| Enredo - Caxias,
o caminho do progresso - um retrato do Brasil Intenção
do enredo
A grande inspiração sempre acontece quando
o nosso tema está ligado aos nossos mais puros sentimentos.
Um dos mais antigos e apaixonantes motivos que tem movido
os homens através da história é o seu
chão, "Caxias" será honrosamente o
nosso enredo para o carnaval de 2007,e certamente nos trará
mais motivação e garra para conquistarmos o
nosso sonho maior ,sermos os campeões do Carnaval do
Rio de Janeiro, cantando , sambando e contando a história
do nosso querido município, ou melhor, o nosso pedacinho
de terra onde nascemos, crescemos, vivemos e do qual temos
tanto orgulho por sua posição de destaque no
cenário nacional, bem como referencia em tantos segmentos
de desenvolvimento social, cultural e industrial.
A expansão e o desenvolvimento da humanidade implica
em deslocar-se e fixar-se em algum lugar com a esperança
de viver e prosperar, perseverando e amando seu solo sagrado,
seu lar . O homem sente-se seguro para planejar o seu futuro
labutando e solidificando sua família e dar segurança
e alicerces para os seus ascendentes.
Não foi diferente com o município de Duque
de Caxias, que surgiu do sonho de prosperidade de tantos agricultores
e outro tanto de plantadores e colhedores de laranjas, lá
pelos idos do início do século vinte.
Isso mesmo! A região que durante centenas de anos
foi apenas caminho de passagem para a interiorização
da nova colônia, passaria a ser vista como ponto de
chegada para a esperança de progresso com a nova cultura,
assim foi feito , de tal forma , que a região passou
a ser a maior produtora de produtos cítricos para o
consumo interno e também tornou-se a maior exportadora
do insumo do mundo durante as primeiras décadas dos
anos de 1900. Conseqüentemente e inevitavelmente a migração
dá origem a um núcleo habitacional cercado de
vantagens que poucas regiões poderiam oferecer.
A proximidade da capital federal, solo privilegiado para
várias atividades e com toda a possibilidade de expansão,
proporcionaria as condições ideais para o seu
desenvolvimento. Na década de 30 um novo caminho se
vislumbra, a região ganha projetos piloto do governo
federal, a semente da industrialização é
plantada.
Agora esta rota tem um fim. O município criado em
1943, será berço e laboratório de projetos
arrojados de vários governos, alicerçando a
produção industrial como na Fábrica Nacional
de Motores, entre muitas outras. Este progresso provoca um
processo de imigração de mão de obra
, conseqüentemente desenvolvendo demograficamente a região.Caxias
torna-se o retrato 3x4 do Brasil; seu povo lutará contra
os desmandos, a opressão e também contra a pobreza.
Este mesmo povo manterá viva a sua vocação
para manifestações folclóricas, buscará
em si e nas suas mais variadas manifestações
de fé a força para crescer e progredir.
Tal qual o país, renasce a cada dia na esperança
e na alegria. Como no passado, o futuro nos reserva caminhos
e, olhando para frente surgirão meios para construir
um município socialmente cada vez melhor e assim somaremos
para um Brasil ainda maior.
A Escola de Samba Acadêmicos do Grande Rio tem a honra
e o enorme prazer de levar para o Carnaval de 2007 a sua cidade,
com o mesmo espírito dos "caxienses" que
somos.Une-se em torno do tema todo o município em um
só coração, cheio de orgulho para contar
e cantar com toda a garra, a força deste povo que alimentará
a nossa refinaria da folia e o nosso combustível será
a felicidade.Este enredo traça trilhas e rotas. Redescobre
os caminhos que antes eram de passagem e hoje são de
progresso e crescimento social.
Desenhamos uma linha que passa também pela "Vermelha",
rumo à "Marquês de Sapucaí",
para o maior espetáculo da terra, o "Desfile das
Escolas de Samba do Grupo Especial", do qual nós
"Grande Rio" fazemos parte.Mostraremos para o mudo
inteiro que estamos de braços abertos para a alegria,
cumpriremos a nossa vocação para a felicidade,
porque somos Caxias, somos Brasil.
