Sábado, Outubro 22, 2005

Há futuro para (ou no) Software Livre?

Dedicado à apresentação de casos de sucesso de implementação de projetos baseados em Software Livre, o painel de encerramento da III Semana de Software Livre terminou com mais um debate extenso sobre o futuro do software livre. Há consenso de que existem muitas questões pendentes para a consolidação do software livre como negócio no país, que passam pelo estabelecimento dos marcos legais, incluídos aí os tipos de licenças à luz da nossa Lei do Software; pela formação de mão de obra qualificada, incluída aí a revisão dos currículos de Ciência da Computação e incentivos à pesquisa básica nesta área; pela maior colaboração entre empresas, universidades e centros de pesquisa e pelo estabelecimento de um modelo de sustentabilidade.

Passou o tempo do debate apaixonado. É preciso adotar uma postura mais pragmática. "O nosso cliente não tem essa visão apaixonada contra ou a favor do software livre ou proprietário. O que ele procura é funcionalidade pelo menor custo", disse Carlos Fenna, diretor executivo do grupo International Syst e da empresa Metasys. "Nosso cliente não aceita muito bem essa questão de que o produto que está adquirindo vai ser mantido pela comunidade. Quer saber, na hora do problema, para quem ele vai ligar. Não aceita esta idéia de que a comunidade vai dar o suporte. A comunidade tem telefone?"

Para Carlos Senna, o exemplo da Metasys prova que já é possível construir um negócio baseado no software livre. As oportunidades estão em nichos, que podem ser atendidos com soluções de qualidade e baixo custo. Nichos com foco no cliente, onde será possível ter melhor rentabilidade. "Até porque a manutenção de uma empresa de software livre é cara. Temos 40 profissionais, muitos deles com doutorado, mestrado. São profissionais caros e difícies de encontrar. Tenho vagas abertas para contratar cinco profissionais e não encontro no mercado. E aí existe uma excelente oportunidades para as universidades. Para atuarem mais próximas das empresas, no desenvolvimento de produtos", argumentou Carlos Senna.

Portanto, para Carlos, um dos caminhos é estar atento às demandas do mercado e de como o comportamento do mercado vai moldando o negócio. "É preciso ter foco no cliente e soluções simpáticas para o cliente. Porque é isso que vai fazer a indústria do software livre ir para frente", opina.

Isabel David Lopes, gerente de Software de Infra-Estrutura da Itautec, concorda com Carlos. Na sua opinão, é preciso deixar um pouco o governo de lado e olhar para o mercado. "No varejo o software livre já emplacou. Se você olhar os PDVs, que eram DOS, verá que eles encontraram um mercadão nos sistemas Linux embarcados e nos sistemas de missão crítica. As Casas Bahias, Ponto Frio e a C&A usam soluções de missão crítica com Linux. E a motivação do varejo é custo. Custo com qualidade, não tem discussão", afirmou Isabel.

Outro ponto destacado por ela é o medo muito grande de quem sai da universidade de mexer em pacotes abertos. "Eu estou fazendo 25 anos de formada e me lembro que quando entrei na Itautec mexia em bloco de controle da IBM. Às vezes dava certo, às vezes não. Mas o pessoal hoje tem um medo danado de mexer nos pacotes", afirmou.

"Também acho que falta colaboração da comunidade. Nós somos grandes consumidores de pacotes e poucos melhoradores de pacotes. Mesmo quando há respaldo financeiro, há um certo medo. Há toda uma geração com um conceito muito arraigado de que em pacote básico não se mexe, só se usa. No máximo configura e ajusta. Eu acho que falta coragem no meio acadêmico para criar profissionais que mexam efetivamente no coração do software", completou Isabel.

"Na época em que me formei tive um professor que dizia que não se formava pessoas para saber linguagens. Se formava pessoas para saber computação. Porque uma pessoa que sabe computação sabe qualquer linguagem. Nós temos que voltar a esta mentalidade. Nós, lá na Itautec, contratamos profissionais que sabem C. Porque, se sabe C, sabe tudo. Mas é muito difícil achar um bom programador C. E mais difícil ainda, encontar quem conheça o kernel de sistemas operacionais", revelou Isabel. "Este é o critério da Itautec para a sua equipe de "desenvolvimento".

Por outro lado, os poucos que têm coragem de mexer nos pacotes, segundo Isabel, têm o hábito de achar tudo uma porcaria e refazer tudo do zero, sem a cultura de aproveitar as partes boas. "A gente tem que aprender a aproveitar o que está pronto. A grande oportunidade do software aberto é um monte de código para melhorar os pacotes. É uma oportunidade para o Brasil e nós não estamos aproveitando. Nós estamos sendo usuários, estamos sendo críticos, mas estamos fazendo muito pouco", disse ela.

Todo o código desenvolvido pela Itautec para a sua plataforma livre, a Librix, baseada no Projeto Gentoo, é aberto. Toda a melhoria está sendo devolvida para a comunidade. Até a camada de serviços de diretórios, contruída em cima do OpenLDAP, e apresentada como caso de sucesso no Fórum, será entregue à comunidade. Só não foi ainda, segundo Isabel, por outro medo: o da crítica da comunidade. "O código tem que ser elegante, limpo, e a gente sempre tenta entregar o melhor", afirma Isabel.

