SÃO PAULO - Quando o ônibus da Seleção deixar o Morumbi, o tom já será de despedida. A torcida brasileira somente voltará a ver seus ídolos de perto no dia 18 de junho, na disputa contra a Argentina, em Belo Horizonte. Esse é um dos motivos que fazem a equipe sonhar com uma vitória sobre o Uruguai, hoje, a partir das 21h45, no Morumbi. A idéia de que a última impressão é a que fica mais do que nunca vai funcionar como combustível para um time que ainda tenta se firmar nas Eliminatórias da Copa de 2010.
Mas o Uruguai tem sido uma pedra na chuteira da Seleção. Desde a final da Copa América de 1999 (3 a 0), a Seleção não vence o adversário sul-americano em jogos de 90 minutos. Um jejum que já dura seis partidas, sendo que cinco terminaram empatadas – com o Brasil vencendo duas vezes nos pênaltis.
“Já faz algum tempo que o Uruguai vem dificultando a nossa vida. Em primeiro lugar, a vitória é importante porque queremos ficar lá em cima da tabela. Em segundo, porque queremos também terminar o ano bem na seleção brasileira. Ou seja: jogando bem e ganhando”, afirmou Robinho.
Sem jogar no Morumbi desde o dia 9 de agosto de 2003, Kaká tem uma razão bem pessoal para querer tanto a vitória: será a primeira vez que veste a camisa da Seleção no estádio em que cresceu. “O jogo contra o Uruguai não vai ser fácil. O jogador faz o possível para que a Seleção vença e dê espetáculo, porque o jogador gosta disso, gosta de jogar bem. Cada vez que atua bem, a gente se diverte muito mais”, afirmou Kaká, esperando o carinho da torcida.
Para o técnico Dunga, o jogo contra o Uruguai será também uma breve despedida do banco de reservas: suspenso, ele não poderá dirigir o time nos amistosos contra a Irlanda, em Dublin (6 de fevereiro), e a Suécia, em Estocolmo (26 de março).
Torcida volta a xingar Dunga e pedir Ceni
Um dia antes de entrar em campo, a torcida paulista já estava em guerra com a Seleção. Durante o treino no Morumbi, o acesso chegou a ser liberado para um grupo que, pouco tempo depois de se acomodar na arquibancada, foi convidado a se retirar.
“Não é mole, não! Tem que ter grana pra curtir a Seleção”, gritavam os torcedores, enquanto os policiais tentavam convencê-los a sair.
A torcida xingou Dunga e gritou o nome do adversário, o Uruguai, no dia da consciência negra, um feriado que alimentou nos paulistas a vontade de assistir ao treino da Seleção. Um privilégio que coube aos sócios do São Paulo e convidados.
Mesmo sem os barrados, o protesto continuou: “Dunga, bundão! Rogério é seleção”. O técnico do São Paulo, Muricy Ramalho, campeão brasileiro, também teve seu nome lembrado. Assim como Luís Fabiano, e, também, o zagueiro do Uruguai, Lugano, que teve inesquecível passagem pelo clube.
Apesar de ter despertado a antipatia da torcida, a Seleção ainda espera ser recebida hoje com a mesma festa que os cariocas fizeram nos 5 a 0 sobre o Equador. Durante o treino de ontem, um grupo ensaiava dentro do estádio várias coreografias, numa tentativa de animar os 68.500 torcedores e repetir o espetáculo do Rio.
Dunga surpreendeu ontem ao dirigir um coletivo em que a única novidade do time foi a entrada de Alex no lugar de Lúcio, suspenso. Como sinal de que Gilberto Silva e Vágner Love estão perdendo prestígio, o treinador substituiu-os por Josué e Luís Fabiano, após 20 minutos.