Roberto Szaniecki - Carnavalesco
O ENREDO
Primeiro Setor- UM POVO FORTE
A história de Duque de Caxias está diretamente
ligada ao crescimento da cidade de São Sebastião
do Rio de Janeiro. O vai e vem de pessoas pelas terras determinaram
várias mudanças no perfil da região.
O povoamento da área que hoje constitui o Município
de Duque de Caxias iniciou-se em 1566. A capela de Nossa Senhora
do Pilar - que no século XIX daria origem à
da freguesia de mesmo nome - foi erguida em 1698. As lavouras
de cana-de-açucar, arroz milho e mandioca representam
a primeira fonte de riqueza, mas a prosperidade inicial terminou
na Segunda metade do século XIX, devido ao desmatamento
e à obstrução dos rios. O progresso econômico
voltou com as obras de saneamento realizados por Nilo Peçanha,
seguidas pela construção de estradas, especialmente
a Rio-Petrópolis. O Município recebeu o nome
de Duque de Caxias em 1943.
A locomotiva passou a ser a melhor opção não
só de passageiros mas também para o transporte
de mercadorias. A população cansada dos naturais
isolamentos, das doenças ribeirinhas começa
a mudar-se para as margens das ferrovias, em principal nas
paradas dos trens – onde se tinha água e lenha
que serviam como fonte de energia para a locomotiva. Nestas
paradas surgiam pequenas atividades de comércio, cortadores
de lenha, carvoeiros e homens de serviços em geral.
O crescimento rápido desta população
fez destas paradas importantes estações que
serão embriões dos futuros distritos de Nova
Iguaçu, como Nilópolis, Queimados, Japeri, Merity(Duque
de Caxias), Belford Roxo, Pilar, Xerém e Estrela.
O assoreamento dos rios causado pelo desmatamento, as febres
palustres e o fim da escravidão apressaram a decadência
econômica da Baixada, o que levou a população
em busca do Rio de Janeiro ou outras áreas produtoras
para sobrevivência.
A expansão urbana no século XX deu-se com a
expansão das ferrovias. A venda de terras, outrora
fazendas, retalhadas em lotes e vendidas a preços baixos
para a moradia ou transformadas em sítios para o plantio
de laranjais, estimulados pelos governos bem como a valorização
no mercado mundial. Pelos diversos distritos de Nova Iguaçu
cultivaram-se laranjais que ocuparam os morros e as colinas,
fazendo a riqueza dos chamados capitalistas da laranja. Esta
aparece nas pautas das exportações desde o ano
de 1891, mas o período áureo da citricultura
foi o da década dos anos trinta (1930-1939). Nos terrenos
enxutos onde, anteriormente, a cana-de-açúcar
pontificou, a laranja foi plantada. Nos terrenos de água-parada
foram as olarias que entraram em atividade, em razão
do barro de boa plasticidade. De 1930 a 1940, Com a Grande
Guerra, as exportações foram interrompidas e
os laranjais cederam lugar às atividades industriais.
As oscilações do mercado mundial com as guerras,
as técnicas impróprias para o cultivo e a valorização
de terras para fins urbanos após o saneamento, formaram
a decadência da citricultura nesta região, dando
lugar às "cidades dormitórios" de
uma população laboriosa que se deslocavam para
o Rio de Janeiro, diariamente, em busca do mercado de trabalho.
O processo desenvolvimentista inaugurado com a revolução
de 1930, a capitalização do campo, a seca no
nordeste, a saída em massa do campo e a crise no sistema
de parceria levaram ao êxodo rural. O inchaço
populacional nos grandes centros urbanos e a exploração
imobiliária pelo aumento constante do metro quadrado
do solo na capital, acaba empurrando grandes contingentes
populacionais, para estas históricas terras.
As fazendas fracionadas em sítios e chácaras
com seus imensos laranjais e horti-fruti-granjeiros, transformam-se
em áreas de loteamentos, de grilagem e ocupações
irregulares. Freguesias viram Distritos e estes em municípios.