Max Faria, representante do Centro de Ciências Exatas (CCET) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uni-Rio) e consultor nas horas vagas, garantiu que tem visto muitos projetos de migração para Linux na área de servidores. Poucos na área de desktop. Nos dois casos, suporte é um gargalo. "Na minha visão, já tem gente ganhando dinheiro com Linux, na área de serviço, de suporte, que tem que acompanhar transferência tecnológica, sempre, para não deixar o cliente amarrado ao fornecedor. Nós somos o peixe piloto que corre junto com os tubarões", testemunhou Max.

Para Paulo Coelho, vice-presidente do Proderj _ uma das instituições realizadoras do Fórum _ a discussão para consolidação do software livre passa pela discussão de como o Brasil quer se inserir no mundo globalizado: como gerador ou consumidor de conhecimento? "É como a Isabel falou. Em vez de partir do zero, nós podemos partir de um patamar muito mais avançado, utilizando código de qualidade", disse. Isso passa por maior sinergia entre os três setores: o governo, a academia e a sociedade civil. "Nossos governantes precisam olhar P&D, ciência e educação como áreas prioritárias para o país", concluiu Paulo Coelho.


Minas Gerais usa software livre para informatizar 4 mil escolas públicas

Os participantes do III Fórum de Software do Rio de Janeiro puderam alguns casos de sucesso de uso de software livre, como o Projeto Escolas em Rede, da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, para implantar laboratórios e secretarias informatizadas, com acesso à Internet banda larga, nas 4 mil escolas da rede pública mineira. Uma das exigências da secretaria era o gerenciamento remoto, pois não seria viável ter 4 mil técnicos para administrar as redes de cada uma dessas escolas.

A solução escolhida foi a Metasys, da empresa de mesmo nome, do Grupo International Syst, nascida em 2001 na Universidade Federal de Minas Gerais. "A solução é um 'metassistema operacional'. Todas as máquinas do projeto são diskless com boot no servidor. Oferecemos também o curso multimídia Metasys Desktop, que - em cinco minutos - ensina a utilizar esses aplicativos baseados em software livre", explica o diretor executivo da Metasys, Carlos Alberto Senna de Lima.

Com isso, a idéia foi primeiro incluir digitalmente o professor para que ele atuasse, mais tarde, como agente multiplicador desse conhecimento. Hoje, além da informatização das 4 mil instituições de ensino público da Minas Gerais, ferramentas de apoio ao ensino, de administração escolar e conteúdo on-line estão disponíveis para a capacitação de 160 mil professores ativos e 2,5 milhões de alunos. Tudo com software livre.

"Nosso grande desafio foi buscar um modelo de sustentabilidade com o software livre. Encontramos no software livre uma oportunidade que resolvemos abraçar e deu certo. Estamos muito satisfeitos", avalia Carlos Senna, que se denomina um novato no ramo, já que trabalha há pouco mais de três anos com software livre.


Sexta-feira, Outubro 21, 2005

Modelo de negócio? A Intel aposta no
Linux no desktop e quer ser parceira

Há uma divisão inteira de negócios da Intel no Brasil, dentro da CSO (Channel Software Operation), dedicada a apoiar o desenvolvimento do ecossistema Linux no país. São diversas ações, a maioria no mecado de desktop, "porque a Intel acredita que a melhor maneira do mercado Linux se desenvolver virá pelo desktop", afirmou Ricardo Franco, funcionário da gigante dos computadores.

"Nós já reconhecemos o Linux como o segundo sistema operacional mais usado entre os notebooks com placas e chips Intel", diz ele. Entre as empresas apoiadas pela Intel aqui no Brasil estão a Itautec e a Metasys, do grupo mineiro International Syst.

Bruno Lessa, da Fábrica Digital, discordou, em parte, com a visão na Intel. Na sua opinião, a inovação, na área de software livre, passa realmente pelo mercado de desktop. "Ainda é um mercado virgem a ser explorado. Mas evangelização custa caro. Se a Intel quer ajudar, ótimo. Mas não recomendaria a uma pequena empresa começar qualquer negócio baseado em software livre pelo mercado desktop, embora concorde que ele crescerá muito", disse Bruno. "Para a pequena empresa, o mais recomendável é atuar no mercado servidor, já maduro".

Fernando Nery, da Módulo Security, que também participou do painel sobre prioridades e estratégias de negócios, foi mais radical. "Não vejo sustentabilidade em um modelo de negócio Linux baseado no desktop", afirmou ele. "Acho que é possível usar Linux no desktop. Mas não é uma realidade e não é uma oportunidade de mercado. Eu nunca orientaria um novo desenvolvedor, uma nova empresa, dentro de uma incubadora, a desenvolver software para desktop Linux. Não tem viabilidade econômica. Olha a Conectiva. Olho a indústria, e não vejo essa viabilidade...", disse Fernando.

