Mauro Leão
Rio - O herói do título tricolor quer passar a ser conhecido como ‘Mister Copa do Brasil’. Aos 32 anos, o zagueiro Roger está coberto de razão e merece todas as honras. Afinal, o autor do gol do Fluminense na vitória por 1 a 0 em cima do Figueirense conquistou a competição pela quarta vez, três delas pelo Grêmio. “É um privilégio, uma bênção vencer tantas vezes uma Copa que dá tanto prestígio ao clube e ao atleta. Um presente de Deus”, agradeceu.
Para Roger, sua entrada no jogo e o gol logo no início da decisão estavam escritos nas estrelas: “Não tenho dúvida alguma de que foi coisa do destino. O Luiz Alberto jogaria, mas sentiu a lesão na véspera da partida. Eu estava achando que ficaria de fora. Porém, estava preparado”.
Ao receber do técnico Renato Gaúcho a notícia de que estava escalado, Roger conta ter tido uma visão. “Naquele momento, aconteceu algo mágico. Tive a certeza de que ajudaria o grupo e que alguma coisa muito boa estava por vir. Só não pensei que marcaria o gol da vitória. Foi demais”, vibrou.
Lateral-esquerdo de origem e zagueiro por necessidade de sobrevivência, Roger conta ter sido ‘reinventado’ para o futebol desde que chegou às Laranjeiras, no ano passado.
Ele lembra que no Fluminense passou a atuar com mais freqüência na zaga e teve que se adaptar a uma situação inédita. “Não estava acostumado a ficar no banco de reservas. Não é uma posição confortável. Por isso, nunca me acomodei. Depois de tantos anos de estrada, eu me vejo tendo de me desdobrar, treinar como um garoto para tentar recuperar a titularidade. Tudo isso acabou me incentivando a correr ainda mais pelo sucesso”.
Contratado pelo clube até dezembro de 2008, Roger fez poucos gols na carreira de uma década: “Antes, foram apenas dez pelo Grêmio e oito pelo Vissel Kobe, do Japão. De todos eles, o mais importante, que jamais sairá da minha memória, será o que marquei contra o Figueirense. Esse gol teve peso dobrado, pois nos deu o título da Copa do Brasil e uma vaga na Copa Libertadores da América do próximo ano”.
Feliz com o seu sucesso, Roger espera que os demais jogadores do Tricolor o tenham como exemplo. “Não pode desanimar nunca. Foi para a reserva? Que se mate e recupere a confiança do técnico. Uma hora a sua chance chegará”, afirma.