A Estação de Merity, com seu povoado em volta,
vira o 8º Distrito em 1931, com o nome de Caxias.
Segundo Setor- A FABRICA CIDADE
Em 1942, em pleno Estado Novo, a Fábrica Nacional
de Motores (FNM) implantou suas bases em Xerém, Duque
de Caxias. Os pioneiros encontraram pela frente barreiras
impostas pela própria natureza: mata densa e uma área
pantanosa, que criava condições propícias
para a proliferação da malária. Isso
obrigou a fábrica a construir uma carpintaria, onde
se confeccionavam caixões para os funcionários
que morriam contaminados. O projeto ambicioso de colonização
e desenvolvimento industrial começou com a produção
de motores de aviões para fins militares. Era dado
o primeiro passo para uma época de ostentação,
luxo e crescimento.O modelo empregado para tal fim foi o Alemão,que,
consistia em organizar toda a força de trabalho vinculada
e dependente da fabrica,criando assim funcionários
monitorados em todos os sentidos de suas vidas. A eficiência
estava em primeiro lugar e estes deveriam se comportar de
forma quase autômata por causa da rigidez dentro e fora
da fabrica, o que funcionou nos primeiros momentos da produção.
A fábrica deixou marcas profundos na localidade, que
o tempo ainda não conseguiu apagar. Por onde se ande,
ainda hoje é fácil notar a importância
da FNM no crescimento do distrito. As casas dos operários,
as vilas luxuosas dos engenheiros, o hotel construído
em estilo italiano, a igreja e a delegacia são alguns
exemplos do que representou a passagem da fábrica para
a região.
Sob os horrores da II Guerra Mundial, começou em ritmo
intenso a produção dos motores de aviões
"Wright" (450 HP), os mais modernos fabricados no
país. Um aeroporto foi construído para pouso
e decolagem dos aviões. Eles transportavam os motores
das aeronaves que abasteciam a guerra. Hoje, o mato encobriu
a pista, mas o velho hangar ainda resiste à ação
do tempo.
Dois fatores contribuíram na transformação
da fábrica em sociedade anônima, em 1947: o fim
da II Guerra Mundial e a compra da Força Aérea
Brasileira (FAB) de centenas de aviões americanos,
exatamente iguais aos produzidos em Xerém. Através
do Decreto Lei 8.699, de 16 de janeiro de 1946, que entrou
em vigor um ano depois, acabava o período militar da
FNM.
Começava uma nova era na indústria e no distrito.
Uma romaria de trabalhadores se dirigiram para a região
em busca de emprego na estatal. A presença da FNM na
vida do operário era total. Foram construídas
duas vilas para os funcionários: Santa Lúcia
e Nossa Senhora das Graças, além de um acampamento
para os solteiros, no morro que ficava em frente à
entrada de Xerém. A fábrica dava aos funcionários
toda a estrutura e facilidade. Foi construído um posto
médico, escola para os funcionários, uma granja,
que fornecia aves e porcos, além de criação
e abate de gado na Fazenda São Lorenço.
Na Vila dos engenheiros, o toque de requinte e luxo não
foram esquecidos. São 13 casas que circundam uma área
de vista privilegiada. Pedras decorativas nas escadas, lampiões,
lustres, quadra de futebol de salão e piscina completavam
o cenário vivido pelos engenheiros. A igreja e o hotel
- em estilo italiano -, também são construções
que marcaram a fartura e a suntuosidade da época.
Em 1947, a FNM constrói os primeiros caminhões
brasileiros, após ter assinado um contrato com a fábrica
italiana Isota Franchini, que cedeu licença especial
para a produção dos veículos. Quatro
anos depois, a FNM firma contrato com a Alfa Romeu, de Milão,
na Itália, e substitui os modelos ultrapassados pelos
caminhões pesados: o Fenemê D-9300.