Para Fernando Nery, todo esforço do governo em incentivar o uso do Linux no desktop faz parte de uma decisão estratégica, e tem ajudado a fomentar a discussão sobre uma opção tecnológica feita pelo governo. "O problema é que enquanto nós aqui fizemos a opção tecnológica pelo software livre, a China focou na TV Digital, estratégica para todos nós, e começará a colher os frutos em pouquíssimo tempo. A Índia focou no IPV6 e, quando este for de fato o padrão da Internet, suas empresas estarão em condição privilegiada para vender no mercado globalizado", completou Fernando. "O governo brasileiro, hoje, não tem feito o básico, que é comprar software. Brasileiro, estrangeiro, nenhum. Não tem contratado nada. Desenvolvido nada", disse.

"Não sou contra o uso do software livre. Sou um entusiasta do desenvolvimento de software", garantiu Fernando. "Mas sou contra o radicalismo no Software Livre, uma vez que o ambiente está cada vez mais heterogêneo", afirmou.

John Forman, presidente da Assespro do Rio de Janeiro e moderador do painel, colocou mais pimenta na discussão. "Concordo com o Fernando quando ele diz que parte da situção que enfrantamos hoje se deve à radicalização do discurso de que software livre é software gratuito e que ninguém deve pagar por ele", disse.

"Temos que olhar para este modelo de negócio e saber como trabalhar com ele. Eu duvido que a Intel, algum dia, vá ter lá um Pentium livre, porque não faz o menor sentido", argumentou Forman. "A gente tem que pensar o fortalecimento da indústria do software brasileiro, pensando como é que, em cima da plataforma de componentes livres, criaremos negócios. O software livre está aí, e está mudando paradigmas. Nosso desafio é encontrar o nosso caminho neste cenário", disse Forman.

Ricardo Franco, da Intel, procurou explicar melhor o posicionamento da empresa. "Assim como o Fernando, a gente também acha que a radicalização não leva a nada. E não temos a pretensão de dizer que o modelo que estamos propondo se aplica a tudo. Mas para alguns nichos, segmentos de mercado, pode ser um modelo de negócio viável sim. O de pequenas e médias empresas, por exemplo, na área de serviços, customização de plataformas abertas para área de varejo, callcenters", disse ele. "E estamos sentindo a falta de uma outra figura neste mercado: a das associações ou empresas que trabalhem modelos de uso do software livre", disse ele.

No fim do ano passado a Intel Brasil criou o Open Source Software Laboratory (OSS Lab), em São Paulo, para testar e validar soluções baseadas em software de código aberto para os sistemas baseados em seus chips. Este laboratório testou todos os sistemas operacionais livres que rodarão nos micros fabricados no país para o programa "Computador para Todos" que usem componentes Intel. "Queremos ficar muito próximos dos desenvolvedores de software livre porque sáo eles os primeiros a aproveitar as inovações tecnológicas que colocamos no hardware. Tem duas inovações tecnológicas que estão chegando nos processadores agora, a virtualização e a capacidade de gerenciamento remoto, que já estão nas distribuições Linux que usamos aqui no Brasil e ainda levarão algum tempo para estarem disponíveis nos softwares proprietários", explicou Franco.

E em resposta à provocação do presidente da Assespro do Rio, Jonh Forman, Ricardo Franco comentou que nunca ouviu falar no conceito de processador livre, e provavelmente nunca ouvirá. "Mas a Intel está no grupo de Free Bios. A bios é a interface entre o sistema opperacional e as aplicações com o hardware. Só existem dois fabricantes de bios no mundo. Quando os fabricantes vão integrar sistemas, precisam pagar royalties para essas duas empresas. Então estamos no grupo que está discutindo o desenvolvimento de uma bios de software aberto, para garantir o acesso a todos os dispositivos de baixo nível", explicou Franco.

"Vocês podem ter certeza: onde fizer sentido, vocês verão a Intel apoiando software livre", garantiu Franco.



Fernando Nery, da Módulo


Faltam recursos? Não nos culpem

Último palestrante a falar durante o painel de financiamento e fomento, que teve a participação de representantes da Finep e do BNDES, o professor Marcelo Cavalcanti, diretor de Tecnologia da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), reconheceu que há poucos recursos disponíveis (menos de 5% dos recusrsos da Faperj são direcionados para a área de tecnologia), que o pouco que há já é um grande avanço, se olharmos para o passado, e que é preciso fazer mais, muito mais. Mas lembrou a todos que, além da crítica, é preciso propor soluções, cobrar soluções. E propôs a criação de uma rede para pedir mais recursos.

"O Rio pode ser a capital do Brasil na Era do Conhecimento, como São Paulo o foi na Era Industrial. Mas precisamos nos organizar", disse Marcelo. "Como fazer isto? Melhorando a nossa argumentação. Mostrando efetivamente o que aquele investimento trouxe de retorno real para a sociedade. Temos que mostrar que é um bom negócio financiar o conhecimento, a indústria de software, a da cultura".

Só desta forma será possível, segundo Marcelo, provar que a garantia real é uma balela. Não garante absolutamente nada. Por isso, para ele, a Finep é a agência que, de longe, mais tem financiado a inovação, assumindo o risco. "Hoje nenhumm investidor olha só o balanço de uma empresa. Ele olha outros critérios", afirma Marcelo.

