Rio - A filha Nicoll, de 4 anos, já tem poder de escolha e tem deixado bem claro que sua opção é mesmo voltar ao Brasil. “Eu quero ir para a praia”, costuma dizer ela para o pai, Giba. E, dessa vez, o craque tem tudo para atender aos pedidos da menina. Assediado pela Cimed, de Florianópolis, Giba não esconde sua vontade de voltar a atuar no País, mesmo tendo um ano de contrato com o Iskra Odintsovo, da Rússia. Em entrevista por telefone ao ‘Ataque’, ele falou sobre o possível retorno, a Seleção de vôlei e não se esquivou de comentar a polêmica envolvendo o nadador Michael Phelps, flagrado fumando maconha, mesma substância em que Giba foi pego no doping em 2003.
— Como está o seu ‘namoro’ com a Cimed?
— Estamos conversando. A diferença é que, neste ano, estamos nos arrumando antes, até para não deixar o time aqui na mão. Mas ainda tenho um ano de contrato, não tem nada certo e não acho justo ficar pensando já na próxima temporada quando estamos em primeiro no Campeonato Russo e disputando a Champions League. Mas as conversas este ano estão mais adiantadas, sim.
— O que mudou da proposta de 2008 para a de hoje?
— O que aconteceu no ano passado, quando a Cimed me chamou, foi que eu não poderia, em julho ou agosto, dizer que estava deixando o time em setembro. A multa também era pesada e agora caiu bastante. Essas duas coisas, o tempo e a multa, agora estão a nosso favor.
— Você costuma dizer que passa o ano todo vivendo no inverno. É do calor que você mais sente falta? Como está o clima aí agora?
— Agora está gostoso, está zero grau (risos). Há um tempo atrás, fez menos 25 graus. Não tenho como aproveitar o calor com meus filhos, ficar uns 15 dias na praia com eles. Saio daqui e vou para o Sul. Eu já me acostumei, mas a Nicoll fica falando: “Eu quero ir para o calor, quero ir para a praia”.
— Ela já opina na sua escolha, então...
— E como! (risos)
— Como você encara essa temporada em que a Seleção tentará recuperar sua hegemonia, depois de ter perdido a Olimpíada?
— A motivação já é grande por voltar a ocupar o lugar mais alto do pódio. E aumenta ainda mais ao ver a molecada chegando com vontade. Quero fazer parte dessa transição, ajudar ao máximo, para deixar a seleção brasileira bem. Continuo tendo prazer de estar ali.
— O torcedor terá de ter paciência? Como o time irá superar as ausências do Gustavo e do Anderson?
— Vai ser preciso muita paciência. Vai ser um ano atípico. Tirando a Rússia, acredito que todos os times estarão sofrendo mudança. É uma coisa normal, todo vai estranhar no início. Eu já passei por isso do outro lado, quando estava entrando no grupo. Mas temos que assimilar o mais rápido possível.
— Como você, que superou um doping, vê essa polêmica envolvendo o Phelps?
— É difícil falar, só você estando na situação mesmo. É claro que não é uma coisa certa. As crianças se espelham nele, como também se espelham em mim. O primeiro de tudo é assumir o erro e pedir desculpas publicamente. E, depois, mostrar a todos que isso não vai acontecer novamente.