Nesta época a organização dos operários
já era notória, a rigidez dos primeiros anos
dava lugar ao primeiro modelo de sindicato metalúrgico
e este serviria como exemplo ,anos depois, para a formação
dos sindicatos do ABC Paulista.
Na década de 60, a Fábrica Nacional de Motores
lançou, em Brasília, o Alfa Romeu "JK",
em homenagem ao presidente da República. O carro possuía
seis lugares, motor quatro cilindros, 110 cavalos de potência,
seis mil rotações e cinco marchas para frente.
A queda na produção, a má administração
e ,principalmente, o endividamento com o BNDES levou a venda
da estatal para a Alfa Romeu, em 1968.
Terceiro Setor- A EMANCIPAÇÃO
A história de Duque de Caxias está diretamente
ligada ao crescimento da cidade de São Sebastião
do Rio de Janeiro. O vai e vem de pessoas pelas terras determinaram
várias mudanças no perfil da região.
Brás Cubas foi um dos primeiros nomes que receberam
terras nessa região. Na segunda metade do século
XV, começou, de fato, o povoamento dos Vales de Iguaçu,
Meriti, Sarapuí, Saracuruna e Capivari.
Com o aumento da população, as lavouras de
cana-de-açúcar, milho, feijão e mandioca
ofereceram riquezas aos proprietários de latifúndio.
Em 1833, o povoado de Iguaçú elevou-se à
Vila e foram anexadas a ela as terras do atual município
de Duque de Caxias.
No século XIX, foi instalado um trecho da ferrovia
que ligava a cidade do Rio de Janeiro à Estação
de Meriti. Com a abolição dos escravos em 1888,
aconteceram vários transformações na
vida econômica e social da Baixada Fluminense. As obras
de saneamento foram abandonadas, houve um atraso nas condições
propícias à saúde e várias enfermidades
surgiram. Entre elas, a malária e a doença de
Chagas.
O processo de emancipação da cidade esteve
relacionado à formação de um grupo que
organizou a União Popular Caxiense (UPC): jornalistas,
médicos e políticos locais. Em 1940, foi criada
a comissão pró-emancipação: Sylvio
Goulart, Rufino Gomes, Amadeu Lanzeloti, Joaquim Linhares,
José Basílio, Carlos Fraga e Antonio Moreira.
A reação do governo foi imediata e os manifestantes
foram presos.
O grande crescimento pelo qual passava Meriti levou o deputado
federal Dr. Manoel Reis a propor a criação do
distrito de Caxias. Em 14 de março de 1931, através
do ato do interventor Plínio Casado, foi criado, pelo
Decreto Estadual Nº 2.559, o distrito de Caxias, com
sede na antiga Estação de Meriti, pertencente
ao então município de Nova Iguaçu. Em
31 de dezembro de 1943, através do Decreto-Lei 1.055,
elevou-se à categoria de município recebendo
o nome de Duque de Caxias. Já a Comarca de Duque de
Caxias foi criada pelo Decreto-Lei nº 1.056, no mesmo
dia, mês e ano.
O município de Duque de Caxias limita-se ao Norte
com Petrópolis e Miguel Pereira; ao Leste com a Bahia
da Guanabara e Magé; ao Sul com a cidade do Rio de
Janeiro e ao Oeste com São João de Meriti, Belford
Roxo e Nova Iguaçu. Caxias possui clima quente, porém,
os 3º e 4º distritos (Imbariê e Xerém)
têm temperatura amena em virtude da área verde
e da proximidade da Serra dos Órgãos.
O Rio Meriti separa o município de Duque de Caxias
da cidade do Rio de Janeiro e o Rio Iguaçu delimita
Duque de Caxias de Nova Iguaçu. Já o Rio Sarapuí
faz a divisão entre o 1º e o 2º distrito
e o Rio Saracuruna separa o 2º do 3º distrito.