"Nós temos que entrar neste debate de como financiar o conhecimento. É um debate que ainda está distante da nossa sociedade. Vocês têm que nos ajudar, a nós que estamos do lado de cá do balcão, a mudar esta realidade. O governo precisa reconhecer que o conhecimento e as redes são hoje os propulsores do desenvolvimento econômico", disse. "Vamos criar um movimento, uma rede, para convencer os governandes que as áreas em vocês atuam, de tecnologia da informação, está entre as que geram mais emprego, geram trabalho. Aqui no Rio, temos uma indústria de software ativa. Temos que convencer as pessoas de que o que fazemos pode dar um enorme retorno social, e parar com o chororô. É preciso propor alternativas", propôs.

"Precisamos pensar que país nos queremos ser daqui a cinco anos? O nosso pacto tem que ser o de que, em 210, todas as crianças em idade de freqüentar o nível médio estejam no nível médio. Foi o que a Coréia fez há 25 anos atrás", argumentou Marcelo.

"Em 1980 a Coréia não tinha nada. Qual é a matéria prima que a Coréia tem? Tem petróleo? Tem não sei quantos milhões de terras agricultáveis? Tem oito mil quilômteros de costa para pescar? Tem minério de ferro? Tem soja? A Coréia não tem nada! A Coréia só tem coerano. A única coisa em que eles podiam investir era nos coeranos. E foi o que eles fizeram. Em 1983, 1% dos coreanos em idade de freqüentar uma escola estava na escola. Em 95, 70% das pessoas em idade de freqüentar uma universidade estava na universidade. Resultado: em 1980, todos os nossos indicadores econômicos e sociais eram melhores que os da Coréia. Uma década depois, já eram piores. E continuaram muito piores duas décadas depois. O Brasil não será um grande país só exportando soja. O Brasil está ficando para trás", concluiu.

Antes dele, Regina Maria Linhares, do BNDES, apresentou as condições do Prosoft Comercialização para o financiamento de produtores de software livre que, segundo ela, só foi possível graças a uma pareceria com a Softex e a Assespro. Durante o debate, posterior ao painel, Regina esclareceu que quem está sendo financiado no Prosoft Comercialização é o cliente, que comprará o software e os serviços de suportes, asistência técnica, etc. Ele é que contratará o crédito e se entenderá com os agentes financeiros. Mas, para isto, a empresa de software terá que credenciar o seu produto no BNDES. Para credenciar o software, o BNDES exigirá da empresa que ela prove que aquele software foi desenvolvido no país, por pessoa aqui residente e que detém a propriedade daquele software. Significa deter o direito moral (ser o autor do software) e deter o direito patrimonial (que pode ser negociado, vendido para terceiros que também poderá explorá-lo economicamente).

"Hoje, no Prosoft Comercialização, o BNDES só consegue apoiar a empresa de software livre como uma empresa de serviço", explicou Regina. "A gente só consegue dar o apoio direto à empresa de software livre através do uso do cartão BNDES. No caso do Prosoft Comercialização, o apoio se dá através da contratação, pelo cliente, de serviços de migração para software livre, implantação ou treinamento. Nós ainda não conseguimos credenciar o software livre como um produto, porque não reconhecemos o direito patrimonial do software livre", explicou Regina.

Mesa sobre fomento composta por Regina Gutierrez, gerente de programas do BNDES que cuida do Prosoft, Marcos Cavalcanti, diretor de Tecnologia da Faperj e Alexandre Barragat, analista de projetos, representando Gilberto Gaim, da Finep


Há brechas jurídicas para compartilhamento de software público com a sociedade, para uso livre

Questionados sobre as questões jurídicas que vêm impedindo que a sociedade possa se propriar e usar livremente softwares livres desenvolvidos por õrgãos públicos, apontadas na tarde anterior por Sérgio Rosa, Diretor do Serpro, Corinto Meffe, da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento e Márcia Schüller, diretora da Celepar, disseram que há brechas que podem ser usadas.

"Nós estamos conversando com o Sérgio para deixá-lo um pouco menos preocupado quanto a isto", disse Corinto. "O questionamento jurídico foi feito no Serpro. Nós percorremos outro caminho. Fizemos o CACIC com a Dataprev. E ele é um software desenvolvido para uso da sociedade. Não é um software criado por uma instituição pública, para uso por outra instituição pública. O CACIC foi criado, desde o início, para uso pela sociedade. Já, no Paraná, foi feito um decreto liberando para uso público todos os software feitos sob licença GPL. São dois caminhos diferentes e complementares", afirmou Corinto.

Outra preocupação tomada pelo Ministério do Planejamento, segundo ele, foi se cercar de vários pareceres jurídicos durante o desenvolvimento do software. O que fez com que partisse de uma licitação, aberta para fabricantes proprietários que não de interessaram pelo desenvolvimento. O que fez com que, até hoje, a liberação do CACIC para uso geral não fosse contestado por ninguém.

Márcia Schüller falou um pouco sobre o decreto do governador Roberto Requião, que estabelece as diretrizes para o licenciamento de programas de computador produzidos pela administração pública dos estado do Paraná. Segundo ela, o documento oficializa como os sistemas de informática desenvolvidos em software livre lá são licenciados para uso, publicação, distribuição, reprodução e alteração e toma o cuidado de colocar à disposição da sociedade todo o conhecimento envolvido.

