Ana Carla Gomes e Danielle Rocha
Rio - Em Atenas, a imagem do maratonista que liderava a prova e viu o sonho da medalha de ouro ser derrubado por um ex-padre, que invadiu a pista, ganhou o mundo. Vanderlei Cordeiro de Lima virou símbolo do espírito olímpico ao se levantar, completar o percurso e comemorar o bronze. Quatro anos depois, ele ainda não sabe se poderá brigar novamente pelo pódio.
A distância que o separa de sua quarta Olimpíada é de 22 segundos. Muito pouco em uma prova de 42km, completada por ele em 2h12min. O Brasil terá três maratonistas em Pequim e Vanderlei é o quarto colocado. À sua frente estão Marilson Gomes (2h08min37), José Teles (2h12min23s) e Franck Caldeira (2h12min32s).
Situação que é nova para Vanderlei, já que em nenhuma das outras três edições dos Jogos passou pela angústia de ter de garantir a vaga na última seletiva. Uma inflamação no púbis o tirou da Maratona de Turim, este mês. Agora, sua chance derradeira será em Praga, no dia 11 de maio.
“Traz uma certa preocupação e insegurança pois ele perdeu 12 dias de treinamento específico para se tratar e nessa volta não podemos abusar muito das cargas. Ele vinha treinando e competindo bem. Mas na vida já passou por tantas dificuldades e reverteu situações aparentemente difíceis, o que me faz acreditar que conseguirá o mesmo agora”, disse o técnico Ricardo D’Angelo.
Aos 38 anos, Vanderlei busca no isolamento seu aliado. Está em Curitiba e só pensa em treinar para sua última Olimpíada. Qualquer pensamento diferente desse é descartado: “Ele sabe que só depende dele. Que precisa voltar aos treinos mais intensos para ganhar confiança. Sabemos da cobrança, sabemos que as pessoas torcem por ele e têm vontade de vê-lo disputando a maratona sem ninguém pular em suas costas. Se ele se classificar, certamente terá boas chances de estar no pódio novamente, porque ele corre bem nas condições que teremos na China: calor e umidade. O Marilson também”.
A nadadora Mariana Brochado sentiu na pele como é difícil perder uma vaga numa competição importante exatamente na última seletiva. Ficou fora do Pan do Rio, perdeu a confiança e as contas do quanto chorou, e chegou a pensar em parar de nadar. Depois da tempestade, ela torce para que a venha a bonança. A partir do dia 6 de maio, buscará sua classificação no Troféu Maria Lenk.
“Passou rápido demais! É a última chance de realizar o sonho e vai ser ainda mais especial para mim porque quero dar a volta por cima. Acho que muita gente pode não estar esperando por mim e isso é bom. Treinei muito e ir ou não a Pequim será um divisor de águas para mim”, afirmou.
Em Atenas, Mariana integrou o revezamento 4x200m livre que foi à final e terminou na sétima posição. Vai apostar nele novamente. “Quero voltar a ser aquela Mariana e seguir ajudando a natação feminina do Brasil’.