Com a emancipação, o município recebeu
grande incentivo em sua economia. Várias pessoas, oriundas
principalmente do Nordeste do Brasil, chegavam ao Rio de Janeiro
em busca de trabalho e elegiam Duque de Caxias como residência.estes
imigrantes foram decisivos para alavancar o desenvolvimento
da região porque os mesmos vinham com vontade de prosperar
e com as condições que lhes pareciam propicias
os moviam para tal.
Apesar de não participar de nenhum movimento pró-emancipação,
foi graças à iniciativa de José Luiz
Machado, mais conhecido como "Machadinho", que Meriti
passou a se chamar Caxias. Morador da localidade desde o início
do século XX, "Machadinho" e um grupo de
amigos foram à estação de trem, próximo
à Plínio Casado, para retirar a placa que tinha
o nome de Meriti e trocá-la por Caxias, uma homenagem
a Luiz Alves de Lima e Silva, que nasceu na região.
O acontecimento histórico foi registrado pelo jornal
"Tópico" (Duque de Caxias, 25/08/1958) em
comemorações pelo 15º aniversário
de emancipação político-administrativa
de Duque de Caxias. O jornalista Waldair José de Souza,
na época, assinou a seguinte matéria: "Nasce
uma cidade - memórias do homem que lhe mudou a denominação".
Meriti vinha ganhando melhorias feitas por Nilo Peçanha
como: bica d'água, saneamento, calçamento, postos
de correio e telégrafos. Aos poucos, o nome "Meriti
do Pavor", como a estação ferroviária
era mais conhecida, não era mais compatível
com a antiga Meriti de abandono e malária. Acompanhando
os ventos da mudança, no dia 6 de outubro de 1930,
"Machadinho", tendo ajuda de Jaime Fischer, Oswaldo
Gamboa, Américo Soares e Francisco Azevedo afixou a
placa como o nome de Caxias. Quatro meses depois, em 1931,
foi criado o distrito de Caxias, 8º de Nova Iguaçu,
que perdurou até 1943.
Caxias também fez nomes de projeção
na política elegendo o primeiro deputado federal da
baixada fluminense, Tenório Cavalcanti nascera em Palmeira
dos Índios, em Alagoas, tendo se mudado ainda criança
para Duque de Caxias no final dos anos 20. Sua infância
fora humilde, na maior parte passada no sertão nordestino.
Na época de sua chegada no Rio, Duque de Caxias era
apenas um gueto cruzado por ruas de terra batida. Habitado
na maior parte por imigrantes nordestinos, a região
era desprovida de qualquer infra-estrutura ou saneamento básico,
sendo apenas uma enorme favela horizontal de loteamentos pantanosos,
infestados de mosquitos.
Seria naquele gueto, a Baixada Fluminense, que Cavalcanti
garantiria seu poder político. Como deputado estadual,
o homem da capa preta providenciou diversas melhorias para
a população local, buscando também instalar
os milhares de imigrantes nordestinos que vinham para o Rio
de Janeiro em busca de condições melhores de
vida. Suas obras políticas renderam-lhe muitos aliados
e eleitores pelas favelas de Caxias, apoio este que o levaria
a ser eleito deputado federal.Pelos cabos eleitorais, Cavalcanti
fora conhecido como "O Rei da Baixada"; pelos rivais,
era tachado de "O Deputado Pistoleiro". Devido aos
constantes riscos de morte, Tenório e sua família
habitavam uma fortaleza na Baixada Fluminense. No entanto,
jamais se recusava em caminhar pelas ruas do gueto, andando
sempre armado e acompanhado seguranças.
Quarto Setor- A FÉ DE UM POVO VALENTE
A Fé cristã na região vem do século
XVI, como podemos conferir pela Igreja do Pilar, construída
no mesmo século e importante monumento do primeiro
período barroco brasileiro, tal qual as religiões
Afro-Brasileiras tem destaque no que tangem suas verdadeiras
raízes, exemplo disso vem do Babalorixá Joãozinho
da Golméia,desde que foi intitulado "Rei do Candomblé"
na década de 1940, pela rainha Elisabeth da Inglaterra.A
partir da compreensão de sua trajetória, demonstra
as razões que levaram a proliferação
de terreiros de Candomblé e Umbanda na baixada Fluminense,
desde a chegada do pai-de-santo no município de Duque
de Caxias,em 1946, transformando o município no grande
divulgador e popularizador dos cultos Afro-Brasileiros, apontado-nos
a validade do Candomblé como produtor cultural brasileiro.