A licença que acompanha o decreto (Licença Pública Geral da Administração Pública, ou LPG-AP), foi desenvolvida pelo escritório Kaminski, Cerdeira e Pesserl Advogados Associados, contratado da Celepar.

Com a palavra, Márcia Schüller

Financiamento: o problema

O próximo painel do III Fórum de Software Livre do Rio de Janeiro é, seguramente, um dos mais esperados. Abordará as fontes de fomento e incentivos dsponíveis para o Software Livre, com a participação de Regina Gutierrez, gerente de programas do BNDES que cuida do Prosoft, Marcos Cavalcante, da Faperj e Alexandre Barragat, analista de projetos, representando Gilberto Gaim, da Finep. O início está previsto para as 11h.

Os recentes financiamentos governamentais para o desenvolvimento de pesquisas e o incentivo à utilização de plataformas livres em órgão públicos, aliado à economia de recursos públicos propiciada pelo não pagamento de licenças de softwares proprietários, e a possibilidade de utilização e desenvolvimento de softwares livres em programas de inclusão digital estão realmente contribuindo para o fomento do desenvolvimento de software livre no país?

Como as universidades com incubadoras de empresas e uma forrte cultura empreendedora estão reagindo com relação ao desenvolvimento de software livre?

Estas e outras quetões estarão em debate.


Momento é de consolidação. E um dos mais delicados para o software livre

Para Corinto Meffe, da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, não estamos no fim das discussões sobre software livre. Mas talvez, no fim da última etapa de consolidação do software livre como opção. Um momento marcado significativamente pelas cobranças da comunidade sobre aopoio do governo, que muito se valeu dela até aqui.

"Eu, particularmente, sou contra centrar a discussão livre x proprietário em uma única empresa. Não é para a Microsoft que pagamos mais royalties. Pagamos mais para a IBM, por exemplo. Por isso, nós do Planejamento queremos ver software livre em todos os níveis. Inclusive no mainframe", garantiu Corinto.

"Nós precismos de usuários. De licenças. E de compartilhamento. Se fala muito de compartilhamento, mas temos feito muito pouco neste sentido. E acho que o Projeto CACIC foi um bom exemplo de práticas para resolver questões como estas", afirmou Corinto.

Ele foi o primeiro palestrante do painel sobre "Software Livre e Sistemas de Interesse Público", organizado pelo Proderj, que abriu o segundo dia do III Fórum de Software Livre do Estado do Rio de Janeiro. Corinto lembrou que o CACIC já está em uso na Argentina. A communidade CACIC tem mais de 150 .govs do Brasil. Mais de 20.govs da Argentina. "Hoje o nosso interesse é fortalecer o conceito do software público, como nós temos a saúde e a educação pública. Ele deve suprir as carências da sociedade, como este software de inventário CACIC vem fazendo", completou Corinto Meffe.

Corinto Meffe - Foto: Cristina De Luca


Conservadorismo das áreas jurídicas da administração pública atrapalha

Ainda pela manhã, durante o debate que sucedeu o painel sobre os impactos do software livre na inclusão digital, o diretor do Serpro, Sérgio Rosa, representando o governo federal, comentou a dificuldade enfrentada pelas estatais com o conservadorismo das áreas jurídicas na contratação de serviços de desenvolvimento de software e posterior distribuição do código para uso de terceiros.

"Há um parecer do TCU dizendo que não podemos contratar cooperativas. Nós precisamos mudar o processo para adequá-lo e conseguimros contratar a comunidade. Alguns falam em fazer um SUS para TI, já que, no SUS, há recursos destinados para instituições não públicas", comentou Sérgio Rosa.

"Está disponível hoje, na página do Serpro, para download, o Correio Livre, baseado no software de correio desenvolvido no Rio Grande do Sul e que o Serpro distribuiu para toda a administração pública. Foi difícil para nós liberar o código deste produto para uso por todo a comunidade", disse Sérgio Rosa.

Por outro lado, Sérgio lembrou que o projeto PC Conectado deve ampliar o mercado de serviços de suporte e treinamento para a comunidade de software livre. E anunciou que uma equipe do Serpro está trabalhando com a equipe de Nicholas Negroponte, do Media Lab, do MIT, no desenvolvimento de uma versão Linux para o laptop de US$ 100.


Quinta-feira, Outubro 20, 2005

Carência é de boa formação

Durante o terceiro painel do primeiro dia do III Fórum de Software Livre do Rio de Janeiro, que tratou da formação de desenvolvedores de software livre, o professor Roberto Ierusalimschy, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, e um dos criadores da linguagem LUA, surpreendeu os presentes ao arfirmar que tem dúvidas sobre a capacidade do Brasil de formar desenvolvedores de software, em geral.

Para ele não há diferença na formação entre desenvolvedores de software livres ou prorietários. Mas, de fato, existe uma carência no país de desenvolvedores com boa formação. "O que eu observo é que, em computação, continua a existir o mito de que todo mundo que sabe programar um pouco é desenvolvedor", disse Roberto.

