional (PIB) nos últimos
anos — 2,3% (2005); 2,8%
(2006); e 3,6% (2007, como
projeção). “É um crescimento
muito baixo, se compararmos
com os números do
crescimento dos chineses,
por exemplo”. Segundo Levy,
há expectativa de taxa de
investimento de 21,5% do
PIB em 2007. Para que o Brasil
possa atingir o grau de investimento
desejado, é fundamental
que haja uma redução
das taxas de juros aos
níveis internacionais.
PREVIDÊNCIA PREOCUPA
O Ipea projeta, para o fim de
2007, redução da Selic (taxa
básica de juros da economia)
para 11,5% ao ano. “Por
volta de 2014, talvez possa ficar
no patamar de 5% ao
ano”, estima Paulo Levy.
Outra questão que o especialista abordou como primordial para equilibrar as contas do governo é a previdenciária. A participação da despesa sobre o PIB era de 3% em 1991, mas atingiu 8%, no ano passado. Para este ano, a projeção é de 8,2%.
“A reforma se faz necessária, desde que sejam mantidos os direitos conquistados. Mas é preciso estabelecer idade mínima para a aposentadoria, reduzir as diferenças (hoje de cinco anos) entre homens e mulheres e professores, assim como desvincular os reajustes do salário mínimo dos benefícios da Previdência Social”, defendeu o economista.
Discussão sobre
gastos públicos
O PAC estabelece uma dinâmica
diferente para os
gastos do governo. Em vez
do arrocho nos investimentos
públicos, o governo se
dispõe a investir 12% nos
projetos. Fora a participação
das estatais, que eleva esse
percentual. E também contraria
os números dos economistas
que reivindicam a
desvinculação dos reajustes
da Previdência Social aos do
salário mínimo como medida
para conter o déficit no
INSS. Isso poderia fazer com
que os pisos previdenciários
se tornassem inferiores aos
valores pagos aos trabalhadores
da ativa.
O presidente da Petrobras,
José Sérgio Gabrielli,
defendeu o aumento dos investimentos
públicos das estatais
e a recuperação do salário
mínimo, sem a desvinculação
dos benefícios do
INSS: “Sou favorável a uma
política de longo prazo para
o mínimo, que tem papel
muito importante na redução
da desigualdade no País.
Sou favorável à inclusão de
segmentos da população brasileira
que ficaram marginalizados
muitos anos e que
têm direito a uma previdência
digna. Isso significa que
nós vamos financiar esse déficit
de alguma maneira”.
SETORES DEFENDEM MAIOR SEGURANÇA E TAMBÉM OUSADIA PARA OS INVESTIMENTOS
POLÍTICA
PARA A
INDÚSTRIA
“É preciso criar uma
verdadeira política industrial
para toda a cadeia
nacional de bens e serviços
relacionados a atividades
petrolíferas. Para
colocar a indústria brasileira
na rota da competitividade,
precisamos estabelecer
metas e prioridades,
com envolvimento
de vários setores, da iniciativa
privada ao governo.
De forma que possam
ser resolvidas questões
fiscais, tributárias e
de infra-estrutura, que
formam o Custo Brasil”
Raul Eduardo de Sanson, vice-
presidente da Firjan
ESTRADA
COMO UM
EXEMPLO
“Quando foi iniciada a
construção da Estrada
de Ferro Carajás, da Companhia
Vale do Rio Doce,
em 1981, as instituições
representadas por especialistas
e autoridades
muito influentes e conhecidas
lançaram diversas
críticas. Eles duvidavam
da lógica empresarial
que levou ao empreendimento.
Achavam até que
o cupim comeria a madeira,
que não haveria mercado.
Como se vê, o empreendedorismo é a raiz
de todo crescimento”.
Wagner Bittencourt de Oliveira, diretor do BNDES
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