Do Babalorixá podemos falar que, "Seu João"
fora um dos mais famosos babalorixás em meados do século
que findou. A Rua Goméia, em São Caetano, bairro
da cidade baixa de Salvador, endereço do seu primeiro
terreiro, deu-lhe o sobrenome que carregaria pela vida afora.
Mas foi depois de sua transferência para o município
fluminense de Duque de Caxias que sua fama atingiu contornos
nacionais. Tanto que a rua onde Joãozinho fundou seu
segundo terreiro acabou chamando-se também Goméia
em homenagem ao pai-de-santo. Um complexo jogo de continuidades
e transferências entre reinos, continentes, estados,
cidades, nomes de ruas, homens e deuses.
Concentrava-se em Salvador e Rio de Janeiro. E eu me surpreendo
ao ver alguém do santo falar com tanto carinho de um
sacerdote do rito angola, num ambiente onde a nagocracia ainda
é um imperativo categórico no jogo político
pela legitimidade das tradições.Impressionava
aquela voz rouca e devota, firme e afinada com que o sacerdote
saudava de Exu a Oxalá. Aliás, este é
um percurso muito comum no proselitismo involuntário
do candomblé; muitos chegam a esta religião
vindos da capoeira, das escolas de samba, dos cursos de dança,
dos salões de moda e beleza afro, das rodas de samba,
das letras e ritmos de nosso cancioneiro popular, da curiosidade
em saber, ou saber um pouco mais, o que se diz quando usamos
termos como axé, agô, aláfia..."Seu
João" foi um dos mais importantes e polêmicos
agentes na divulgação dos significados do candomblé
ocorrida nos anos 60 na sociedade brasileira, sobretudo por
fazer da mídia e das artes suas grandes aliadas. Trouxe
para os centros urbanos do sudoeste a percepção
das vantagens de tornar conhecidos os cultos afro-brasileiros.
Inclusive para a sua própria defesa. Numa lista, elaborada
em 1983, dos 24 terreiros mais antigos da capital e do litoral
paulista, oito deles eram de filhos e filhas-de-santo de Joãzinho
da Goméia. Em terras paulistas, a adesão ao
rito angola, praticado por "seu João", foi
um caminho quase que inevitável na passagem de muitos
sacerdotes da umbanda para o candomblé.
Atualmente outras manifestações de fé
têm mostrado a sua força na região, os
protestantes também demonstram a sua força em
seus ritos envolventes. Pincelaremos tudo isto para mostrar
que o Caxiense tem em seu peito sua crença e que como
já foi provado, o homem de Fé vai longe e esta
é uma das muitas virtudes do nosso povo.
Quinto Setor- FOLGUEDOS E SUA RAIZ SAUDOSA
Caxias segue tradições herdadas de vários
povos diferentes que por aqui chegaram.Suas manifestações
se misturam e ganham personalidade própria na região.
Dentro do ciclo do Natal acontece a passagem de ano —
chamada Ano Novo ou Ano Bom — festivamente comemorada
em todo o estado no seio das famílias, nos clubes e
nas ruas centrais do Rio de Janeiro que ficam repletas de
papel picado, jogado, na véspera, dos edifícios
mais altos, constituindo-se num belo espetáculo plástico.
Cabe destaque à tradicional festa de Iemanjá
realizada na noite de 31 de dezembro para 1º de janeiro
pelos grupos umbandistas nas praias do Rio de Janeiro e adjacências,
onde se pode assistir à realização de
rituais com cânticos e danças.
Continuando as comemorações do ciclo segue-se
o dia dos Santos Reis, cultuado pelo calendário cristão.