"E para formar um bom desenvolvedor de software é bom passar para ele, de forma clara, o que é software livre. As vantagens e desvantages. O que pode ser bom e o que pode ser ruim. Inclusive, saber os vários modelos de software livre que existem, modelos de desenvolvimento, o quanto podem beneficiar ou prejudicar a indústria. Existem vários pontos em que a formação é igual, mas as diferenças marcam muito o software livre. E a verdade é que as universidades não preparam os programadores para aspectos sociais e culturais que fazem toda a diferença entre trabalhar na indústria e na academina, com software livre ou proprietário", comentou Roberto.

Roberto acredita que, quanto aos aspectos técnicos, não não há muita mudança em relação ao que é livre ou proprietário, embora as pessoas falem muito da engenharia de software tradicional e da engenharia modelo hacker. Segundo ele, há muitos softwares livres que seguiram, em seu desenvolvimento, o modelo mais tradicional de engenharia de software.


Colaboração acadêmica internacional em código aberto: uma realidade que orgulha o Brasil

Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (Uerj), a colaboração com o Cern (Centro Europeu de Pesquisa Nuclear, do francês Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire) para descobrir as origens do universo não seria possível sem o uso de software livre. Na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a linguagem de programção de script LUA, de código aberto, criada lá, já conta com uma grande comunidade de colaboradores em todo o mundo. Resultado: já é uma das ferramentas preferidas pelos desenvolvedores internacionais de jogos eletrônicos.

Apenas dois, e excelentes, exemplos de uso e criação de software livre que rendem frutos para o Brasil no exterior. E que abrilhantaram o último painel do primeiro dia de realiação do III Fórum de Software Livre do Estado do Rio de Janeiro.

O professor Alberto Santoro, um dos 30 pesquisadores brasileiros (incluindo físicos, engenheiros e cientistas da computação, alocados na Uerj, UFRGS, UFRJ, CBPF, UFBA, Unesp e USP), a compatilhar o uso do acelerador de partículas Compact Muon Solenoid (CMS), mostrou aos presentes como vem trabalhando ultimamente. Tudo para comprovar a existência da Boson de Higgs, a partícula supostamente responsável por agregar massa às partículas.

"Uma das maiores dificuldades que a colaboração já enfrenta é a manipulação de dados científicos da ordem dos petabytes. São 20 petabytes, ou seja, cerca 20 mil terabytes. Uma torre de CDs, colocados um sobre os outros, da altura de 20 quilômetros", comentou ele. Entre os requisitos tecnológicos necessários para os que a dados sejam facilmente acessados por todos os físicos do Cern espalhados pelo mundo, além da conectividade em altíssima velocidade está o uso de softwares de código aberto. Dois elementos básicos para a utilização da Global Resource Information Database (Grid).

A Grid interliga centenas de instituições de pesquisa da área de Física de Altas Energias em 50 países e permite a transmissão de dados em altíssima velocidade. Mas Grid também é uma arquitetura de computação que permite compartilhar máquinas e armazenar e distribuir dados pelo mundo. É na verdade uma enonomia interesante. Você entra com pouco e ganha muito. Ou entra com muito e ganha mais ainda.

Em uma demonstração feita entre o Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e a Uerj, em novembro do ano passado, foi possível transmitir dados para o Cern a 101 Gbites/segundo, durante uma hora. "Nesse período e a essa velocidade, pode-se transmitir toda a informação de 250 Enciclopédias Britânica", comparou o professor do Instituto de Física da Uerj Alberto Santoro.

Por definição o Cern não pode restringir acesso a nenhuma tecnologia. Inclusive de software. Todo o desenvolvimento de hardeware e de software, de pesquisa, é de uso livre. Não há sequer licença, qualquer que seja ela. "Por definição, nós só fazemos e usamos software livre".

Criada pelo professor Roberto Ierusalimschy junto com Waldemar Celes e Luiz Henrique de Figueiredo para resolver uma necessidade interna do Tecgraf (Grupo de Tecnologia em Computação Gráfica, parcera da PUC-Rio com a Petrobras), a LUA é uma linguagem livre, aberta, "que evoluiu muito a partir das contribuições de seus usuários", segundo o próprio Roberto.

"A linguagem foi adotada pela indústria de games. Em Far Cry, ela é usada para configurar o uso de armas, gráficos e sons. Mas foi com Grim Fandango, da Lucas Arts, que a LUA se popularizou", disse Roberto.

A linguagem LUA está disponível de graça na Internet desde 1996. Hoje, é regida pela licença MIT, do Massachusetts Technology Institute, que permite alterações do código-fonte para a geração de produtos derivados, sem a necessidade de pagamento. A única condição para o seu uso é a menção do copyright dos criadores e da PUC-Rio.

"Se me arrependo por não ter outro tipo de licença? Para o meu bolso, infelizmente, não. Porque enquanto a LUA teve outro tipo de licença, logo no início, que exigia a comunicação para uso comercial, não aconteceu nada com a linguagem. Ela só se tornou um sucesso depois que mudamos o licenciamento", disse Roberto.


No jogo entre o monopólio proprietário contra o oligopólio livre, onde estarão as empresas nacionais?

