Rio - Giba é daqueles maridos que curtem ao máximo a gravidez da mulher. A ponto até de sentir sintomas parecidos e ficar enjoado com um cheiro forte de comida. Casado com Cristina Pirv, com quem já tem Nicoll, que nasceu em plena Olimpíada de Atenas (2004), o atacante vive a expectativa por ser pai de um menino. O herdeiro deve nascer até 7 de setembro e o craque da Seleção de vôlei espera acompanhar o parto, de preferência com o ouro nos Jogos de Pequim, cuja final será no dia 24 de agosto. De Moscou, onde defende o Iskra Odintsovo, Giba falou sobre a gravidez da mulher, a adaptação na Rússia e a expectativa por Pequim.
— Como foi a adaptação?
— Com a família, tudo é mais sossegado. Estou numa casa boa, num condomínio fechado. Era o que a gente esperava. Agora, enquanto você está num calor de 30 graus aí no Rio, aqui está nevando. Mas o time tem uma boa estrutura, é um dos melhores da Europa. Estamos em segundo no campeonato e os dois primeiros vão direto para a final. A Nicoll está numa escola inglesa. E a Cristina já foi jogadora e sabe como é viajar o mundo.
— Qual é a expectativa por ser pai de novo?
— A expectativa é a de ver o nascimento, ainda mais depois dos problemas que a Cristina teve no coração (foi operada em 2006), tendo que parar de jogar. Com a Nicoll, o nascimento estava previsto para 29 de agosto, dia da final em Atenas e ela nasceu no dia 18. Agora, a final olímpica será no dia 24 e o nascimento está previsto entre a última semana de agosto até 7 de setembro.
— Como é o Giba ‘grávido’?
— É pior até do que a Cristina (risos). Eu fico enjoado, tenho desejo. Sinto enjôo com cheiro de comida forte. Parece até que é comigo. Já foi comprovado que os maridos também têm esses sintomas. Estamos curtindo bastante e a Nicoll beija o tempo inteiro a barriga da Cristina.
— Por que você não jogou o All-Star Game?
— Tive uma semiparalisia facial, acho que por causa de uma rajada de frio. Não é tão raro, o Ayrton Senna teve isso. Fiquei uns dois ou três dias sem treinar, mas em três semanas já estava bem. Não tive seqüelas. Mesmo assim, fui ao jogo, o Vladimir Putin (presidente da Rússia) compareceu e foi bem legal. Acho que foi a primeira vez em que vi um presidente num jogo de vôlei.
— Qual a expectativa pelas finais da Liga Mundial, no Rio, e os Jogos de Pequim?
— Vamos dar um passo de cada vez. Com as finais da Liga no Brasil, pode ser a chance de termos um campeonato mais forte no País já que muitos patrocinadores estarão de olho. Já a Olimpíada é um sonho. Não haverá nada mais perfeito para esse grupo do que ganhar a Olimpíada de novo. Alguns jogadores vão parar depois e seria um fecho com chave de ouro. Seria fenomenal mesmo.
— Você vai se despedir em Pequim?
— Vamos ver o que acontece neste ano. Não tivemos uma conversa aberta para saber quem pára ou não. Devemos falar sobre isso durante a Liga. Se chegarmos até o Mundial de 2010, podemos chegar até Londres (2012). Mas tenho que pensar na minha filha. Ela sempre diz: ‘Papai, você vai sair para jogar vôlei de novo? Vou fechar a porta de casa para você não ir’ (risos). E temos muitos jogadores para nos substituir.
— Você confia na presença do Rodrigão, operado recentemente, em Pequim?
— Todos estão confiantes. Não vemos a Olimpíada sem ele. Vimos o que ele passou em 2004 (uma fratura por estresse na tíbia) e se recuperou em tempo recorde.
— Tem falado com o Ricardinho, também operado?
— Não falo sobre isso.
— Pretende jogar no Brasil?
— Tenho que acabar o contrato na Rússia (até maio de 2010). Mas o último ano da minha carreira deve ser no Brasil. Estou há sete anos fora e só vivo no inverno. Da última vez em que fui ao Rio (há duas semanas), com três horas na praia, fiquei preto e descascando (risos).