Além das homenagens especiais dos grupos de folias
de reis, folguedo popular do ciclo natalino presente em todos
os municípios fluminenses, há hábitos
tradicionais referentes a esta celebração. Assim
é o da confecção do bolo de reis que
leva quatro prendas misturadas à massa comum: um anel,
uma cruz, uma moeda e um dedal. Ao ser repartido entre os
que comemoram a data, causa muita curiosidade e alegria descobrir
as pessoas agraciadas com as prendas que trazem em si um simbolismo:
o anel significa casamento; a cruz, convento; a moeda, dinheiro
e o dedal, trabalho. Há também a prática
popular para o dia de Reis, de colocar na palma da mão
esquerda três sementes de romã. Estas devem ser
seguras, uma a uma, entre o polegar e o indicador direito,
levadas entre os dentes e mordidas levemente. Após
morder, recita-se: Baltazar, traz meu dinheiro de volta; o
mesmo deve ser feito com as duas sementes que restam, substituindo
o nome Baltazar pelo dos reis Belchior e Gaspar. As três
sementes devem ser guardadas envoltas em papel, na carteira
de dinheiro até o ano seguinte, quando deverão
ser plantadas em jardim ou vaso de planta, sendo substituídas
por novas sementes, após o ritual descrito. Esta prática
garantirá dinheiro farto durante todo o ano que se
inicia.
O grupo denominado reis-de-boi, localizado em Arraial do
Cabo, município de Cabo Frio, sai às ruas para
brincadeiras, cantorias e louvação no período
do Natal para comemorar alegremente o nascimento de Jesus.
Além deste grupo, há os que forem transportados
da região nordeste à do Grande Rio, por migrantes
e se apresentam no ciclo com as características originais
de sua região. É o caso do boi-de-reis que brinca
no município de Duque de Caxias, desde longa data,
formado por um grupo paraibano ali radicado. No mesmo local
costuma apresentar-se um grupo de lapinha também constituído
por moças paraibanas ou filhas de nordestinos. Acrescente-se
a estes o grupo de reis-do-congo organizado no mesmo município
por migrantes provenientes do Rio Grande do Norte. Os três
últimos mantêm a tradição dos folguedos
à moda da região de origem, sem incorporação
de elementos da cultura fluminense. Brincam apenas nas suas
próprias casas por não serem entendidos pela
nova comunidade onde estão inseridos.
Por influência da devoção a São
Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, o
ciclo do Natal é prorrogado em todo o estado até
20 de janeiro, dia a ele dedicado. Motivados por esta devoção,
os numerosos grupos de folias de reis passam a sair a partir
do dia 7 de janeiro com estampas e outros elementos ligados
a São Sebastião incorporados à sua bandeira.
Também os grupos de pastorinhas, outrora numerosos
neste estado, hoje presentes apenas nos municípios
de Angra dos Reis, Santa Maria Madalena e Santo Antônio
de Pádua — distritos de Monte Alegre e Ibitiguaçu
— prorrogam sua saída até 20 de janeiro.
Outros exemplos de festejos se relacionam as festas Juninas,
cujo grupos de ciranda e de quadrilhas são agraciados
como os melhores nas competições que disputam,
não só no município como também
no estado. Uma das mais curiosas formas de coreografia popular
da Baixada Fluminense, na zona de influência da estrada
de penetração para a região Serra-acima
(Estrada velha de Petrópolis) é o calango. O
calango, como, em geral, acontece nessas designações
é baile, dança, canto e música. É
realizado debaixo de latadas especialmente construídas
para a "função" e parece ser o gênero
típico que predomina nessa parte da Baixada Fluminense.
Tem-se ocasião de assistir a diversos calangos, e baseados
em observações diretas de nosso trabalho de
campo é que fazemos, pela primeira vez, o registro
dessa tradição Caxiense.
Sexto Setor- COMBUSTÍVEL PARA CRESCER
A maior refinaria em complexidade do Brasil opera em Duque
de Caxias: a Reduc. Ela foi instalada, em Campos Elíseos,
2º distrito, no dia 20 de janeiro de 1961, e foi o terceiro
investimento feito pela Petrobrás no país.