Provocado por Ricardo Filipo, presidente do Instituto Brasil (IBPAS) Padrões Abertos em Software, sobre que tipo de apoio as empresas que o integram poderiam vir a ter da Fenainfo, Maurício Mugaini, presidente da entidade, foi didático e enfático:

"Estamos todos convidados para um grande jogo. De um lado está o monopólio do software proprietário. Do outro, o oligopólio do software livre. Eu digo para você que, se essas impresas quiserem fazer parte do time do oligopólio do softare livre, contarão com todo o nosso apoio".


Governo não transformou o software livre em um modelo estruturante

"Não somos prestadores de serviço. Somos produdores de software. E gostaríamos que o governo apenas nos deixasse crescer como tal e não venha com diversionismo para permitir que as estatais voltem a atuar no nosso mercado", provocou Mauricio Mugnaini, presidente da Fenainfo.

"O que queremos é que o software livre venha a ser, de fato, uma alternativa para o desenvolvimento e fortalecimento da indústria nacional de software", completou ele, lembrando que antes de defender o software livre o governo deveria estar preocupado em defender o software nacional, um dos quatro pilares da política industrial.

Segundo Mugnaini, o que se esperava era que a adoção do software livre pelo governo resultassee na racionalização dos gastos com a implementação de processos de informatização. O que não aconteceu. O governo fez muito pouco ou quase nada para evitar que o software livre fosse visto mais como adversário da indústria nacional de software, do que como alternativa capaz de gerar resultados através de um modelo adequado e lucrativo.

"As ações do governo neste contexto são um desastre. Software livre no governo é um diversionismo ideológico e romântico. Não há um único represente do governo que tenha tido coragem de ocupar qualquer tribuna para defender o software nacional. Mas o software livre ganhou inúmeros defensores no governo federal. Para nossa tristeza", afirmou Mugnaini.

"Toda a discussão em torno do software livre, na minha opinião, embaçou e atrapalhou as discussões de apoio ao software nacional. O software nativo, hoje, responde por apenas 16% do mercado US$8 bilhões do país. Enquanto nós estamos discutindo software livre nos últimos três anos, a indústria internacional formçou nossa participação no mercado interno cair de 23% para 16%. O software nacional vai um pouquinho mais para o lixo enquanto somos jogados de um lado para o outro por essas políticas industriais que vão do nada para lugar nenhum", completou.

"E toda a vez que levantamos a bandeira da indústria nacional, imediatamente nos relacionam à reserva de mercado. Assim fica muito difícil construir uma marca Brasil forte", lamentou Mugnaini.

"A Cobra Tecnologia, transformada na maior distribuidora de licenças da Microsoft em Brasília, é o Banco do Brasil patrocinando um verdadeiro crime contra a indústria de software deste país", disparou Maurício."Que política é esta que cuida apenas dos interesses das quatro grandes empresas de outsourcing do país?"

E terminou pedindo a todos para fazer uma defesa maciça da marca Brasil para consumo interno. Para mudar a cabeça dos executivos para dar preferência ao software nacional.


Software Livre é um modelo de negócio

O software livre já não é mais apenas um brinquedo nas mãos de hackers. Além de integrar as agendas política e estratégica de governos, é um negócio sério e profissional, na visão de Cezar Taurion, Gerente de Novas Tecnologias Aplicadas da IBM Brasil, que iniciou sua fala lembrando as várias iniciativas práticas da IBM na área de software livre, desde a liberação do código fonte do seu compilator Java.

Taurion está convencido que software livre é um modelo de negócios que, como tal, propõe uma ruptura com os modelos tradicionais de produção e venda de software. O desenvolvimento colaborativo quebra paradigmas. Forçou parcerias entre grupos de usuários, fundações sem fins lucrativos e empresas. Também aumentou a preocupação com a propriedade intelectual, com diferentes modelos de licença.

Mas reconhece a percepção de que é simples aumentar a receita vendendo serviços se mostrou equivocada. O modelo de viver de serviço não é simples. É complexo. E a questão da licença é uma questão que ainda precisa ser resolvida. "Nos entendemos que o software livre terá sucesso, sim, se tiver vantagem econômica, vantagens tecnológicas, tiver grande interoperabilidade e gerar novos modelos de licenciamento, além da venda de serviços.

Segundo ele, o modelo de software livre deverá transformar a indústria de software, mas não de maneira uniforme. A convivência entre softwares livres e proprietários se manterá por muitos anos, e caberá à indústria e aos usuários extrair o melhor dos dois mundos. Neste caso a participação de software livre tem sido grande entre os sistemas de infra-estrutura. E muito reduzida entre os desktops.

Segundo Taurion, 90% das empresas que desenvolvem software livre já conseguem se remunerar do investimento feito nos seus desenvolvimentos através do próprio ecosistema do software livre.


Livre.RJ estará disponível para uso de todos os estados e municípios

Abrindo o primeiro painel do III Fórum de Software Livre do Rio de Janeiro, sobre o impacto do software livre na Inclusão Digital, Teresa Porto, presidente do Proderj, informou a todos que a solução desenvolvida para os telecentros do governo do estado, denominada Livre.RJ, já está disponível para uso por iniciativas de administrações públicas de outros municípios. É um produto pronto que pode ser baixado do site do Proderj.

