Rio - O que está acontecendo com a seleção brasileira, tão apagada, de futebol feio e pobre? O ‘Ataque’ buscou a resposta, entrevistando seis treinadores. Abel Braga, ex-Internacional, juntou-se no papo a colegas que já passaram pela Seleção, Sebastião Lazaroni, Leão, Parreira e Zagallo. Vanderlei Luxemburgo, outro procurado, não aceitou entrar na conversa, temendo ser mal interpretado. Sobram justificativas para o fiasco: período de inatividade da maioria dos jogadores, em férias na Europa, a ausência de Kaká, a falta de talentos. E por aí vai...
SEBASTIÃO LAZARONI
“O primeiro aspecto negativo é a coincidência das férias do futebol europeu. E nossa base está sendo aquela que atua lá fora. A Seleção não pode ficar tão desconcentrada, sem força psicológica para disputar as Eliminatórias e a Copa do Mundo. Algo precisa ser feito. O segundo aspecto é a ausência de jogadores como Kaká e Ronaldinho Gaúcho, que podem dar a qualidade que outros não estão conseguindo. O terceiro aspecto é que já tivemos mais valores. Os destaques do Campeonato Brasileiro do ano passado foram um goleiro, Rogério Ceni, e dois estrangeiros, Valdívia e Acosta. Merecem chance o Alex (Fenerbahce), o Paulo Assunção (Porto) e o Liédson (Sporting).”
EMERSON LEÃO
“É lógico que há um problema na Seleção. Basta ver os resultados dos últimos três jogos e a qualidade desses adversários... Algo não está correto. Não adianta só colocar o jogador no campo. Deve haver cumplicidade entre eles. Não sou defensor de ninguém, mas está ficando comum pegar somente no pé do treinador, quando a execução compete ao jogador. Não dá para mexer no treinador. A capacidade individual dos jogadores não está à altura do que a situação exige. E a solução está dentro deles. Os jogadores têm que definir o rumo a ser tomado. Chega de pensar que são os melhores do mundo. Não temos mais Pelé nem Garrincha.”
ZAGALLO
“Contra a Argentina, o time melhorou muito em disposição. Correu, lutou, evoluiu. Mas a Seleção sente falta de jogadores, principalmente do Kaká, e, com ele, alguma coisa vai melhorar. É uma fase de transição. Saiu muita gente. A verdade é que, hoje, não temos o material do passado. A Seleção que perdeu a Copa de 2006 era melhor do que essa. Fazer o quê? O jeito é ir em frente com o que se tem e usar a Olimpíada como campo de observação. Lá, o Dunga certamente vai perceber o que está faltando na Seleção principal.”
CARLOS ALBERTO PARREIRA
“Não é a primeira vez que essas dificuldades acontecem em Eliminatórias. Há um processo de renovação, e isso é complicado. Em 2001, perdemos seis jogos das Eliminatórias, com Vanderlei, Leão e Felipão. Passei por isso em 2003... A fase, agora, é de renovação, no meio de uma competição. Hoje, vendo de fora, posso dizer que é desumano o que fazem com o treinador. Nessa hora, não sinto saudade, mas diria ao Dunga que seja fiel às suas convicções e faça mudanças quando achar que deve fazê-las. E ele deve saber que a Olimpíada é um desgaste para o treinador. A gente não tem um projeto olímpico. Faltando menos de dois meses, não sabemos qual é a Seleção olímpica.”
ABEL BRAGA
“O grande problema é que três jogadores do meio, o Gilberto Silva, o Josué e o Mineiro, não estão num momento bom. Acho também que o Dunga deveria dar mais chance a jogadores daqui durante este período de férias na Europa. Sei de dois jogadores da Seleção que estavam na Disney com a família. Como é que a Seleção vai para duas partidas de peso com jogadores que estavam parados, com a mulher e os filhos, curtindo férias? No momento, os jogadores que atuam no Brasil estão em melhor forma física. O Hernanes, que estava no grupo, é um jogador acima da média. O Alex, do Internacional, é o jogador de meio-campo que mais faz gols no Brasil. O Íbson também merece uma chance.”
VANDERLEI LUXEMBURGO
“Não falo mais sobre a seleção brasileira. Sou muito sincero e já disse que quero voltar ao cargo, mas somente quando estiver vago. As pessoas me interpretaram mal. Quero sossego.