A Reduc ocupa uma área de 13 milhões de metros
quadrados e possui um faturamento anual de aproximadamente
US$ 3 bilhões, sendo responsável pelo recolhimento
anual de impostos para o Estado do Rio de Janeiro de mais
de US$ 500 milhões. Estrategicamente localizada entre
as principais rodovias brasileiras, o que facilita o escoamento
da produção, a Reduc produz 52 produtos diferentes
decorrentes do processamento de petróleo e gás
naturais, classificados como combustíveis, lubrificantes,
plásticos, parafinas, petroquímicos, etc.
A unidade tem capacidade de refino de 242 mil barris/dia
e possui o maior conjunto para produção de lubrificantes
do Brasil (80% da produção nacional). Sua capacidade
de tancagem é de 366 tanques, num total de 3 bilhões
e 400 milhões de litros. A refinaria abastece todo
o Estado do Rio de Janeiro, parte de Minas Gerais e, por cabotagem
(navios), Espírito Santo e o Rio Grande do Sul. Os
produtos brasileiros também atravessam fronteiras,
chegando aos seguintes países: Estados Unidos, Peru,
Uruguai, Argentina, Chile e Colômbia.
Duque de Caxias é o segundo maior Município
do Estado do Rio de Janeiro em produto, sendo que boa parte
dessa riqueza deve-se ao funcionamento da Reduc, refinaria
de petróleo da Petrobrás. Ao longo da década
de 80, Duque de Caxias apresentou um crescimento de 32,5%,
estreitamente relacionado com as atividades de refinaria.
O suprimento de matéria-prima (nafta) garantindo pela
Reduc facilita a diversificação das indústrias
químicas e petroquímicas locais, com destaque
para o Rio Pol, industria de polímeros que hoje atende
a grande demanda de plásticos para os mais variados
fins, sendo este produto essencial para as indústrias
e para o nosso dia a dia. A Rio Pol possui tecnologia para
a fabricação de uma enorme gama de grânulos
específicos, o que a torna referencia em qualidade
e demanda para o território nacional. Citaremos também
a Petroflex e a Nitriflex, empresas constituídas pela
Petroquisa, subsidiária da Petrobrás, e posteriormente
privatizadas. Outro que receberá matéria prima
da refinaria será o Pólo Gás Químico,
ainda em fase de construção.
Sétimo Setor- TERRA DE BAMBAS
O carnaval tem um capitulo a parte quando se trata de Caxias,
na união de blocos e escolas , da repressão
da década de 40, as manifestações de
resistência, a força dos foliões que formaram
a "Grande Rio" o carnaval de rua e lembrando de
muitos nomes como o nosso querido "Perácio",
nosso vice-presidente e um dos mais importantes baluartes
do mundo do samba de Caxias.
Não esqueceremos de mencionar que a região
já produziu e ainda o faz,gente famosa no mundo do
samba, incluindo de fama internacional, como o nosso querido
poeta do samba "Zéca Pagodinho", menestrel
de Xerém que leva durante o ano o nome de Caxias para
todos os cantos do Brasil. Nossos compositores já fizeram
parcerias memoráveis, mostrando que aqui também
é celeiro de bambas. Contaremos também as influências
das manifestações de rua, que se mantem com
sua poesia e inocência vivas nas ruas do município.
Brincaremos com a nossa refinaria criando um paralelo entre
o combustível do mercado com o da folia pois a nossa
escola além de ser o mais importante ícone da
cultura caxiense para exportação de além
das fronteiras do município também representa
muito bem uma cultura de dimensões internacionais como
o desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.
Eis o nosso tema para o carnaval do Grupo Especial do Rio
de Janeiro,com o qual a GRANDE RIO terá o maior orgulho
de realizar e com a certeza que chegaremos a vitória,
através deste tema surpreendente e apaixonante, como
dito antes nossa garra e nossa tradição estará
sendo cantada e contada para o mundo todo através da
nossa querida GRANDE RIO. |