E que, a partir e um trabalho conjunto com a Celepar, do Paraná, com início previsto para o mês que vem, servirá de base para uma solução padrão customizada por cada adminitração.

A idéia do Proderj é compartilhar com outras empresas de processamento de dados estaduais e municipais toda a experiência adquirida com a produção da distribuição Linux temática do governo fluminense, o Livre.RJ.

Baseado na distribuição Debian-BR-CDD, o pacote Livre.RJ contém uma série de produtos em Software Livre ? como o pacote de automação de escritório Open Office 1.1.3 e o navegador Mozilla FireFox 1.0 ? e teve sua versão de divulgação lançada com grande sucesso em outubro do ano passado, durante a II Semana de Software Livre, realizada no Rio de Janeiro. Sua versão final foi homologada pelo Conselho Temático de Software Livre do Conseti (Conselho Estadual de Tecnologia da Informação).

Segundo Paulo Coelho, diretor do Proderj, o que está em construção é uma espécie de distribuição nacional do Livre.RJ, desta vez, adaptada às necessidades específicas de cada estado. O resultado deste trabalho deverá ser um CD em software livre padronizado para estações de trabalho dos governos estaduais, via Abep (Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação), que Teresa Porto também preside, obedecendo uma arquitetura básica, mas com opções de versões locais.


Vietcong ou Tupinicong?

O presidente da Clube de Engenharia, Raymundo de Oliveira, surpreendeu o público presente à cerimônia de abertura da III Semana de Software Rio do Rio de Janeiro com sua definição dos defensores do software livre. "Vocês são todos vietcongs na luta contra o império, pelo crescimento do nosso país", afirmou. Corinto Meff, representante do Governo Federal no evento, gostou e corrigiu: "tupinicong", arrancando risos da platéia.

"O sofware livre permite um controle maior do produto que é feito, menos dependente da nova versão que vem de fora. Hoje estou escravizado pelo grande fornecedor", avaliou Raymundo de Oliveira. "Temos que ter a opção de buscar o nosso próprio caminho de desenvolvimento, definir o nosso rumo, poder escolher", concluiu.


Formação profissional continua sendo um dos maiores desafios

O presidente do Seprorj, Benito Paret, lembrou a todos os presentes que a mão de obra especializada em software livre ainda é reduzida. "Precisamos ajudar na formação desses profissionais com conhecimento de outras ferramentas, plataformas e aplicativos não-propietários. Falta levar estes conecimentos às universidades", disse ele, ressaltando que a ajuda do governo nisto é fundamental.

Há quase dois anos, o Seprorj, junto com a Fenainfo e o Softex, entregou ao governo federal um documento de política de software livre para desenvolvimento de negócios. "Lamentavelmente, as questões políticas, principalmente no último ano, têm impedido o avanço desta discussão", afirmou Benito.

"O software livre é uma alternativa a ser levada em consideração na construção e no fortalecimento da empresa nacional de sofware", disse. "É importante considerar o software livre como alternativa, um elemento a mais para a geração de negócios, e não como a luta entre o bem e o mal".


Política de Software Livre do governo federal terá continuidade

Apoiadores do Software Livre podem ficar decansados. Segundo Corinto Meff, representante do secretário de Logística de Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, "não há nenhuma notícia de que o governo Federal não vá continuar a política de apoio ao software livre"

Assim, com esta afirmativa, Corinto iniciou sua fala durante a cerimônia de abertura do III Fórum de Software Livre do Estado do Rio de Janeiro. Segundo ele, o que está acontecendo são mudanças no governo, meio que justificando o atraso nos programas de migração comentado pelo presidente do Seprorj, Benito Paret.

Segundo Corinto, as discussõe em torno do software livre entre os gestores de TI da administração pública são sempre as mais quentes. "O softwre livre proporciona uma relação muito mais madura e independente com a tecnologia. O profissional fica muito mais seguro e deixa de ser só um empurrador mouse".

Para o representante do secretário Rogério Santanna, o compromisso do governo com o Software Livre continua. E isto é o que importa, no mundo de colaboração de hoje. "Precisamos começar a investir pesadamente nas universidades e acelerar o processo de migração na administração pública. E, principalmente, continuar garantido que o software livre seja uma política de estado", disse Corinto, ressaltando que a participação das prefeituras é fundamental neste processo. "No governo federal vamos atacar as amarras, os nós de migração".


Quarta-feira, Outubro 19, 2005

III Fórum de Software Livre encerra semana dedicada ao código aberto

Começa amanhã de manhã, no Clube de Engenharia, o III Fórum de Software Livre do Estado do Rio de Janeiro, com a presença de grandes nomes da informática de todo o país.

O Fórum marca o encerramento da III Semana de Software Livre do Rio de Janeiro, promovida pelo Riosoft, Seprorj e Abrasol, em parceria com órgãos do governo e universidades. E na qual, desde a segunda-feira, 17 de outubro, estão sendo realizados encontros de grupos de usuários de diversas distibuições Linux.

Em discussão no fórum questões como o impacto do software livre na Inclusão Digital, na indústria brasileira de software, as fontes de fomento e incentivo à produção, bem como alguns casos de sucesso do software livre como negócio.