Rio - Reeleito ontem até 2012 pela Assembléia da CBF, o presidente da entidade, Ricardo Teixeira, mandou recado velado para Kaká e Ronaldinho Gaúcho, que pediram dispensa da Seleção que disputou a Copa América: “Na seleção brasileira de hoje, veste a camisa quem quer e quem gosta de jogar nela”.
O cartola fez coro com o técnico Dunga, que ficou irritado com o pedido de dispensa e disse e, após a conquista do título, domingo, que os campeões na Venezuela terão prioridade para as Eliminatórias da Copa. Com isso, o técnico admitiu a possibilidade de deixar Kaká e Ronaldinho de fora.
Ontem, o discurso do técnico foi repetido pelo presidente da CBF. “No meu modo de ver, quem quer jogar na seleção brasileira tem que ter paixão acima de tudo e vontade de defendê-la. Isso foi demonstrado claramente na decisão”.
O presidente recebeu voto das 27 federações e de 16 clubes da Série A do Brasileiro. Os presidentes de Botafogo, Vasco e Atlético-MG chegaram atrasados e não votaram. A diretoria do Corinthians não apareceu.
Teixeira cutucou os críticos e elogiou Dunga. “Inegavelmente, o processo na Seleção mudou, a contragosto de muitas pessoas que não gostam das coisas sérias. Não adianta ficar colocando que a Seleção é da CBF e do Dunga. A camisa da Seleção merece ser respeitada. Basta olhar os grandes resultados que conquistou. E não é a primeira vez que surpreende. O título teve gostinho especial, porque não ganhei somente dos argentinos”.
Jogadores criticam críticos
Os cariocas Juan e Gilberto usaram a conquista da Copa América para atacar os jornalistas. Segundo eles, a imprensa abusou nas críticas, sem nem sequer dar chance de os jogadores provarem que têm valor. “Só sabem dizer que somos mercenários, que usamos a Seleção para ganhar dinheiro”, afirmou Gilberto.
O lateral disse que todos se esquecem de que os jogadores estão em período de férias na Europa e jogam na Seleção por amor. E, apesar disso, ainda são acusados de mercenários. “Isso é uma grande mentira. Ganharíamos muito mais se ficassemos em casa, curtindo a nossa família. Recebemos salários milionários em nossos clubes europeus. Jogamos na Seleção por respeito ao País”, disse Gilberto.
Juan também reclamou da imprensa: “Colocaram em xeque a nossa honra”.