Janir Júnior
Rio - A conquista da Copa do Brasil resgatou o orgulho do torcedor do Fluminense, promoveu uma festa que começou na quarta-feira à noite, varou a madrugada, prosseguiu durante todo dia de quinta — com direito a desfile dos jogadores em carro aberto acompanhado por milhares de tricolores — e fez a torcida sonhar grande e cantar: “Tá maneiro, eu tenho a Copa do Brasil e quero o Brasileiro”.
Logo após a vitória em Florianópolis, as ruas do Rio foram tomadas por tricolores. Nas primeiras horas da manhã de quinta, eles já se dirigiam para o Aeroporto Santos Dumont para recepcionar os campeões, que tinham chegada prevista para as 13h. O avião com a delegação pousou às 14h08, para delírio dos torcedores. No saguão, o busto de Santos Dumont foi coberto com a camisa tricolor, na esperança de vôos ainda mais altos.
O caminhão dos Bombeiros, com os jogadores e Renato Gaúcho, percorreu rapidamente o Aterro do Flamengo, a Praia de Botafogo até apontar na Rua Pinheiro Machado, onde fica a sede do clube. Um carro com o Papa tricolor e o hino em alto volume dava o tom da festa.
Quando entraram na sede, os jogadores foram saudados como heróis. Fernando Henrique foi o primeiro a subir à tribuna. O goleiro balançou a bandeira e o coração dos torcedores que, junto ao vermelho, ganhou as cores verde e branca.
A aristocrática sede do Fluminense e, em especial a tribuna de honra, foram tomadas pela torcida tricolor. A festa pelo título, para uma multidão de torcedores, teve milhares de latas de cerveja, bateria da Beija-Flor e tumulto próximo aos jogadores.
O gramado das Laranjeiras ficou muito danificado. Os jogadores enfrentaram uma via-crúcis para comemorar junto à torcida. Em meio a dezenas de máquinas fotográficas digitais dos fãs, confusão a cada momento que algum atleta aparecia na tribuna.
Fernando Henrique foi o primeiro a erguer a taça da Copa do Brasil, seguido por Rafael Moura, Carlos Alberto e Alex Dias. “É tudo impressionante. Fico feliz por fazer a alegria de uma nação”, afirmou o goleiro.
Jogadores, comissão técnica e dirigentes se reuniram em uma sala reservada para um momento de agradecimentos. Assis e Delei, ex-jogadores, apareceram para dar os parabéns ao grupo.
Na festa, também houve quem se aproveitasse para ganhar um troco a mais. Ambulantes que estavam nas ruas próximas à sede pegavam latas distribuídas gratuitamente pelo clube e as vendiam do lado de fora.
Bastidores de como nascem os heróis
O Fluminense começou a desenhar o título antes do jogo. Renato Gaúcho e o preparador físico Fábio Mahseredjian fizeram preleção que mexeu com os brios dos jogadores e usaram frases de efeito e pôsteres do Figueirense campeão, que já eram vendidos antes da partida em Florianópolis.
“Foram palavras fortes, e o Renato disse que não haveria somente um, mas, sim, vários heróis. E foi o que aconteceu”, relatou Roger.
Membros da comissão técnica destacaram a importância de Renato no título, por ter conseguido transformar um grupo desacreditado em uma grande família, unida e com objetivos em comum. Depois da vitória, o técnico deu um beijo carinhoso em todos, do massagista ao presidente.
E, depois de baterem o Figueirense, foi a vez de vencer o cansaço. Ninguém da delegação tricolor conseguiu dormir após o jogo. Quando chegaram ao Rio, quinta à tarde, todos já estavam há mais de 24 horas acordados.
Os jogadores que mais atuaram na Copa do Brasil devem receber um prêmio de R$ 30 mil. Nesta sexta, o grupo aproveita o dia de folga e somente voltará a treinar sábado, para o jogo de domingo, contra o Sport.
Em meio ao rebuliço pelo título, dirigentes cogitavam a hipótese de fazer uma promoção para a partida de domingo. A idéia é lotar o Maracanã, para dar prosseguimento à festa dos heróis tricolores.